sábado, 7 de dezembro de 2013

Mais uma noite que não quer terminar

Quatro horas da manhã e um galo canta num quintal vizinho, ou diversos galos cantam em quintais distintos. O canto de um galo é o canto de todos os galos, os pretéritos, os presentes e os do porvir.

E por falar na espera do porvir, eu fico esperando que o amanhã surja por completo e traga a vida da cidade de volta. O silêncio me faz pensar demais, pensar demais em você, na possibilidade e nas impossibilidades do nós. Experimento que pode vir ou não acontecer. A vontade, a ânsia, a fome de uma conexão mais ampla e com mais sentido.

Eu sinto fome e sinto sede de amar ao mesmo tempo que já sinto azia de tanto desencontro na vida. Há um refluxo em mim de tanta coisa poderia ter dado certo e não deu, por acaso, por falta de esforço ou por aquelas forças que são superiores a nós reles homens.


E logo eu que nunca fui um daqueles homens de ter fé ou devoção, tenho rezado para que as manhãs arrastem as trevas da minha solidão e afaste de mim essa devoção com que meus pensamentos tem te procurado. Ansiando, desesperadamente que a luz matinal que dissipa a névoa dissipe também as minhas angústias e dúvida. E minha espera tem sido em vão.

2 comentários:

Lais Castro disse...

Isso é uma angústia existencial, Leonardo?

Leonardo Xavier disse...

As angústias existenciais tão sempre aí Lais.