sábado, 20 de outubro de 2012

Ditadura da Felicidade


Por uma felicidade menos sintética!

Por mais que eu seja contemporâneo a certos fenômenos, dificilmente alguns deles deixam de me causar certo estranhamento. Nos últimos tempos o que tem me parecido estranho é uma ditadura do estar feliz. Em todas as redes sociais as pessoas fazendo comentários de como elas estão sempre alegres, felizes e festejando. Até parece que a vida é uma verdadeira festa, que ninguém toma pé na bunda, tem dor de barriga ou possui qualquer motivo que seja para estar insatisfeito. Há sempre aquela sensação de que a vida é uma eterna fotografia de família com todos gritando para você: “sorria para a câmera!”.

Questiono se dá para ser mentalmente saudável obrigando-se a estar sempre alegre? Será que talvez não seja obrigação da felicidade constante e essa busca incansável pelo prazer incessante que têm feito tantas pessoas fazerem filas nos psiquiatras e que têm alimentado tanto as vendas das indústrias farmacêuticas?

Será que não é muito mais saudável se permitir sentir um pouco de tristeza e sofrer as pequenas dores do cotidiano? Será que talvez não seja uma postura muito mais humana aceitar que essa felicidade incessante e essa ausência de sofrimento é algo impossível de ser alcançado. Será que não é uma atitude muito mais saudável se permitir vivenciar as paletas de sentimentos possíveis, aceitar ser alegre nos momentos alegres e triste nos momentos tristes, sentir a dor quando ela vier e também saber se deliciar com os pequenos prazeres da vida?

Sinceramente, eu acredito na impossibilidade de uma felicidade constante e permanente, principalmente num mundo caótico e , por isso mesmo, gostaria de ter mais liberdade de expressar como verdadeiramente me sinto.