domingo, 22 de julho de 2012

Imaturidade.


Basta chegar o período de campanha eleitoral, para que eu possa tantas vezes perceber o quanto a nossa sociedade ainda é imatura quanto à questão da democracia. Há uma dificuldade enorme em se manter os debates num nível saudável e, na maioria dos casos, o debate acaba se resumindo a questionar a ética adversária com membros tanto de situação quanto da oposição recorrendo a métodos nada éticos para tentar expor os seus adversários. Isso quando não ficamos sabendo dos métodos ainda mais escusos utilizados nos financiamento de campanhas.


Há uma escassez de propostas e uma falta total de compromisso entre situação e oposição para construir um projeto de país. É quanto a esse projeto de país que eu mais sinto que a democracia falha no Brasil, eu sinto que esse debate nunca é levantado. Que tipo de país desejaríamos ser no futuro? Em que tipo de sociedade gostaríamos de ver nossos filhos e netos crescendo?  Como resultado emerge a continuidade de um modelo de gestão onde o país se move de apagão em apagão.


A campanha eleitoral por si, também é outra prova contundente da nossa falta de maturidade política. Somos bombardeados durante toda a campanha através de propagandas que repetem até exaustão o nome do candidato, seu número e um bordão que na maioria das vezes não diz nada a respeito de como o candidato pretende atuar. “Por uma cidade melhor”, “Por uma cidade mais ética”, “Pelo crescimento”, “Pela mudança”. São motes que não dizem absolutamente nada se não definirmos enquanto sociedade o que é uma cidade melhor, quais são os valores da nossa ética, qual o verdadeiro significado de crescimento e qual o intuito e a direção das mudanças.

8 comentários:

Lais Castro disse...

Nossa, Leonardo! Que questionamentos mais pertinentes! Totalmente de acordo!

Carlos Medeiros disse...

Temos muito ainda a fazer pra este país se tornar democraticamente melhor.

Ulisses Adirt disse...

Leonardo, vc sabe que gosto mto das suas reflexões. Mas, existe um ponto que você levantou aí que me incomoda: vc diagnosticou o problema, pelo que eu pude perceber, como um caso de imaturidade política da sociedade brasileira. Mas, exatamente a mesma coisa não acontece nos Estados Unidos? Faz pouco não aconteceu na França? (Só para ficar em dois exemplos de países de "primeiro mundo".)

Será que não é um problema intrínseco da política? Ou da política-popular/populista? Ou mesmo da democracia? Bem... são só algumas divagações.

Abraços.

Leonardo Xavier disse...

Ulisses, independente de outros países sofrerem males parecidos. Eu acho isso patológico na nossa sociedade... Mas uma das coisas que eu sinto falta que pelo menos o modelo americano e francês parecem ter é o processo democrático na escolha dos candidatos. Já reparou, como todos os grandes partidos e coligações no Brasil sempre acabam indicando seus candidatos aos cargos do executivo de maneira biônica ? Um dirigente do partido diz esse é o nosso candidato e ponto final.

Eu sinto que nessa aspecto o que nós queremos enquanto sociedade acaba ficando muito mais em segundo plano do que nos outros sistemas. Somo obrigados a legitimar a escolha de dois grandes partidos cujas plataformas principais de campanha podem nem ter relação alguma com as questões que mais afligem a nossa sociedade no momento.

Rachel Chagas disse...

Posso falar? Gosto tanto de política (no sentido que for), quanto gosto de dor de barriga!

Leonardo Xavier disse...

Rachel, morri de rir com o seu comentário. kkk!

Rachel Chagas disse...

Tô inspirada... uahuhauauah

Lais Castro disse...

Oi Leonardo! Cadê você? Tou sentindo sua falta por aqui. Abraço.