domingo, 20 de maio de 2012

Fria e amarga


Estou aqui mais uma vez sozinho na sala de casa, a luz do dia se extingue lentamente, até que a única iluminação passa a ser a tela do notebook tocando um blues triste sobre mais um romance que acabou mal, mas quantos deles realmente acabam bem? Sempre há alguém que enjoa do outro primeiro, faz as malas e sai porta afora.

Esparramado no sofá como um boneco de pano largado por uma criança que se cansou de brincar. Caído, sem forma, sem vida, sem brilho nos olhos. Talvez quem realmente se cansado de ser marionete nesse maravilho e terrível jogo da vida tenha sido eu.

Desiludido, cansado e com o espírito em pedaços vestindo uma camisa velha eu e uma calça jeans mais surrada do que pugilista vagabundo, eu continuo ali olhando a luminescência tênue que emana do computador. Exausto por estar sempre buscando algo que eu nunca sei exatamente o que é. E parece-me ninguém de fato sabe aquilo que realmente busca. Eu me estico preguiçosamente e, sem me levantar do sofá, alcanço uma garrafa de cerveja sobre a mesa de centro.

Observo o líquido através do vidro verde coberto de gotículas d’água, leio todas aquelas baboseiras escritas no rótulo e, por fim, tomo um longo e lento gole. A bebida, tal qual a vida, desce fria e amarga pela garganta.

3 comentários:

Rachel Chagas disse...

"E parece-me ninguém de fato sabe aquilo que realmente busca"...
Eu sei exatamente o que eu quero: A FELICIDADE.
Não me importa onde, como, ou com quem, a única coisa que quero de fato, é isso...

Leonardo Xavier disse...

Eu acho que felicidade é mais uma dessas coisas que ninguém sabe o que realmente é.

Cada um tem um noção de felicidade diferente e mesmo nossa própria noção de felicidade é inconstante e imutável.

Anakel13 disse...

E o dessabor da vida se acentua. =/