quinta-feira, 29 de março de 2012

Sorrindo com os deuses...


O velho, que supostamente deveria estar voltando da padaria, chega com as sacolas pão numa mão e um embrulho meio molhado na outra. E o cheiro denuncia o conteúdo do pacote: camarões. Ponho os camarões para cozinha no vapor e fico observando enquanto eles lentamente vão mudando da coloração enquanto aprecio o cheiro dos camarões cozendo.

Eu sinto um prazer simplório de observar a transformação, de beliscar uns camarões, enquanto tomo uma coca-cola estupidamente gelada e converso com o velho. E eu me pergunto se é o mesmo prazer que os deuses sentem enquanto assistem os seres humanos se transformando lentamente em cadáveres. Vendendo um belo naco da alma a cada dia para trocar por carros mais potentes que vão ficar presos em engarrafamentos, por casas maiores para as quais só vão para dormir ou por viagens que os levem para bem longe da vida que escolheram viver.

Definhando cada dia física e mentalmente até que só sobre uma carcaça vazia a ser descida dentro de um estúpido caixote de madeira numa cova. Ao homem só resta duas opções: virar mito ou virar cadáver. E a maioria de nós, no final, servirá apenas de alimento aos vermes.

Os deuses com certeza devem se divertir muito as nossas custas... Eu belisco mais um camarão,tomo outro gole de refrigerante e, só por hoje, sorrio com os deuses...

domingo, 11 de março de 2012

Todo começo é difícil.



Todo começo é difícil e nas últimas duas semanas eu comecei uma etapa nova na minha vida. E confesso, meus caros leitores, não está sendo nada fácil. Existem até muitas pessoas que idealizam essa fase inicial e acham muito bonita essa fase de novidades e descobertas. Das tentativas, dos erros e até por fim os acertos.

Eu por outro lá já detesto tudo isso, não tem nada pior do que ser o novato em um ambiente. Ser aquele que está sempre pisando em ovos, não saber o que esperar das pessoas ou daquele ambiente. A ansiedade e o frio na barriga a cada passo dado. E, de fato, há quem goste dessa sensação de aventura, da adrenalina, do coração acelerado.

No entanto, eu não me adapto a ser a figura aventureira, definitivamente não reside em mim o espírito daqueles que saltam no escuro como se tivessem atravessando a sala da própria casa. Eu troco o rapel, o rafting e salto de pára-quedas pelo conforto do meu sofá e um bom livro, sem a menor hesitação. Eu prefiro a sensação de segurança de saber exatamente o que fazer em cada situação e de poder saber com que pessoas eu posso contar em cada um dos momentos. Detesto ser o novato que faz as trapalhadas, que derrama o café na camisa no primeiro dia do trabalho. Detesto ser aquele que sente a falta de entrosamento e assunto ao tratar com os novos colegas.

Adoro a sensação plena de saber  o que estou fazendo, dos passos seguros e da voz firme. Da paz de espírito interior. E é isso que eu gostaria de ter agora e se não for pedir demais: tragam a minha serenidade de volta!