segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fim de tarde


Bem te vi Bem-te-vi


Cá estou em um fim de tarde, músculos queimando e ar me faltando nos pulmões. Cansado, exasperado com o suor escoando pelas costas e encharcando a camisa. Os pedreiros foram embora da obra mais cedo e alguém tinha que descarregar uma bela dúzia de caixas de cerâmicas. Não ia ser uma senhora de mais de 60 anos,  então sobrou para mim. Família tem dessas coisas: você cuida dos seus familiares e eles cuidam de você.

Sento-me na varanda da casa e ficou observando o jardim. Vejo um bem-te-vi enorme beliscando pitangas em um galho, alguns pássaros começam a se ajeitar sob a copa das arvores para dormir, enquanto outros ainda brincam e namoram na areia recém aterrada do jardim. Tudo isso enquanto a cor do céu muda lentamente de azul para púrpura.

Fico ali largado, como um animal cansado no chão frio da varanda, me decidindo se praguejo pelo cansaço ou se agradeço pela beleza do fim da tarde. Por hoje, eu escolho me sentir grato. Deixo para praguejar amanhã pela manhã quando a dor nas costas, que certamente virá, dificultar a minha saída da cama.

E uma chuva fininha cai, deixando a brisa fria da noite que começa ainda mais refrescante.


2 comentários:

Patrícia disse...

Os bem-te-vis só me lembram meu despertar na nossa infância em Salvador...

Leonardo Xavier disse...

Paty, eu confesso que me lembra pátio de colégio pela manhã.