sábado, 21 de janeiro de 2012

Panflete primeiro, proteste depois!


Protesto Recife


Sexta-feira, ocorreram protestos no centro do Recife contra o aumento da passagem de ônibus. Cena clássica: estudantes tomando conta do principal corredor de ônibus, a Avenida Conde da Boa Vista, os engarrafamentos crescendo, até o batalhão de choque chegar para liberar a via e descer o porrete na moleira dos estudantes. Seguem-se, como, sempre as denúncias de abusos policiais e da cobertura tendenciosa da grande mídia.

 No entanto o que me causou certo espanto é o fato de ver uma amiga que reclamando porque a população muitas vezes, apesar de repudiar as ações policiais, não apoiar os protestos de estudantis e algumas vezes taxar o movimento estudantil com adjetivos bastante pejorativos. Eu poderia dizer que o culpado é alienação política da maioria da população, poderia dizer que a culpa é de certos movimentos e partidos anacrônicos que enfiaram militantes profissionais (eu conheço gente que recebe salário do partido para militar dentro da universidade) no movimento estudantil, ou poderia citar diversos outros motivos, mas a verdade é  bem mais simples que isso. E para explicar eu prefiro contar uma história pessoal.

Na época, eu ainda era estudante de graduação e estava estudando para uma prova juntamente com amigos numa das bibliotecas da universidade. Quando de repente entra um grupo com camisetas do sindicato dos funcionários da universidade e dos diretórios acadêmicos da situação na época fazendo a maior confusão: gritando que iam fechar a biblioteca, batendo tambor e apitando. Tudo com o intuito de expulsar os alunos da biblioteca e protestar. Lembro do ambiente se tornar insuportável com o barulho e os estudantes que não estavam envolvidos no protesto acabaram se retirando da biblioteca. Enquanto saíamos, alguns membros do movimento nos entregavam panfletos.

O motivo de tal protesto? Até hoje eu não sei! Recusei o panfleto que me foi entregue, alguns amigos jogaram os panfletos recebidos no lixo sem nem parar para ler. Afinal, poucas pessoas têm paciência de escutar alguém que inicia um diálogo agredindo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fim de tarde


Bem te vi Bem-te-vi


Cá estou em um fim de tarde, músculos queimando e ar me faltando nos pulmões. Cansado, exasperado com o suor escoando pelas costas e encharcando a camisa. Os pedreiros foram embora da obra mais cedo e alguém tinha que descarregar uma bela dúzia de caixas de cerâmicas. Não ia ser uma senhora de mais de 60 anos,  então sobrou para mim. Família tem dessas coisas: você cuida dos seus familiares e eles cuidam de você.

Sento-me na varanda da casa e ficou observando o jardim. Vejo um bem-te-vi enorme beliscando pitangas em um galho, alguns pássaros começam a se ajeitar sob a copa das arvores para dormir, enquanto outros ainda brincam e namoram na areia recém aterrada do jardim. Tudo isso enquanto a cor do céu muda lentamente de azul para púrpura.

Fico ali largado, como um animal cansado no chão frio da varanda, me decidindo se praguejo pelo cansaço ou se agradeço pela beleza do fim da tarde. Por hoje, eu escolho me sentir grato. Deixo para praguejar amanhã pela manhã quando a dor nas costas, que certamente virá, dificultar a minha saída da cama.

E uma chuva fininha cai, deixando a brisa fria da noite que começa ainda mais refrescante.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Estilo


Se me pedissem para explicar a razão, provavelmente não saberia explicar, mas o fato é que existem certos versos, estrofes ou mesmo parágrafos de um texto que parecem reverberar infinitamente consciência. Um palpite inicial é a identificação com aquela situação ou com a idéia descrita, mas minha hipótese favorita é que, talvez, esses trechos contenham fragmentos de pequenas verdades universais captadas pelos seus autores.

Eu sempre sinto esse fragmento de verdade universal quando eu leio ou escuto o verso de abertura do poema "Style" do Charles Bukowski. Quando ele diz  “Estilo é a resposta para tudo”,  é possível sentir verdade. E talvez seja nessa verdade que se baseio o meu argumento para a importância de ler os clássicos. Os clássicos sempre possuem estilo e ter estilo, não importa o que você esteja fazendo, sempre faz a diferença.

Um exemplo de como estilo faz diferença, é aquela cantada famigerada e medíocre: “Me joga na parede e me chama de lagartixa!” que quando comparada “A lagartixa” do Álvares de Azevedo. O mesmo animal, a mesma intenção de se aproximar da pessoa desejada, mas quanta diferença no estilo. Observem!

A lagartixa

A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.

Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.

Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores

Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.

E depois disso, quem não há de concordar que estilo é a resposta para tudo?

domingo, 1 de janeiro de 2012

Bunkers são inúteis...

bunker


Algumas vezes eu tento fugir, correr e me esconder atrás das espessas paredes de concreto ou nas cavernas mais profundas.  Busco refúgio no isolamento e na solidão,mas de nada adianta. Os idiotas sempre conseguem me alcançar.