sábado, 20 de outubro de 2012

Ditadura da Felicidade


Por uma felicidade menos sintética!

Por mais que eu seja contemporâneo a certos fenômenos, dificilmente alguns deles deixam de me causar certo estranhamento. Nos últimos tempos o que tem me parecido estranho é uma ditadura do estar feliz. Em todas as redes sociais as pessoas fazendo comentários de como elas estão sempre alegres, felizes e festejando. Até parece que a vida é uma verdadeira festa, que ninguém toma pé na bunda, tem dor de barriga ou possui qualquer motivo que seja para estar insatisfeito. Há sempre aquela sensação de que a vida é uma eterna fotografia de família com todos gritando para você: “sorria para a câmera!”.

Questiono se dá para ser mentalmente saudável obrigando-se a estar sempre alegre? Será que talvez não seja obrigação da felicidade constante e essa busca incansável pelo prazer incessante que têm feito tantas pessoas fazerem filas nos psiquiatras e que têm alimentado tanto as vendas das indústrias farmacêuticas?

Será que não é muito mais saudável se permitir sentir um pouco de tristeza e sofrer as pequenas dores do cotidiano? Será que talvez não seja uma postura muito mais humana aceitar que essa felicidade incessante e essa ausência de sofrimento é algo impossível de ser alcançado. Será que não é uma atitude muito mais saudável se permitir vivenciar as paletas de sentimentos possíveis, aceitar ser alegre nos momentos alegres e triste nos momentos tristes, sentir a dor quando ela vier e também saber se deliciar com os pequenos prazeres da vida?

Sinceramente, eu acredito na impossibilidade de uma felicidade constante e permanente, principalmente num mundo caótico e , por isso mesmo, gostaria de ter mais liberdade de expressar como verdadeiramente me sinto.

domingo, 22 de julho de 2012

Imaturidade.


Basta chegar o período de campanha eleitoral, para que eu possa tantas vezes perceber o quanto a nossa sociedade ainda é imatura quanto à questão da democracia. Há uma dificuldade enorme em se manter os debates num nível saudável e, na maioria dos casos, o debate acaba se resumindo a questionar a ética adversária com membros tanto de situação quanto da oposição recorrendo a métodos nada éticos para tentar expor os seus adversários. Isso quando não ficamos sabendo dos métodos ainda mais escusos utilizados nos financiamento de campanhas.


Há uma escassez de propostas e uma falta total de compromisso entre situação e oposição para construir um projeto de país. É quanto a esse projeto de país que eu mais sinto que a democracia falha no Brasil, eu sinto que esse debate nunca é levantado. Que tipo de país desejaríamos ser no futuro? Em que tipo de sociedade gostaríamos de ver nossos filhos e netos crescendo?  Como resultado emerge a continuidade de um modelo de gestão onde o país se move de apagão em apagão.


A campanha eleitoral por si, também é outra prova contundente da nossa falta de maturidade política. Somos bombardeados durante toda a campanha através de propagandas que repetem até exaustão o nome do candidato, seu número e um bordão que na maioria das vezes não diz nada a respeito de como o candidato pretende atuar. “Por uma cidade melhor”, “Por uma cidade mais ética”, “Pelo crescimento”, “Pela mudança”. São motes que não dizem absolutamente nada se não definirmos enquanto sociedade o que é uma cidade melhor, quais são os valores da nossa ética, qual o verdadeiro significado de crescimento e qual o intuito e a direção das mudanças.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Certeza ?


A certeza e a confiança nessa certeza pode muitas vezes servir de base para construção de algo novo e ainda maior em cima daquilo que temos como certo e confiável. No entanto, muitas vezes me surpreendo como certezas podem vir a construir uma fé cega e irracional que em inúmeros casos se torna a um elemento destrutivo.

Será que não é essa certeza inabalável que tem nos feito evitar tantas vezes as questões e dúvidas que seriam capazes de nos impulsionar de nos fazer progredir?  E não será também tantas vezes a certeza de que poderemos contar sempre com uma amizade, um parente ou mesmo com as pessoas que escolhemos amar que tantas vezes faz com ajamos de maneira inconveniente?

Já reparou D. Maria, em como é lindo um casal de recém-apaixonados matutando sobre as dúvidas em relação ao amor do outro? Já viu como dessa insegurança toda dos pombinhos surge o esforço para cativar o outro em cada oportunidade?

E será que algumas vezes é melhor não ter certeza?

domingo, 20 de maio de 2012

Fria e amarga


Estou aqui mais uma vez sozinho na sala de casa, a luz do dia se extingue lentamente, até que a única iluminação passa a ser a tela do notebook tocando um blues triste sobre mais um romance que acabou mal, mas quantos deles realmente acabam bem? Sempre há alguém que enjoa do outro primeiro, faz as malas e sai porta afora.

Esparramado no sofá como um boneco de pano largado por uma criança que se cansou de brincar. Caído, sem forma, sem vida, sem brilho nos olhos. Talvez quem realmente se cansado de ser marionete nesse maravilho e terrível jogo da vida tenha sido eu.

Desiludido, cansado e com o espírito em pedaços vestindo uma camisa velha eu e uma calça jeans mais surrada do que pugilista vagabundo, eu continuo ali olhando a luminescência tênue que emana do computador. Exausto por estar sempre buscando algo que eu nunca sei exatamente o que é. E parece-me ninguém de fato sabe aquilo que realmente busca. Eu me estico preguiçosamente e, sem me levantar do sofá, alcanço uma garrafa de cerveja sobre a mesa de centro.

Observo o líquido através do vidro verde coberto de gotículas d’água, leio todas aquelas baboseiras escritas no rótulo e, por fim, tomo um longo e lento gole. A bebida, tal qual a vida, desce fria e amarga pela garganta.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Aos trapos...

Desastres da Guerra Goya


Há momentos em que parecem se encerrar dentro de mim todas as dores e tristezas do mundo. Caminho cabisbaixo, arrasado, aos trapos, como um infante derrotado que é levado pelo inimigo para execução. Uniforme e estandarte em farrapos. Não há mais brilho nos olhos... Não há mais pelo que lutar... Não adianta mais lutar... Tudo que valia a pena foi destruído e incinerado até que só restassem ruínas, pó e devastação.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Contramão

Contramão


"Só queria seguir em frente, continuar, mas sempre parece haver uma placa dizendo que estou a andar na contramão da vida."

quinta-feira, 29 de março de 2012

Sorrindo com os deuses...


O velho, que supostamente deveria estar voltando da padaria, chega com as sacolas pão numa mão e um embrulho meio molhado na outra. E o cheiro denuncia o conteúdo do pacote: camarões. Ponho os camarões para cozinha no vapor e fico observando enquanto eles lentamente vão mudando da coloração enquanto aprecio o cheiro dos camarões cozendo.

Eu sinto um prazer simplório de observar a transformação, de beliscar uns camarões, enquanto tomo uma coca-cola estupidamente gelada e converso com o velho. E eu me pergunto se é o mesmo prazer que os deuses sentem enquanto assistem os seres humanos se transformando lentamente em cadáveres. Vendendo um belo naco da alma a cada dia para trocar por carros mais potentes que vão ficar presos em engarrafamentos, por casas maiores para as quais só vão para dormir ou por viagens que os levem para bem longe da vida que escolheram viver.

Definhando cada dia física e mentalmente até que só sobre uma carcaça vazia a ser descida dentro de um estúpido caixote de madeira numa cova. Ao homem só resta duas opções: virar mito ou virar cadáver. E a maioria de nós, no final, servirá apenas de alimento aos vermes.

Os deuses com certeza devem se divertir muito as nossas custas... Eu belisco mais um camarão,tomo outro gole de refrigerante e, só por hoje, sorrio com os deuses...

domingo, 11 de março de 2012

Todo começo é difícil.



Todo começo é difícil e nas últimas duas semanas eu comecei uma etapa nova na minha vida. E confesso, meus caros leitores, não está sendo nada fácil. Existem até muitas pessoas que idealizam essa fase inicial e acham muito bonita essa fase de novidades e descobertas. Das tentativas, dos erros e até por fim os acertos.

Eu por outro lá já detesto tudo isso, não tem nada pior do que ser o novato em um ambiente. Ser aquele que está sempre pisando em ovos, não saber o que esperar das pessoas ou daquele ambiente. A ansiedade e o frio na barriga a cada passo dado. E, de fato, há quem goste dessa sensação de aventura, da adrenalina, do coração acelerado.

No entanto, eu não me adapto a ser a figura aventureira, definitivamente não reside em mim o espírito daqueles que saltam no escuro como se tivessem atravessando a sala da própria casa. Eu troco o rapel, o rafting e salto de pára-quedas pelo conforto do meu sofá e um bom livro, sem a menor hesitação. Eu prefiro a sensação de segurança de saber exatamente o que fazer em cada situação e de poder saber com que pessoas eu posso contar em cada um dos momentos. Detesto ser o novato que faz as trapalhadas, que derrama o café na camisa no primeiro dia do trabalho. Detesto ser aquele que sente a falta de entrosamento e assunto ao tratar com os novos colegas.

Adoro a sensação plena de saber  o que estou fazendo, dos passos seguros e da voz firme. Da paz de espírito interior. E é isso que eu gostaria de ter agora e se não for pedir demais: tragam a minha serenidade de volta!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Experimentos


Eu me lembro de ter conversado um dia desses sobre um amigo e como algumas vezes pequenos experimentos numa aula podem ser muito mais marcantes do que apenas esquemas demonstrando o funcionamento daquele experimento.

Eu um exemplo de como uma demonstração pode ser muito mais convincente do que qualquer explicação mostrando gráficos, figuras ilustrativas, etc. É o vídeo abaixo do Michael Pritchard:



Por mais que o palestrante explique, todo o funcionamento. Não há nada mais convincente de que o filtro é eficiente do que o fato do sujeito tomar uns belos goles da água filtrada.


sábado, 21 de janeiro de 2012

Panflete primeiro, proteste depois!


Protesto Recife


Sexta-feira, ocorreram protestos no centro do Recife contra o aumento da passagem de ônibus. Cena clássica: estudantes tomando conta do principal corredor de ônibus, a Avenida Conde da Boa Vista, os engarrafamentos crescendo, até o batalhão de choque chegar para liberar a via e descer o porrete na moleira dos estudantes. Seguem-se, como, sempre as denúncias de abusos policiais e da cobertura tendenciosa da grande mídia.

 No entanto o que me causou certo espanto é o fato de ver uma amiga que reclamando porque a população muitas vezes, apesar de repudiar as ações policiais, não apoiar os protestos de estudantis e algumas vezes taxar o movimento estudantil com adjetivos bastante pejorativos. Eu poderia dizer que o culpado é alienação política da maioria da população, poderia dizer que a culpa é de certos movimentos e partidos anacrônicos que enfiaram militantes profissionais (eu conheço gente que recebe salário do partido para militar dentro da universidade) no movimento estudantil, ou poderia citar diversos outros motivos, mas a verdade é  bem mais simples que isso. E para explicar eu prefiro contar uma história pessoal.

Na época, eu ainda era estudante de graduação e estava estudando para uma prova juntamente com amigos numa das bibliotecas da universidade. Quando de repente entra um grupo com camisetas do sindicato dos funcionários da universidade e dos diretórios acadêmicos da situação na época fazendo a maior confusão: gritando que iam fechar a biblioteca, batendo tambor e apitando. Tudo com o intuito de expulsar os alunos da biblioteca e protestar. Lembro do ambiente se tornar insuportável com o barulho e os estudantes que não estavam envolvidos no protesto acabaram se retirando da biblioteca. Enquanto saíamos, alguns membros do movimento nos entregavam panfletos.

O motivo de tal protesto? Até hoje eu não sei! Recusei o panfleto que me foi entregue, alguns amigos jogaram os panfletos recebidos no lixo sem nem parar para ler. Afinal, poucas pessoas têm paciência de escutar alguém que inicia um diálogo agredindo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fim de tarde


Bem te vi Bem-te-vi


Cá estou em um fim de tarde, músculos queimando e ar me faltando nos pulmões. Cansado, exasperado com o suor escoando pelas costas e encharcando a camisa. Os pedreiros foram embora da obra mais cedo e alguém tinha que descarregar uma bela dúzia de caixas de cerâmicas. Não ia ser uma senhora de mais de 60 anos,  então sobrou para mim. Família tem dessas coisas: você cuida dos seus familiares e eles cuidam de você.

Sento-me na varanda da casa e ficou observando o jardim. Vejo um bem-te-vi enorme beliscando pitangas em um galho, alguns pássaros começam a se ajeitar sob a copa das arvores para dormir, enquanto outros ainda brincam e namoram na areia recém aterrada do jardim. Tudo isso enquanto a cor do céu muda lentamente de azul para púrpura.

Fico ali largado, como um animal cansado no chão frio da varanda, me decidindo se praguejo pelo cansaço ou se agradeço pela beleza do fim da tarde. Por hoje, eu escolho me sentir grato. Deixo para praguejar amanhã pela manhã quando a dor nas costas, que certamente virá, dificultar a minha saída da cama.

E uma chuva fininha cai, deixando a brisa fria da noite que começa ainda mais refrescante.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Estilo


Se me pedissem para explicar a razão, provavelmente não saberia explicar, mas o fato é que existem certos versos, estrofes ou mesmo parágrafos de um texto que parecem reverberar infinitamente consciência. Um palpite inicial é a identificação com aquela situação ou com a idéia descrita, mas minha hipótese favorita é que, talvez, esses trechos contenham fragmentos de pequenas verdades universais captadas pelos seus autores.

Eu sempre sinto esse fragmento de verdade universal quando eu leio ou escuto o verso de abertura do poema "Style" do Charles Bukowski. Quando ele diz  “Estilo é a resposta para tudo”,  é possível sentir verdade. E talvez seja nessa verdade que se baseio o meu argumento para a importância de ler os clássicos. Os clássicos sempre possuem estilo e ter estilo, não importa o que você esteja fazendo, sempre faz a diferença.

Um exemplo de como estilo faz diferença, é aquela cantada famigerada e medíocre: “Me joga na parede e me chama de lagartixa!” que quando comparada “A lagartixa” do Álvares de Azevedo. O mesmo animal, a mesma intenção de se aproximar da pessoa desejada, mas quanta diferença no estilo. Observem!

A lagartixa

A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.

Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.

Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores

Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.

E depois disso, quem não há de concordar que estilo é a resposta para tudo?

domingo, 1 de janeiro de 2012

Bunkers são inúteis...

bunker


Algumas vezes eu tento fugir, correr e me esconder atrás das espessas paredes de concreto ou nas cavernas mais profundas.  Busco refúgio no isolamento e na solidão,mas de nada adianta. Os idiotas sempre conseguem me alcançar.