domingo, 18 de dezembro de 2011

Interrupções


Escrevendo


Ponho o notebook na mesa da sala, do modo que costumo fazer quando não há ninguém em casa, abro um novo arquivo e fico encarando o cursor piscando na tela totalmente branca. Tomo uns goles da caneca de café fumegante e o texto começa a fluir pelas pontas dos dedos, tecla por tecla, palavra por palavra.

As palavras se sucedem e escrevo uns bons parágrafos até que toca a companhia. Levanto-me a contragosto da mesa, caminho pelo jardim, abro a porta, e vejo já dobrando a esquina um daqueles agentes de saúde contratados pela prefeitura para fazer campanha educativa contra a dengue.  Eu me pergunto qual a lógica de tocar sair correndo dessa criatura, não me lembro uma única vez dela ter tocado a campainha e ter esperado, sempre que alcanço o portão ele se encontra dobrando a esquina. A atitude, ao menos, me poupa de ter que ouvir aquela ladainha, gostaria ainda mais que me poupasse de ter que atender a porta, mas nem tudo sai do jeito que a gente quer.

Retorno para a mesa e sigo digitando, até que a campainha toca novamente. Dou um suspiro e penso “o que se há de fazer?”. Caminho em direção a porta novamente e dessa vez era o pessoal da companhia elétrica para tirar a leitura do registro. O mesmo senhor de sempre. Conversa pouco, mas sempre cordial. O tipo de pessoa que parece gostar do serviço que faz. Olhando para ele fica difícil de acreditar nos golpistas que transformaram o homem da companhia elétrica no novo papa-figo. Findada a interrupção, volto a escrever e dessa vez parece que a concentração foi para o espaço. Eu fico lá um bom tempo encarando a tela, levanto tomo uma água e folheio uma revista.

Sento mais uma vez na frente do computador para ser interrompido, novamente pela campainha. Dessa vez era uma encomenda, assino o recibo pego o pacote e me lembro de um guru de auto-ajuda que tem coragem de dizer que o universo conspira a nosso favor. O universo está pouco se lixando para cada um de nós, amigo. Ele sempre vai colocar um monte de pequenos ou grandes inconvenientes no nosso caminho e nesses momentos só temos duas opções: teimar em continuar fazendo o que se deseja fazer ou deixar jogarem as pás de terra nos nossos sonhos.

E eu volto a escrever diante da tela do computador.

7 comentários:

Antônio LaCarne disse...

inspirador o seu texto.

Claudiane disse...

teimar e continuar fazendo! Ou vc pode não ir atender a porta e continuar escrevendo.. sem concentração rs..
beijao

Leonardo Xavier disse...

Obrigado Antônio!

Claudiane, eu já tentei esse segundo procedimento mas tem dias que não dá muito certo também não.

Rachel Chagas disse...

"Ponho o notebook na mesa da sala, do modo que costumo fazer quando não há ninguém em casa..."
O máximo que faço, tendo ou não tendo alguém em casa é me jogar no sofá, com um travesseiro e cima da barriga e ele em cima do travesseiro e uma almofada de coração enorme embaixo da minha cabeça.
Quanto ao texto no geral, achei uma delícia ler, mesmo se tratando de interrupções. Cada interrupção, "mas quem será que é agora, meu Deus?"... e o melhor de todos foi o carinha da luz.
E quanto ao carinha lá da dengue, bom saber disso... por se um dia vierem bater na minha casa, eu vou filmar, que se por ventura vierem a falar na Tv que já passaram por lá um milhão de vezes (como fazem nas entrevistas) e disserem que ninguém ninguém atendeu, terei a prova de que eles é não tiveram paciência de esperar que eu me desligasse do meu notebook. PRONTOFALEI!
=)

Rachel Chagas disse...

Foi mau o texto, mas eu sei que você gosta! rs

Daniela disse...

É, eu cá não tenho tido inspiração para nada. :p

Leonardo Xavier disse...

Rachel, o problema é que minha barriga é grande aí para equilibrar o notebook fica difícl! kkkk!

Daniela, tem períodos que parece que a inspiração dá uma secada mesmo. A gente segue vivendo e vão aparecendo mais coisas coisas interessantes para escrever.