segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ralo abaixo...

Ralo abaixo


Giro a torneira do chuveiro, água quente cai sobre minha cabeça e, enquanto escorre, lava não só o corpo. Pelo ralo do chuveiro, junto com a espuma e água, vão a exaustão, os aborrecimentos e as frustrações. Sinto o alívio triste de ter deixado mais um dia cansativo para trás e não há mais preocupações me aguardando, pelo menos não até que o despertador toque amanhã.


E é o toque do despertador pela manhã que sempre me faz lembrar que tenho que voltar para a selva urbana com seus congestionamentos, trabalho e a multidão anônima, formada por infinitos rostos desconhecidos. Se tornar mais um rosto desconhecido. Mas eu não quero pensar nisso, não neste momento.


Tudo que preciso agora é uma roupa confortável e aproveitar a fração da minha vida que verdadeiramente me pertence. Jogar-me no sofá, ler um romance e depois sentar na frente do computador e escrever até que o sono me derrube. Amanhã será um novo dia... E se será pior, ou melhor, eu realmente não sei. Só sei que o tempo que me resta vai escoando rumo ao vazio.

4 comentários:

Ulisses Adirt disse...

Seu texto me lembrou essa tirinha do Laerte: http://incautosdoontem.opsblog.org/2010/04/20/sucesso-atraves-do-espelho/

(a primeira do texto... não achei o endereço da tirinha original)

Leonardo Xavier disse...

Sabe Ulisses, algumas vezes eu penso que eu só escrevo porque eu não sei desenhar cartoons. Cartunistas conseguem dizer tanta coisa com 3 desenhos e no máximo meia dúzia de sentenças.

Lais Castro disse...

Que é isso, Leonardo!Seus textos são sempre muito bons! E a foto desse aqui também está ótima.

Leonardo Xavier disse...

Laís, eu realmente acho impressionante o poder dos quadrinho e como eles podem revelar tanto de uma sociedade ou mesmo de um momento histórico. E o mais legal é que eles conseguem ser bem acessíveis!