sábado, 17 de setembro de 2011

Outra vida...

Nada é mais estranho do que voltar a um lugar ou a uma pessoa que já lhe foi tão intimo e tão estimado e perceber que você já não reconhece mais esses sentimentos dentro de si. Tudo parece tão longe e distante e chega-se a ponto de duvidar de que tudo isso aconteceu nessa vida mesmo. Desconfia-se de alguma peça que a memória esteja nos pregando.


Aparentemente, toda a tentativa de voltar ao ponto onde esses sentimentos existiam é vã, último esforço destroçado pela artificialidade. Você percebe que qualquer nova tentativa vai continuar resultando em sentimentos tão falsos quanto plantas de plástico. Então, então você percebe que tudo foi realmente em outra vida. “Não és mais o mesmo homem...” te sopra uma voz na consciência. “... e nunca o serás” ela continua.


Então eu aceito que aquele lugar ou pessoa não é a mesma pessoa que eu conheci e que talvez eu realmente não seja mais o mesmo homem que partilhou daqueles momentos. Possivelmente, tentar fingir que tudo continua igual seja a atitude mais artificial a ser adotada. O mais honesto a fazer, provavelmente, é admitir que talvez tenha realmente sido outra vida.

4 comentários:

Isadora disse...

quando a gente aceita - aceita, não entende - isso, fica mais fácil de seguir em frente.

Carlos Medeiros disse...

Ruim tb para a outra pessoa.

Rachel Chagas disse...

Já passei por isso algumas vezes... às vezes isso pode nos fazer bem depois que a gente entende...

Leonardo Xavier disse...

Algumas vezes chega a ser libertador, Rachel.