quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O céu de Swedenborg e nossos infernos pessoais.

Chegou-me através de uma palestra transcrita de um Borges que já não era mais escritor e nem tampouco leitor, em decorrência da cegueira, o conhecimento de um homem chamado Emanuel Swedenborg e de sua doutrina. E apesar de não ser um homem dado a questões espirituais, sua doutrina me chamou a atenção pela questão do livre arbítrio no post mortem. Segundo Swedenborg, as pessoas passeavam, após a morte, pelo paraíso e pelos diversos infernos até que em dado momento acabavam escolhendo onde se assentar não por um julgamento de uma divindade superior, mas por aquele local ser o local onde a pessoa se sentiria mais a vontade. As pessoas boas se sentiriam bem no céu realizando suas atividades intelectuais, enquanto as pessoas más se sentiriam melhor no inferno conspirando umas contra as outras.


Eu realmente não sei se existe um paraíso ou um inferno em outro plano espiritual, mas a idéia de Swedenborg para mim justifica muito dos nossos próprios paraísos e infernos na terra. A maior parte deles escolhidos com o nosso próprio livre arbítrio e aos quais nos atrelamos por puro comodismo, pois por mais que achemos certas situações ruins ou imperfeitas, se decidimos no manter atreladas a elas é porque de certa forma essa ainda é a situação onde nos sentimos mais comodamente assentados. Nossos paraísos e nossos infernos pessoais, ainda que o neguemos, são sempre os lugares onde nos sentimos realmente bem.

3 comentários:

R.S disse...

CARACA! Sinistramente bommmmmm. E o livro? Quero ser sua empresária.

Lais Castro disse...

Eita Leonardo, eu também li e reli o texto de Borges sobre Swedenborg, achei muito interessante!

Leonardo Xavier disse...

Então, Rafa não tem me sobrado muito tempo e se eu fosse fazer o livro eu queria que fosse algo inédito.

Laís, realmente um texto fantástico, né ? Chegasse a ler um conto chamado "O Milagre secreto" que tá no "Ficções" que ele usa aquela ideia da salvação pela obra como base para criar um enredo.