sexta-feira, 22 de julho de 2011

Da Expectativa



A expectativa, sem sombra de dúvidas, é o pior dos martírios. Nada é capaz de torturar mais o espírito humano do que um talvez. A existência de possibilidades ambíguas sempre nos faz construir castelos de cartas para cada uma delas. Um deles, construído com as cartas da angústia, é a dor antecipada da resposta negativa que pode nem vir a ocorrer, o outro é castelo construído com cartas de esperança que pode não vir a se concretizar.


Na expectativa a única certeza é a dor: aquela que antecipamos e não se cumpriu ou a que veio para derrubar o castelo das esperanças. Isso quando as duas não ocorrem ao mesmo tempo. Uma resposta negativa é sempre melhor do que a tortura da espera. O amor que não decolou sempre perturba menos o coração do que o amor que pode vir a ser.


A resposta definitiva, ainda que negativa, é sempre menos dolorosa. Diante de algo que se mostra sólido e cristalizado só existe uma resposta: a aceitação. E aceitar é sempre melhor do esperar. As dúvidas nos aprisionam fazem com que fiquemos presos pensando e repensando a respeito de um dado assunto, ficamos remoendo as angústias, tal qual um vira-lata roendo um osso velho e ressequido. Ficamos com a mente presa e estagnada, não conseguimos seguir adiante.


Já a definição liberta! Obriga-nos a seguir em frente e descobrir um novo caminho a ser trilhado. O único problema é que, infelizmente, a vida parece ter muito menos momentos de definição do que de expectativas.

sábado, 9 de julho de 2011

Complexo de Viajante

bagagem


Eu nunca conseguiria viver num emprego em que eu tivesse que viajar constantemente. E não pelo fato de eu não gostar de conhecer novos lugar e novas pessoas, essa parte da viagem eu aprecio bastante. No entanto, para mim sempre há certa ansiedade em arrumar as malas e ter certeza de que tudo que eu vou precisar levar para minha nova aventura realmente se encontra devidamente empacotado e embalado. A sensação de que estou esquecendo algo importante fica como um diabinho ao pé do ouvido sussurrando contínua e debochadamente.


A viagem propriamente dita é outro motivo de ansiedade, sempre me preocupo se irei chegar na hora, se o vôo irá atrasar e se atrasar como ficará a conexão. Outro pesadelo recorrente nas viagens solitárias é o de cochilar e não descer no aeroporto ou terminal rodoviário correto, somente acordando à algumas centenas de quilômetros de distância meu destino.


Uma vez no destino correto, se as malas foram despachadas, sempre há o pior dos pesadelos dos viajantes: ter sua mala extraviada. Sim, meu caro leitor, meu coração não sossega enquanto eu não vejo a minha querida maleta acenando para mim na esteira. Afinal de contas, não há coisa pior do que chegar num lugar cansado e esbaforido e não ter uma muda de roupa para trocar após o banho.


Só a segurança de estar devidamente acomodado no hotel é capaz de me devolver à tranqüilidade, mas só até o monte de arrumar as malas novamente. Aí recomeça a paranóia...