sábado, 23 de abril de 2011

Rótulos



Talvez umas das características mais marcantes dos seres humanos seja a capacidade de encontrar padrões nos ambientes que nos cerca. Esse fato é particularmente interessante por nos permitir, através de informações simples, deduzirmos possíveis resultados das nossas ações e pela capacidade classificar e catalogar fenômenos, criaturas e objetos. Ainda mais interessante, é o modo como simplesmente unimos todos esses através de um rótulo simplificado. Podemos, por exemplo, ver infinitos tipos de cães de diferentes variando em estatura, cor e tipo de pelo, mas ainda assim os classificamos todos sob o mesmo rótulo. Fato que, convenhamos, é de uma capacidade de sínteses fantástica.


No entanto, quais as conseqüências quando passamos a nos relacionar com as pessoas simplesmente através desses rótulos? E não estou falando nem da questão dos estereótipos que muitas vezes são maneiras de rotular as pessoas de maneiras muitas vezes pejorativas (a figura da loira burra, cdf sem vida, gaúcho gay, etc.). Eu acho que o pior de tudo é quando as pessoas deixam de ser relacionar entre si como seres humanos e passam a se relacionar através de rótulos.


Quantas vezes não colamos um rótulo de marido, esposa, pai, mãe, filho, tio ou irmão e simplesmente nos esquecemos que existe muito coisas além da superficialidade do rótulo. E é aí, camarada, deixamos de nos relacionar com um ser humano completo e com fritas e passamos a nos relacionar com o papel que estas pessoas foram escolhidas a representar nas vidas. Principalmente, por ser difícil se colocar na posição do outro quando não o vemos de maneira plena.


E como diria o Padre Vieira: “Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros”. E pode ter certeza que uma hora a pessoa percebe que não é diamante coisa nenhuma e todo aquele carinho, amor e devoção passa a ter uma superficialidade e uma artificialidade sem tamanhos. E se há algo pior do que não ser amado, é ser amado por aquilo que não se é.

14 comentários:

Rachel Chagas disse...

Oi Leonardo,

hoje estou passando por aqui pra te fazer um convite:

gostaria que desse uma olhada no meu novo blog, http://sobreantonio.blogspot.com/, onde conto coisas sobre o meu avô, que tenho como o maior exemplo na minha vida!

Espero que goste e imagino que ao ler, as pessoas irão gostar de tê-lo conhecido...

Ficarei feliz se fizer a gentileza de dar uma olhadinha que seja!

Obrigada!

M.W. (@daconito) disse...

Por certo, melhor não ser amado, do que ser amado por algo que vc não é.
Na verdade não acredito no amor. O que é o amor? Pq de todas definições que conheço, não vi ninguém que amasse de verdade.

=*

Belos e Malvados disse...

Ou ser odiado por aquilo que não se é. Sei lá.

Daniela Ramalho disse...

Não tem muito a ver com o tema do texto, mas não deixei de notar que citaste o padre antónio vieira (creio que será o mesmo), e acho curioso ver que vocês citam autores portugueses :p porque normalmente cá não valorizamos os nossos autores e fico contente de ver que são lidos fora de portas.

Leonardo Xavier disse...

Rachel, eu achei bonita a homenagem ao seu avô.

Mônica, eu vi uma definição de amor que eu realmente achei bonita outro dia desses, mas que eu não consigo me lembra onde foi. Eu acho que o autor falava que o amor não era sentimento, mas escolha.

Daniela, eu os portugueses são bastante lidos no Brasil.Principalemente o Pessoa, o Saramago, Florbela Espanca (Eu acho que "Fanatismo" virou canção na voz de Fagner, eu acho que até bem popular)e o Eça de Queiroz também. E quanto aos brasileiros? A literatura brasileira chega a alcançar o outro lado do Oceano?

Belos e Malvados disse...

Leo, pegando a deixa dos comentários, no filme A namorada do meu irmão, um dos personagens diz: "O amor não é um sentimento, mas uma habilidade". Lembrei disso agora.

Julie Way disse...

Leo, gostei muito da sua postagem e da ideia que você quis passar. Ultimamente eu ando nessa crise de achar que ninguém se respeita mais, se rotula demais, se odeia por qualquer coisa... Acho que ando de mal com a humanidade, que sente mais vontade de me envergonhar, a cada dia que passa. Acho que não falei nada com nada, mas não tô num dia bom hahaha mil perdões. Mas a postagem é ótima ainda assim!

Leonardo Xavier disse...

Anne, Eu ainda não vi esse filme. É divertido ?

Julie,tem dias que realmente a cabeça da gente fica confusa. Eu diria para você tentar ficar longe de quem te faz mal e perto de quem te faz bem. Provavelmente, o jeito que você percebe o mundo ia mudar bastante.

Belos e Malvados disse...

Achei "bonzinho". Isso anima você a assisti-lo? rsrsrs

Leonardo Xavier disse...

Anne, eu acho que não. kkk!

Renata disse...

Achei o último parágrafo brilhante! Parece um adjetivo forte, mas eu posso achar o que quiser. ;)

Leonardo Xavier disse...

Renatinha, pode não! Os elogios tem que ser feitos de maneira moderada para o autor não ficar vermelho. ;)

Daniela Ramalho disse...

O jorge Amado é leitura obrigatória no 7º ano (O gato malhado e a andorinha sinhá), mas de resto acho que não se lê muito. Eu nunca li e nunca encontro livros por cá. Lêem-se mais os autores latino-americanos como o garcia marquez e a isabel allende do que autores brasileiros. Mas a música brasileira, está bastante presente cá.

Leonardo Xavier disse...

Aqui Jorge Amado é mais conhecido por "Capitães da Areia", "Gabriela, Cravo e Canela", "Dona Flor e seus dois maridos" que são livros mais adultos. Engraçado ele ser conhecido noutro país por literatura infanto-juvenil.