segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Cidade

Cidade Noite


Embora muito se reclame que a cidade nos tira os horizontes e que mais felizes são aqueles que têm a relva verde como vista e parte do cotidiano, creio que observar a noite na selva de pedra possua igual beleza.


Se os arranha-céus nos encurtam o horizonte e nos faz perder um amplo céu estrelado, igualmente esses nos provêm com luzes que chegam através das infinitas janelas que cintilam ao longe. Por alguns instantes o pensamento voa e por trás de cada um daqueles pequenos pontos luminosos se encontra pelo menos um outro ser humano, com suas dores, amores e reflexões. Enquanto as estrelas são só estrelas, cada ponto luminoso na cidade é um novo universo de possibilidades e realidades diferentes.


As avenidas se tornam verdadeiros rios iluminados pelos faróis dos automóveis. Rios que serpenteiam e se cruzam ao longo da cidade. Pessoas caminhando pela calçada e que atravessam a cidade para trabalhar, amar, comemorar. Ou tudo isso ao mesmo tempo.


Encantam-me as pontes com suas luzes refletidas nas águas escuras do rio, os prédios históricos ainda mais belos com sua iluminação noturna e os grafites espalhados sob os viadutos ou nas paredes dos túneis. Tudo é incrivelmente belo, algumas vezes só é preciso um olhar mais atento.

Recife Cidade Noite


9 comentários:

Ricardo Chicuta. disse...

Concordo,não conseguiria ser feliz no meio do mato,sabendo que não poderia ligar para um tele pizza a hora que quisesse.
E a luzes da cidade ficam lindas quando vc.toma um LSD.(Amigo meu que falou)

Leonardo Xavier disse...

O disk pizza é realmente algo essencial. Quanto a viagem do LSD, eu dispenso. Eu acho que um olhar mais generoso já dá para resolver meu problema de achar beleza no cotidiano.

Rachel Chagas disse...

Eu nunca tinha parado pra analisar a cidade, assim, desse ponto de vista.

Realmente me parewce tão perfeita quanto a natureza propriamente dita.

Leonardo Xavier disse...

Rachel, eu tenho a impressão de que a correria faz a gente perder essa generosidade no modo como observamos o mundo.

Belos e Malvados disse...

Sabe o que este post me lembrou? Quando eu era pequena e ia passar férias no Recife com minha familia, geralmente em dezembro. A gente chegava à noite e ficava todo mundo embabascado com a decoração do Natal, o Capibaribe cheio de luzes, as fachadas coloridas das lojas...
Até hoje adoro chegar de viagem à noite, avistar os pontos de luz ao longe. Seja onde for, me sinto em casa (desculpa o sentimentalismo todo, sou canceriana).

Leonardo Xavier disse...

Anne, eu tenho uma tia que fazia a mesma coisa comigo quando eu era pequeno. Quando eu vinha da Bahia para Recife, eu morei em Salvador durante a infância.

Eu acho que esse último ano eu cheguei a fazer isso com outra tia que eu tenho que tinha vindo do Rio de Janeiro. ^^

Lais Castro disse...

Puxa Leonardo, adorei essa publicação... linda e poética, sem falar na imagem da rua da Aurora, que está demais! Cabra bom de escrita você!^-^

M.W. (@daconito) disse...

Ainnn q saudades daqui... perdi muita coisa?
Eu gostaria de ter chance de variar, uns dias na cidade(com internet, peloamor né?) e um ou outro no meio do mato, andando a cavalo... =/

Leonardo Xavier disse...

Laís, gostei das fotos lá dos tapetinhos cor de rosa.

Mônica, eu também senti falta dos seus comentários por aqui. E eu acho que você tem razão quanto as questões internéticas, civilização é só até onde tem internet banda larga. kkkk!