sábado, 23 de abril de 2011

Rótulos



Talvez umas das características mais marcantes dos seres humanos seja a capacidade de encontrar padrões nos ambientes que nos cerca. Esse fato é particularmente interessante por nos permitir, através de informações simples, deduzirmos possíveis resultados das nossas ações e pela capacidade classificar e catalogar fenômenos, criaturas e objetos. Ainda mais interessante, é o modo como simplesmente unimos todos esses através de um rótulo simplificado. Podemos, por exemplo, ver infinitos tipos de cães de diferentes variando em estatura, cor e tipo de pelo, mas ainda assim os classificamos todos sob o mesmo rótulo. Fato que, convenhamos, é de uma capacidade de sínteses fantástica.


No entanto, quais as conseqüências quando passamos a nos relacionar com as pessoas simplesmente através desses rótulos? E não estou falando nem da questão dos estereótipos que muitas vezes são maneiras de rotular as pessoas de maneiras muitas vezes pejorativas (a figura da loira burra, cdf sem vida, gaúcho gay, etc.). Eu acho que o pior de tudo é quando as pessoas deixam de ser relacionar entre si como seres humanos e passam a se relacionar através de rótulos.


Quantas vezes não colamos um rótulo de marido, esposa, pai, mãe, filho, tio ou irmão e simplesmente nos esquecemos que existe muito coisas além da superficialidade do rótulo. E é aí, camarada, deixamos de nos relacionar com um ser humano completo e com fritas e passamos a nos relacionar com o papel que estas pessoas foram escolhidas a representar nas vidas. Principalmente, por ser difícil se colocar na posição do outro quando não o vemos de maneira plena.


E como diria o Padre Vieira: “Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros”. E pode ter certeza que uma hora a pessoa percebe que não é diamante coisa nenhuma e todo aquele carinho, amor e devoção passa a ter uma superficialidade e uma artificialidade sem tamanhos. E se há algo pior do que não ser amado, é ser amado por aquilo que não se é.

domingo, 17 de abril de 2011

Um dia de chuva



São oito horas da manhã e eu escuto a chuva cair lá fora juntamente com o ruído dos carros passando pela avenida e espirrando água. Eu permaneço na cama apesar o despertador continuar tocando de dez em dez minutos desde as sete horas da manhã. Penso que eu devia ter desligado o despertador ou levantado de vez da cama. Sento-me a beira da cama e uma dor meio irritante nas costas me faz pense que eu já devia ter criado vergonha na cara e comprado um colchão novo, mas sempre deixo para próxima semana.


O vento sopra e chuva bate mais forte na janela, e já não posso mais ouvir o barulho dos carros passando na rua e, apesar de estar de costas para janela, dá para perceber que teremos um dilúvio na cidade. Se não fosse domingo provavelmente, os âncoras do noticiário iriam comentar e mostrar imagens das principais avenidas alagadas.


Levanto, preparo um café e penso: “Que se dane o mundo debaixo d’água! Eu não tenho que sair de casa hoje mesmo”. Sento no sofá e releio uma revista velha.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sucesso através dos erros

Eu tenho lido este livro nos últimos dias, que por sinal é o segundo livro desse autor que eu leio (o primeiro foi este outro). E apesar do livro ser mais um livro de divulgação técnica. Pensei em o quanto essa idéia de aprender com as nossas falhas pode ser válida para diversos outros aspectos na nossa vida.


Quantas vezes não ficamos estagnados, repetindo uma determinada postura e por simples comodismo repetimos diversas vezes o mesmo erro. Insistimos em relacionamentos que não atingem a nossa expectativa, mantemos certas amizades que deixaram de nos fazer bem na virada do milênio e insistimos em trabalhar em empregos que não nos trazem realização profissional.


Chega a ser impressionante o modo como nos apegamos fortemente a certos status e certos hábitos que não são o caminho da felicidade. E sem percebermos parece que criamos certo apego a infelicidade e entre todas possíveis ações que poderíamos escolher: preferimos a comodidade dos nossos erros à tentativa de fazer algo diferente.


Talvez fosse bem melhor terminar de vez com o relacionamento capenga, parar de andar com aquele amigo mala e procurar um emprego novo que nos traga mais paz alegria ao coração. E se ainda continuarmos insatisfeitos, porque não mudar de novo?


-Um dos casos de estudo do livro.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Cidade

Cidade Noite


Embora muito se reclame que a cidade nos tira os horizontes e que mais felizes são aqueles que têm a relva verde como vista e parte do cotidiano, creio que observar a noite na selva de pedra possua igual beleza.


Se os arranha-céus nos encurtam o horizonte e nos faz perder um amplo céu estrelado, igualmente esses nos provêm com luzes que chegam através das infinitas janelas que cintilam ao longe. Por alguns instantes o pensamento voa e por trás de cada um daqueles pequenos pontos luminosos se encontra pelo menos um outro ser humano, com suas dores, amores e reflexões. Enquanto as estrelas são só estrelas, cada ponto luminoso na cidade é um novo universo de possibilidades e realidades diferentes.


As avenidas se tornam verdadeiros rios iluminados pelos faróis dos automóveis. Rios que serpenteiam e se cruzam ao longo da cidade. Pessoas caminhando pela calçada e que atravessam a cidade para trabalhar, amar, comemorar. Ou tudo isso ao mesmo tempo.


Encantam-me as pontes com suas luzes refletidas nas águas escuras do rio, os prédios históricos ainda mais belos com sua iluminação noturna e os grafites espalhados sob os viadutos ou nas paredes dos túneis. Tudo é incrivelmente belo, algumas vezes só é preciso um olhar mais atento.

Recife Cidade Noite