domingo, 27 de março de 2011

A barba

Billy Gibbons Barba
- Hay gillete, soy contra! ( Trilha Sonora para o post )

O ato de fazer a barba pela primeira vez é um daqueles atos que costumam indicar a um jovem o peso da idade chegando e uma das transições para idade adulta. Então alguns passam a adotar a barba, outros ficam com o meio termo dos bigodes, barbichas e cavanhaques e por existem aqueles que resolvem adotar a cara lisa. Igualmente plural é o ponto de vista feminino, há aquelas que querem um companheiro de revolução para chamar de seu enquanto outras preferem uma carinha de bebê.


Um fato que poucos possuem consciência é que aqueles que optam pelo visual barbado, tem que enfrentar diversos inimigos como os malditos imperialistas Yankees fabricantes de loção pós barba, fabricantes de lâminas de barbear, etc. No entanto, o maior deles é a figura materna.


Sim, caro leitor! Basta aparecer na frente de sua digníssima genitora para que ocorra uma revista das tropas. Ah, as mães! Elas conseguem perceber tudo: se você emagreceu ou engordou, se está se alimentando direito ou mesmo se você tem feito exercícios. Nada escapa aos olhos atentos de uma mãe atenciosa e uma vez que a sua barba tenha sido detectada a ofensiva começa.


Como todas as ofensivas, o ataque materno se dá em etapas. Inicialmente na forma de perguntas: “Você esqueceu de fazer a barba?”. Passando num segundo estágio ao apelo emocional: “Mas você fica tão bonitinho de barba feita!”. Passando por fim a crítica direta ao seu visual inspirado no Hagar, O Terrível: ”É tão feia essa barba! Dá um aspecto de sujo”.


E todo mundo como já sabe poucas são as criaturas capazes de resistir aos apelos maternos e sua característica perseverança e la revolucion perde mais um membro.

domingo, 20 de março de 2011

Esquecimento...

ruínas

Tudo tende ao pó, ao vazio e ao esquecimento, tal qual o som de um grito que é lentamente dissipado até que sua metamorfose em silêncio esteja completa.


Apagam-se com o tempo as imagens fotográficas e os caracteres impressos no papel. Isto quando o próprio papel não volta ao pó, sucedido pelo vazio deixado por aquilo que se foi e que não mais voltará.


Bits e bytes serão corrompidos em hard drives que cessarão de funcionar e com eles serão arrastados para o limbo caracteres, imagens e sons. Todos tentativas vãs prolongar as nossas existências. Ainda que esses dados sobrevivam, provavelmente se perderão na biblioteca infinita que não possuí tomos, prateleiras e muito menos corredores.


Assim todos nós definharemos, até que voltemos ao pó, deixando para trás o vazio e, por fim, nos uniremos ao esquecimento. Finalmente estaremos todos juntos e seremos únicos nesta massa amorfa que é o nada. Nenhum dos nossos pequenos grandes feitos será lembrado, nem tampouco nossos mesquinhos pecados.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Pelo Fim do Dia das Mulheres

Mulheres Feminismo Ativismo


O recém ocorrido feriado do Dia das Mulheres (na verdade um puxão de orelha da Mônica me lembrando da data) me fez pensar que esse é um dos feriados que eu gostaria que não existisse. Assim como gostaria que não existissem também o dia do orgulho gay e o dia da consciência negra. E antes que me atirem as pedras, não tem nada de pré-conceituoso no meu texto.


Na verdade, a minha esperança é que um dia todos esses pré-conceitos de gênero, cor e orientação sexual se tornem algo tão raro (o ideal seria inexistente, mas sempre existirão idiotas no mundo) e sem sentido. Quando esse dia chegar, a igualdade entre pessoas de cores, gêneros e orientações sexuais distintas se tornará algo tão banal que não haverá motivos para ir às ruas em certas datas para lembrar a sociedade o quanto estes grupos conquistaram e quanto eles ainda necessitam lutar para que esta igualdade seja estabelecida.


Enquanto isso eu fico aqui aguardando ansiosamente a extinção do Dia das Mulheres.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Metamorfose

Metamorfose

Franz Kafka no seu livro a metamorfose narra a história de Gregor, um caixeiro viajante que acorda na pele, ou melhor dizendo na carapaça, de um besouro gigante. Após a transformação Gregor passa a sentir a repulsa da família pela sua nova forma e aos poucos vai se sentindo cada vez mais rejeita e diminuído enquanto sofre um processo definhamento.


No Brasil, há uma metamorfose que acontece na realidade semelhante a que ocorre na ficção fantástica de Kafka. Ricardo Neis acorda e entra em sua carapuça de aço com uma pintura reluzente e, atrás dessas carapuças, conduz nas nossas vias públicas. Porém, ao contrário de Gregor no livro do Kafka, o nosso personagem passa a se sentir cada vez mais especial atrás de sua nova carapaça inorgânica e, aos poucos, se torna uma criatura desumana com um ego gigante. Atingindo o ápice de se achar maior que a lei e crendo veementemente que o seu direito de passear pelas vias públicas atrás do volante está acima do direito à vida daqueles que não possuem uma carapaça metálica para se proteger.


Todos os dias vários Ricardos Neis saem às ruas, alguns se acham melhores que os pedestres e os ameaçam enquanto esses tentam atravessar a rua tranquilamente nas faixas de pedestres, enquanto outros se acham tão superiores após completarem suas metamorfoses em criaturas megalomaníacas que pensam que tem o direito de dirigir alcoolizado, afinal o que é uma vida ou duas em relação ao direito deles de tomar umas a mais e sair dirigindo.


No livro do Kafka, a metamorfose resulta na morte do Gregor, como final para o processo de definhamento da auto-estima do personagem. Em terras tupiniquins, nosso personagem completa a sua metamorfose se tornando uma criatura tão egocêntrica e desumana a ponto de passar por cima de algumas dezenas de ciclistas. A metamorfose na Terra Brasilis resulta na criação e multiplicação de assassinos no trânsito nutridos diariamente pelo egocentrismo e certeza de impunidade.

Massa Crítica

-Resultado da metamorfose!