quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Para quem ou para que você escreve?

Um texto antigo lá do Ricardo Chicuta e uma crise lá no Caminhante diurno me impuseram a seguinte questão: para quem se escreve ou porque você?


A verdade é que o questionamento me perseguiu durante alguns dias e eu chego à conclusão de que em geral as pessoas escrevem para si ou para os outros. Creio que no primeiro caso provavelmente, o texto vem mais de uma vontade de se expressar ou de criar um registro do que foi expresso para si. Nesses casos, uma vez escrito o texto, provavelmente o autor voltará a contemplá-lo em algum momento e, talvez para alguns autores, nem faça sentido para o autor publicá-lo, ele simplesmente coleciona os textos como um colecionador qualquer.


Existem, também, aqueles que escrevem para os outros. Nesses casos o foco está em tocar os leitores, mas não necessariamente implica numa relação de subserviência do escritor em relação ao seu público. Ao contrário do que se possa pensar esse tipo de escritor não é necessariamente um bajulador da platéia, ele pode optar por provocar sua audiência e fazê-la repensar suas atitudes.


No entanto, ao escrever esse texto me veio a idéia de que talvez exista um terceiro grupo, aqueles que escrevem para se conectar as pessoas. O foco nesse caso é em estabelecer um canal de duas vias onde o autor se expressa e também permite que o leitor interaja. O texto acaba virando uma mera ferramenta para produzir diálogos. Os textos são lançados sempre esperando que alguém responda, critique, complemente. E o texto deixa de ser uma obra de um indivíduo e passa a ser uma obra coletiva. E sobre essa conexão entre as pessoas é bem ilustrada pela palestra abaixo.


E eu acho que é um pouco de cada um desses fatores que me faz escrever.

16 comentários:

Ricardo Chicuta. disse...

Não sei se você passa por isso,mas a maioria dos textos que escrevo eram para ser outros textos.Explico:
Antes de começar a escrever tenho o post quase pronto na cabeça,meus textos nascem no banho,ou no trabalho,sempre quando não posso passá-los imediatamente para o papel.
Quando finalmente sento no computador para escrevê-los o texto adquire vontade própria e foge,as vezes um pouco,as vezes completamente,daquilo que eu tinha pensado anteriormente.
Ou seja,meus textos me sacaneiam bonito.

Leonardo Xavier disse...

Chicuta, realmente existem alguns que são formados assim. Outros já saem fiéis a idéia originais. E tem uns que são piores ainda que são tipo idéias que eu rascunhei alguma coisa separadamente, mas que não forma para frente, e em um dado momento eu senti que dava para ligá-las e o texto vem redondo.

Paula disse...

Oi Léo! Tudo bom?
Então, estou só visitando agora...hahaha...cansei de tentar escrever pra mim e fazer com que os outros entendessem...complicado, viu? Quem sabe, um dia eu volte, mas agora...tô fora!

Como andam as coisas?
Bjokas,
Paula

Leonardo Xavier disse...

Eu continuo teimosamente blogando por aqui. Essas semanas tenho andado com menos tempo, mas o importante é não parar.

^^

Anselmo disse...

Perfect!
Sou do terceiro grupo ;D

Daniela Ramalho disse...

escrever e ter respostas de outras pessoas, acho que se torna um vício :) mas acho mesmo curioso e enriquecedor ter pessoas de outros países que também lêem e comentam o que se vai escrevendo. Aprende-se imenso com isto.

Cℓαudïαnє ou Ane de Tal disse...

Gostei muito do texto,e da palestra,escrever pra mim sempre fez parte do meu dia-dia,antes era em tom de "eu",mais aos poucos tem se tornardo parte desse 3 grupo que você cita no texto,um canal de duas vias,é maravilhoso o retorno do que você escreve.Se torna viciante!

Abraço

Leonardo Xavier disse...

Anselmo, que legal que você se identificou. =)

Daniela, eu gosto de ir lá no teu blog e ver o quanto certas coisas são tão semelhantes e outras tão distintas entre dois países que falam a mesma língua de forma diferente.

Claudiane, eu acho que é essa idéia. Eu imagino qual devia ser a dificuldade para aqueles que escreviam anteriormente a divulgação da internet de ter retorno quanto aos seus textos ou de não ter a oportunidade de escutar a voz daqueles que te lêem.

Belos e Malvados disse...

Acho que a gente escreve para se sentir inserindo em algum contexto. Explico. Nem sempre dá para conversar no dia a dia as coisas que estão lá no blog. É prá gente e para os outros também.

Leonardo Xavier disse...

Anne, eu não tinha parado para pensar por esse ponto de vista, mas eu admito que é um perspectiva interessante.

M.W. (@daconito) disse...

Escrevo pra mim, mas tenho esperança de que faça alguém refletir sobre algo, e com muita sorte crie um argumento o q me leva pensar ainda mais sobre determinado assunto.

Acho q escrevo pra dividir. Meio termo nesse cao existe?

=***

Leonardo Xavier disse...

Lógico que existe, Mônica! =)

Raquel disse...

Escrevo porque não tenho dinheiro para montar uma pista de kart, me disse um amigo.

Leonardo Xavier disse...

Raquel, eu juro que gostaria de conhecer esse sujeito. kkkk!

Marina disse...

Li um livro, uma vez, em que a autora dizia que é bom ter bem nítido na cabeça para quem se escreve. Porque você direciona o texto. Achei interessante, muita gente não pensa nisso.

Leonardo Xavier disse...

Essa questão do público é outra coisas que eu estava analisando outro dia desses. Eu acho que o pessoal que frequenta o Discordando do Mundo é bem bacana e até agora não tem aparecido aqueles trolls que saem te xingando do nada. Na verdade até hoje só apareceu um comentário desses que eu simplesmente excluí.

Eu também acho interessante o público ser predominantemente feminino, eu achava no começo do blog que fosse ser mais distribuído.