sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Lista de Resoluções para 2012

Seguindo a idéia da @Daconito, segue a lista de resoluções para 2012:


  • Não fazer uma lista de resoluções para 2013


Fogos de artifício

domingo, 18 de dezembro de 2011

Interrupções


Escrevendo


Ponho o notebook na mesa da sala, do modo que costumo fazer quando não há ninguém em casa, abro um novo arquivo e fico encarando o cursor piscando na tela totalmente branca. Tomo uns goles da caneca de café fumegante e o texto começa a fluir pelas pontas dos dedos, tecla por tecla, palavra por palavra.

As palavras se sucedem e escrevo uns bons parágrafos até que toca a companhia. Levanto-me a contragosto da mesa, caminho pelo jardim, abro a porta, e vejo já dobrando a esquina um daqueles agentes de saúde contratados pela prefeitura para fazer campanha educativa contra a dengue.  Eu me pergunto qual a lógica de tocar sair correndo dessa criatura, não me lembro uma única vez dela ter tocado a campainha e ter esperado, sempre que alcanço o portão ele se encontra dobrando a esquina. A atitude, ao menos, me poupa de ter que ouvir aquela ladainha, gostaria ainda mais que me poupasse de ter que atender a porta, mas nem tudo sai do jeito que a gente quer.

Retorno para a mesa e sigo digitando, até que a campainha toca novamente. Dou um suspiro e penso “o que se há de fazer?”. Caminho em direção a porta novamente e dessa vez era o pessoal da companhia elétrica para tirar a leitura do registro. O mesmo senhor de sempre. Conversa pouco, mas sempre cordial. O tipo de pessoa que parece gostar do serviço que faz. Olhando para ele fica difícil de acreditar nos golpistas que transformaram o homem da companhia elétrica no novo papa-figo. Findada a interrupção, volto a escrever e dessa vez parece que a concentração foi para o espaço. Eu fico lá um bom tempo encarando a tela, levanto tomo uma água e folheio uma revista.

Sento mais uma vez na frente do computador para ser interrompido, novamente pela campainha. Dessa vez era uma encomenda, assino o recibo pego o pacote e me lembro de um guru de auto-ajuda que tem coragem de dizer que o universo conspira a nosso favor. O universo está pouco se lixando para cada um de nós, amigo. Ele sempre vai colocar um monte de pequenos ou grandes inconvenientes no nosso caminho e nesses momentos só temos duas opções: teimar em continuar fazendo o que se deseja fazer ou deixar jogarem as pás de terra nos nossos sonhos.

E eu volto a escrever diante da tela do computador.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Beagles e o medo da liberdade


Todo mundo já deve ter visto o vídeo acima onde beagles, que tinham sido utilizados como cobaias durante toda a sua vida, finalmente têm uma chance de provar a liberdade. E aí se segue a clássica cena dos animais com a gaiola aberta hesitando por alguns momentos sem conseguir entender que estão livres e que eles podem sair daquela gaiola e experimentar outro ambiente.


Sempre que me deparo com esse tipo de cena eu me pergunto se a humanidade não age do mesmo durante boa parte do tempo? Eu pelo menos acredito que sim, pois por mais que algumas vezes estejamos aprisionados numa determinada situação sempre tem uma porta aberta para que saiamos dela. O problema, a maioria das vezes, não reside no fato de enxergar ou não essa saída, mas no medo de utilizá-las.Tudo por não sabermos o que fazer com a nossa liberdade.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Drama Queen

Um episódio recente na minha vida familiar me fez perceber que não há membro de Academia Brasileira de Letras ou mesmo ganhador de Nobel de Literatura que consiga superar as mães com suas capacidades imaginativas para os dramas e as tragédias no ramo das ficções.


Basta uma meia hora qualquer de atraso para que surja um suspense “de matar o Hitchcock”, passos pela sala, perguntas insistentes a respeito do horário cuja freqüência se amplia com o aumento do atraso. E ansiedade e o suspense crescem até que são arrematados com a possível tragédia: “Será que aconteceu alguma coisa?”


A pergunta anterior é sempre sucedida por uma tentativa de contato via telefone e se este falha, de bate-pronto já vem um suspiro, quase um choro, acompanhado de uma voz embargada: ”Ai meus deus! Meu filho!”


Nesse momento, já se passa na cabeça materna todos os possíveis incidentes: assalto, acidente de carro, assassinato, ataque zumbi e por até abdução por alienígenas. Tudo isso enquanto elas alegam seus supostos instintos premonitórios que as mães sempre alegam ter: “Eu estou sentindo uma sensação esquisita, um aperto no peito”.


Até que o filho adentra em casa totalmente incólume ao drama que vinha acontecendo e escuta aquela preleção sem entender o porquê de tanto drama...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Recife, Boatos e Finados


Toda cidade tem as suas próprias características e talvez uma das características mais fortes do recifense é a sua mania de grandeza. Dentre os diversos super títulos que a cidade possui, talvez o mais merecido seja o de cidade mais boateira do mundo. A cidade possui até a sua própria edição da Guerra dos Mundos, conhecida como o Estouro da Barragem de Tapacurá, que por sinal teve até um remake pouco tempo atrás.


O último Dia de Finados me fez relembrar um boato protagonizado pelos ex-alunos do colégio onde eu concluí o Ensino Médio, que sendo situado na cidade acima descrita não deveria deixar de ter uma bela central de boatos. Não me lembro exatamente o porquê, mas havia um dado conhecido do colégio que havia sumido e pouco havia tido notícias do sujeito durante os meus primeiros anos fora do colégio. Até que, sabe-se lá por que razões ainda mais obscuras, surge um boato de que o determinado fulano havia falecido em um acidente de carro. E impressionantemente sempre que se mencionava o sujeito, mais relatos sobre o falecimento do dito cujo chegavam aos meus ouvidos, todos narrando as mesmas circunstâncias.


Até que por fim, me chegou aos ouvidos a história de que um dos nossos colegas de turma, havia encontrado o suposto finado numa festa. Então, sob efeito do álcool ou questionando possíveis dons mediúnicos manda na lata para, o até então, falecido:


-Oxe, tu não tinha morrido ?!!?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Das Incertezas

Incertezas Heisenberg
- Não era bem esse tipo de incerteza que eu tinha em mente...

Por mais que nos esforcemos, uma coisa que nunca alcançaremos por completo é a compreensão a respeito do que se passa na cabeça das pessoas que nos cercam ou que sentimentos habitam os seus corações.


Apesar de todos os anseios na despendidos na busca de entender o outro ou da certeza relação aos sentimentos nutridos pela nossa pessoa, talvez sejam justamente essas dúvidas que nos fazem relacionar com o outro e que nos permitem levar adiante a convivência. Abrir mão dessas duas incertezas é abrir mão de ter curiosidade pelo outro ou de buscar cativá-lo.


Arriscaria dizer que a ausência, ou a pretensa ausência dessas incertezas que dá margem ao surgimento da maior parte dos nossos problemas ao se relacionar. Querer adivinhar o que se passa na cabeça do outro ou esperar que o outro adivinhe o que se passa na nossa cabeça em vez de procurar ter uma conversa sincera talvez seja a maior causa de falhas na comunicação. Afinal, ninguém consegue receber uma mensagem que nunca foi enviada.


Ainda mais nociva é certeza absoluta de sermos amados é um convite a deixarmos de conquistar e de se dedicar cativar o outro. Fato que quase sempre resulta num passe livre para a criança mimada que existe dentro de cada um de nós. Quem nunca viu uma relação morrer pelo comportamento quase mimado de alguém que nos tinha como totalmente cativado? Quem nunca viu uma amizade definhar por falta da devida atenção?


É justamente a incerteza a respeito do que se passa na cabeça das pessoas que nos dá curiosidade a respeito do universo do outro, e não será justo essa curiosidade que nos faz buscar contato? Enquanto a incerteza a respeito do que o outro sente por nós é o que faz com que essa conexão seja mantida, no momento que nos obrigar a inspirar neles um sentimento um sentimento positivo.

domingo, 16 de outubro de 2011

Ideologias...



Ideologia para mim é uma daquelas coisas importantes mais inúteis que já foi inventado na face da terra. Não que eu não ache as idéias importantes, elas possuem sim um valor enorme e são o pontapé inicial para tudo. Se você não tem pelo menos uma idéia como um ponto de partida ou objetivo, provavelmente todas as suas ações serão aleatórias e ineficazes


No entanto, ter uma idéia ou acreditar em uma ideologia não é nada se você não agir em prol dessa idéia. E talvez seja o fato de ver tantos discursos inconsistentes com a prática que me fazem acreditar muitas vezes na inutilidade das ideologias. Porque toda ideologia é inútil se ela não é a força motriz e a força diretora das nossas ações. Como você se sente a respeito de um dado assunto ou como você acredita em uma determinada idéia são coisas que efetivamente não importam. O que realmente tem um significado é como essas idéias ou sentimentos te fazem agir.


Talvez a ideologia sem prática seja uma das coisas mais inúteis na face da terra. É a verdadeira propaganda enganosa em prol nossa auto-ilusão de sermos seres humanos um pouco melhores do que realmente somos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Da dor

dor pain

Por mais que tentemos evitá-la, ela sempre nos alcança.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ralo abaixo...

Ralo abaixo


Giro a torneira do chuveiro, água quente cai sobre minha cabeça e, enquanto escorre, lava não só o corpo. Pelo ralo do chuveiro, junto com a espuma e água, vão a exaustão, os aborrecimentos e as frustrações. Sinto o alívio triste de ter deixado mais um dia cansativo para trás e não há mais preocupações me aguardando, pelo menos não até que o despertador toque amanhã.


E é o toque do despertador pela manhã que sempre me faz lembrar que tenho que voltar para a selva urbana com seus congestionamentos, trabalho e a multidão anônima, formada por infinitos rostos desconhecidos. Se tornar mais um rosto desconhecido. Mas eu não quero pensar nisso, não neste momento.


Tudo que preciso agora é uma roupa confortável e aproveitar a fração da minha vida que verdadeiramente me pertence. Jogar-me no sofá, ler um romance e depois sentar na frente do computador e escrever até que o sono me derrube. Amanhã será um novo dia... E se será pior, ou melhor, eu realmente não sei. Só sei que o tempo que me resta vai escoando rumo ao vazio.

sábado, 17 de setembro de 2011

Outra vida...

Nada é mais estranho do que voltar a um lugar ou a uma pessoa que já lhe foi tão intimo e tão estimado e perceber que você já não reconhece mais esses sentimentos dentro de si. Tudo parece tão longe e distante e chega-se a ponto de duvidar de que tudo isso aconteceu nessa vida mesmo. Desconfia-se de alguma peça que a memória esteja nos pregando.


Aparentemente, toda a tentativa de voltar ao ponto onde esses sentimentos existiam é vã, último esforço destroçado pela artificialidade. Você percebe que qualquer nova tentativa vai continuar resultando em sentimentos tão falsos quanto plantas de plástico. Então, então você percebe que tudo foi realmente em outra vida. “Não és mais o mesmo homem...” te sopra uma voz na consciência. “... e nunca o serás” ela continua.


Então eu aceito que aquele lugar ou pessoa não é a mesma pessoa que eu conheci e que talvez eu realmente não seja mais o mesmo homem que partilhou daqueles momentos. Possivelmente, tentar fingir que tudo continua igual seja a atitude mais artificial a ser adotada. O mais honesto a fazer, provavelmente, é admitir que talvez tenha realmente sido outra vida.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O céu de Swedenborg e nossos infernos pessoais.

Chegou-me através de uma palestra transcrita de um Borges que já não era mais escritor e nem tampouco leitor, em decorrência da cegueira, o conhecimento de um homem chamado Emanuel Swedenborg e de sua doutrina. E apesar de não ser um homem dado a questões espirituais, sua doutrina me chamou a atenção pela questão do livre arbítrio no post mortem. Segundo Swedenborg, as pessoas passeavam, após a morte, pelo paraíso e pelos diversos infernos até que em dado momento acabavam escolhendo onde se assentar não por um julgamento de uma divindade superior, mas por aquele local ser o local onde a pessoa se sentiria mais a vontade. As pessoas boas se sentiriam bem no céu realizando suas atividades intelectuais, enquanto as pessoas más se sentiriam melhor no inferno conspirando umas contra as outras.


Eu realmente não sei se existe um paraíso ou um inferno em outro plano espiritual, mas a idéia de Swedenborg para mim justifica muito dos nossos próprios paraísos e infernos na terra. A maior parte deles escolhidos com o nosso próprio livre arbítrio e aos quais nos atrelamos por puro comodismo, pois por mais que achemos certas situações ruins ou imperfeitas, se decidimos no manter atreladas a elas é porque de certa forma essa ainda é a situação onde nos sentimos mais comodamente assentados. Nossos paraísos e nossos infernos pessoais, ainda que o neguemos, são sempre os lugares onde nos sentimos realmente bem.

sábado, 20 de agosto de 2011

Pequenos Deuses


Talvez a essência das divindades sempre tenha sido a capacidade de sintetizar, o que me faz pensar que todo homem que constrói, cria e transforma alguma sempre é um pequeno deus. Pequenos criadores de microcosmos diferentes através da música, da poesia ou tecnologia. Pequenos microcosmos, que algumas vezes conseguem mudar o mundo.


O Borges escrevendo “Os Fragmentos de um Evangelho Apócrifo”, Clapton tocando “Tales of Brave Ulysses”, Miles Davis soprando o trompete, o Bukowski batendo na máquina madrugada adentro “O amor é um cão dos diabos”, Buckminster Fuller tentando transformar o mundo com suas invenções e Fernando Pessoa sendo tantos homens quantos fossem necessários para expressar a sua poesia, Todos eles deuses.


Deuses que amam, choram, sofrem e que se alegram. Ídolos de plástico vagabundo com detalhes metálicos descascando que se decompõem com o tempo, assim são esses deuses que envelhecem, adoecem e morrem em camas de hospital. Deuses fadados a imortalidade, não por si mesmos, mas pelas suas obras.



domingo, 7 de agosto de 2011

Escala de Cinza

Branco e Preto Dualismo
-Ilusão é achar que a vida é assim!

Se há algo que eu acho interessante ao assistir teledramaturgia é que por mais que os aparelhos de televisão terem adquirido cores e alta definição. As tramas ainda continuam em preto e branco na forma como os antagonistas são apresentados. O vilão é sempre antiético e mau-caráter em todos os campos da sua vida. Ele consegue ser um profissional de princípios duvidosos, um mal conjugue e um familiar problemático, tudo a um só tempo. Enquanto o herói da trama é sempre o oposto completo, a personificação da virtude.


Nesse modelo temos sempre uma polarização completa. Positivo contra negativo. Preto versus branco. Luz indo de encontro às trevas. Um conflito entre forças opostas, onde cada um dos lados tem seus limites muito bem delineados e as fronteiras entre eles são intransponíveis.


Na vida real, tanto heróis quanto vilões são capazes de transpor essa linha divisória, o meridiano de Greenwich da moral e bons costumes. Nem sempre uma pessoa que é um profissional pouco honesto é necessariamente uma má pessoa ou vice-versa. Algumas pessoas podem ser maus consortes, mas bons pais. Outras são amigos bons e leais, mas verdadeiros canalhas quando se trata de relacionamento amoroso. Resumidamente, na vida real é muito mais complicado catar as pedrinhas do feijão.


No entanto, parece existir uma cultura de interpretar a realidade nesse molde dramático. Dividindo-se a realidade em dois pólos distintos. Escolhe-se um deles para ser positivo o outro como sendo e assim rotulamos o mundo entre inimigos e aliados. O que nunca vai funcionar, porque as pessoas estão sempre cruzando as margens que separam cada uma dessas posturas. Seja lá ela qual for: política, artística, emocional. Não existe socialista que não tenha lá seus pequenos impulsos consumistas ou liberal que não reconheça a importância da justiça social para manutenção das estruturas sociais. As pessoas se alternam entre comportamentos generosos e mesquinhos.


Na vida, o caráter das pessoas é muito mais complexo. As fronteiras entre trevas e luz são muito mais difusas e, muitas vezes, difíceis de distinguir. Na ficção tudo pode até ser preto no branco, mas a vida real é no mínimo em escala de cinza.


Escala de Cinza

- A vida com certeza é bem mais complexa...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Divagações em um Quarto de Hotel

Cá estou, sozinho num quarto de hotel. Havia um colega de quarto e da aventura até um dia antes. Ele se mandou de volta para casa, eu decidi ficar mais um dia para dar um volta e conhecer melhor a cidade, o que os compromissos que me trouxeram até aqui vinham impedindo de concretizar. No entanto, a chuva veio e me fez prisioneiro do quarto de hotel e do tédio. Nada mais que uma conexão de internet meia boca, uma revista já lida e um livro do Bukowski para matar o tempo antes que esse me mate.


Através das paredes do quarto chegam aos meus ouvidos as brigas familiares do quarto vizinho. Aparentemente, a adolescente não concorda com a próxima parada da viagem familiar: preferia a praia a visitar os avôs. Sempre preferi o contrário, nunca consegui entender muito bem o conceito de ficar tomando sol feito lagartixa ser algo divertido. O sol me deixa vermelho e com os ombros extremamente ardidos, enquanto o sal deixa meus olhos irritados, e há gente que diga que isso é relaxante.


Assim que a confusão cessa no quarto ao lado, eu consigo escutar passos pesados no teto, aparentemente, indo em direção ao banheiro. O barulho da descarga e da água escoando pelos canos confirma a minha hipótese e me faz vir à cabeça a seguinte constatação: Não importa onde estejamos, sempre haverá alguém acima de nós fazendo sujeira.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Da Expectativa



A expectativa, sem sombra de dúvidas, é o pior dos martírios. Nada é capaz de torturar mais o espírito humano do que um talvez. A existência de possibilidades ambíguas sempre nos faz construir castelos de cartas para cada uma delas. Um deles, construído com as cartas da angústia, é a dor antecipada da resposta negativa que pode nem vir a ocorrer, o outro é castelo construído com cartas de esperança que pode não vir a se concretizar.


Na expectativa a única certeza é a dor: aquela que antecipamos e não se cumpriu ou a que veio para derrubar o castelo das esperanças. Isso quando as duas não ocorrem ao mesmo tempo. Uma resposta negativa é sempre melhor do que a tortura da espera. O amor que não decolou sempre perturba menos o coração do que o amor que pode vir a ser.


A resposta definitiva, ainda que negativa, é sempre menos dolorosa. Diante de algo que se mostra sólido e cristalizado só existe uma resposta: a aceitação. E aceitar é sempre melhor do esperar. As dúvidas nos aprisionam fazem com que fiquemos presos pensando e repensando a respeito de um dado assunto, ficamos remoendo as angústias, tal qual um vira-lata roendo um osso velho e ressequido. Ficamos com a mente presa e estagnada, não conseguimos seguir adiante.


Já a definição liberta! Obriga-nos a seguir em frente e descobrir um novo caminho a ser trilhado. O único problema é que, infelizmente, a vida parece ter muito menos momentos de definição do que de expectativas.

sábado, 9 de julho de 2011

Complexo de Viajante

bagagem


Eu nunca conseguiria viver num emprego em que eu tivesse que viajar constantemente. E não pelo fato de eu não gostar de conhecer novos lugar e novas pessoas, essa parte da viagem eu aprecio bastante. No entanto, para mim sempre há certa ansiedade em arrumar as malas e ter certeza de que tudo que eu vou precisar levar para minha nova aventura realmente se encontra devidamente empacotado e embalado. A sensação de que estou esquecendo algo importante fica como um diabinho ao pé do ouvido sussurrando contínua e debochadamente.


A viagem propriamente dita é outro motivo de ansiedade, sempre me preocupo se irei chegar na hora, se o vôo irá atrasar e se atrasar como ficará a conexão. Outro pesadelo recorrente nas viagens solitárias é o de cochilar e não descer no aeroporto ou terminal rodoviário correto, somente acordando à algumas centenas de quilômetros de distância meu destino.


Uma vez no destino correto, se as malas foram despachadas, sempre há o pior dos pesadelos dos viajantes: ter sua mala extraviada. Sim, meu caro leitor, meu coração não sossega enquanto eu não vejo a minha querida maleta acenando para mim na esteira. Afinal de contas, não há coisa pior do que chegar num lugar cansado e esbaforido e não ter uma muda de roupa para trocar após o banho.


Só a segurança de estar devidamente acomodado no hotel é capaz de me devolver à tranqüilidade, mas só até o monte de arrumar as malas novamente. Aí recomeça a paranóia...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Reerguendo-se



Não é com certa incredulidade que eu escuto as pessoas quando estas me dizem que tudo acontece em suas vidas de modos e em tempos oportunos. Não que eu pense que essas pessoas estejam querendo me impressionar, nunca fui o tipo de pessoa que desperta essa impulsão, ou que o narrador dos eventos seja um mentiroso.


Porém, em minha experiência de vida, nada se encaixa perfeitamente. Tudo é turbulento, há sempre as crises, os erros, as falhas. Há sempre algo que me escapa entre os dedos por detalhes mínimos. Existem coisas que não dão certo nem no momento que deveriam e outras nunca se acertam.


Raras são as ocasiões onde a redenção ocorre no último instante. Na maioria dos casos, estamos condenados a conviver com as nossas falhas, e sempre há mais uma espreitando na esquina, como um meliante que aguarda a vítima distraída.


E a vida parece insistir em nos golpear com as adversidades, nos por de joelhos, nos fazer beijar a lona. E tudo se pode fazer é conviver com esses erros, se reerguer e permanecer em pé ainda que cambaleante. E sorrimos para vida com o sangue escorrendo pelos lábios e com os dentes tingidos de escarlate. Ela sorri de volta, com a certeza de que um dia não nos reergueremos mais.


Soco na Cara


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Misantropia

Apatia Sofá

O telefone toca repetidas vezes até se silenciar. Do sofá surrado no meio da sala, eu observo o aparelho e me recuso atender a nossa série de toques que se inicia. A bateria do celular descarregou “por descuido”, pelo menos essa é a minha versão da história.


A verdade é que hoje eu acordei decidido a não ver ninguém e não escutar uma única voz, vontade insana de ficar larga no sofá, olhando as manchas que o tempo fez no teto da sala. Eventualmente, me levantando para pegar uma água ou um café, o restante do tempo eu dedico a um livro e ao tédio e a um volume.


Alguém toca na campainha e bate à porta, eu simplesmente finjo que não estou e escuto com prazer os passos da pessoa se afastando. Ah solidão, algumas vezes és a melhor companhia que um homem pode ter!

sábado, 18 de junho de 2011

Novo Template

Olá a todos,estou testando um novo template aqui no Discordando do Mundo. Uma tentativa de deixar a casa mais bonita. Se alguma coisa ficar estranha. Me mandem um mail, por favor.

abraços

terça-feira, 14 de junho de 2011

Da Generosidade

Há dias em que acordamos iluminados, parece que algumas coisas estão bem mais claras na nossa mente e que parece emergir uma certa riqueza de detalhes riqueza de detalhes em tudo que vemos e observamos.


São aqueles dias em que conseguimos olhar para uma árvore no jardim e não vemos um amontoado de folhas e galhos, mas vemos os detalhes que constituem aquela árvore: as variações de tonalidades de verde, as flores, os brotos saindo ainda verdes do tronco, a própria textura da casca da árvore, os insetos na sua constante marcha e o pássaro que faz de um galho seu palco.


Dias em que conseguimos ir além da imagem e dos rótulos que aplicamos as pessoas que nos cercam e compreender que eles estão além do papel que elas representam nas nossas vidas. Alcançar aquela tristeza oculta em olhos levemente inchados pelo choro oculto na madrugada, perceber a ansiedade nos pequenos gestos ansiosos por trás do discurso sereno ou perceber que algo aflige aquela pessoa nos pequenos lapsos de atenção naqueles que costumam ser nossos ouvintes atenciosos.


Creio que talvez sejam nesses dias que conseguimos nos libertar da visão de mundo internalizada e alcançar uma percepção de realidade plena. Eu costumo chamar essa postura de generosidade no olhar. Eu acredito que talvez seja nessa generosidade que resida a verdadeira poesia e beleza da vida.


Olhar Detalhes
- E quando foi a última vez que você percebeu que um olhar pode ter tantos detalhes?

domingo, 5 de junho de 2011

Família, Remédios e a Pílula do Esquecimento

Algumas vezes acho engraçadíssimos os cacoetes de família, principalmente os relativos aos tratamentos medicinais. E que família não tem suas pequenas simpatias nesse aspecto? Uma das minhas tias por exemplo, acredita ter descoberto no vinagre a verdadeira panacéia. Cortou, queimou, machucou passa Gelol vinagre que passa. Uma outra tem sua própria farmácia ambulante dentro da bolsa contendo remédios, band-aids e vitaminas. Mal me vê coçar o nariz devido a rinite alérgica e instantaneamente saca uma cartelinha de vitamina C do LAFEPE. Estoque de ácido ascórbico para uma semana, que sempre dura uns 15 dias graças à minha falta de memória.


Outro tipo comum é aquela tia mais natureba que adora saber os nutrientes e propriedades medicinais de cada vegetal. Assiste religiosamente o programa da Leda Nagle na TV Cultura e é uma defensora fervorosa dos chazinhos. Mal consegue não pode ver ninguém com um princípio de resfriado que já coloca na frente do sujeito um chá de limão com mel ou com gengibre, esses sim são daqueles que curam coração partido, amor mal resolvido e ainda traz de volta o amor em 3 dias.


Tudo bem eu até admito que o chazinho não faz esse milagre todo e que até hoje esses males de coração ainda não tem remédio, mas uns cientistas aí na Gringolândia estão prometendo um remédio para pelo menos esquecer desses nossos sofrimentos mais rapidamente. Já pensou, caro leitor, tomar uma drágea e esquecer aquele romance que não deu certo? Aposto que você teve a mesma idéia que eu, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” na vida real.




quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ponto para o e-book!

Kindle e-book

Até o presente momento, eu confesso que os livros digitais não tinham me despertado grande interesse. Até os acho interessante pela portabilidade, praticidade e pela possibilidade de reduzir os custos de transporte e impressão e com isso entregar mais informação para mais pessoas.

Na verdade, uma das coisas que colaboravam para a minha não empolgação com os livros digitais residia no fato de apesar das diversas possibilidades que a informação digital oferece para ampliar a experiência do modo como as pessoas adquirem informação (basta olhar essa apresentação no qwiki.com sobre a segunda guerra mundial e comparar com a wikipedia), os e-books simplesmente se mantinha sendo uma versão digitalizada do mesmo e clássico livro impresso. E apesar de todas as promessas de interação e multimídia que os e-books prometiam eu ainda não tinha tido a oportunidade de vê-las em ação.

Isso até eu assistir esse vídeo:


Está bem eu admito, ponto para o e-book!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

"Até mais, e obrigado pelos peixes!"

Tchau de Miss


Muitas vezes perdemos muito tempo pensando se deixamos ou não certas pessoas entrarem nas nossas vidas. Sempre nos indagamos se um determinado relacionamento pode dar certo, se aquela pessoa é a pessoa que desejamos construir um futuro ou até se ela se adéqua ao tipo de relacionamento que estamos buscando no momento. Se descobrir o momento certo para alguém entra nas nossas vidas é extremamente complicado, eu acho que ainda mais difícil é perceber o momento de partir.


Talvez a arte de por um ponto final em algo que não está indo bem seja uma das mais difíceis de aprender, o que de modo algum invalida a sua importância. Saber a hora certa de partir ou de deixar partir é algo extremamente difícil, afinal o outro virou nosso hábito e nosso vício. E vencer os hábitos e vícios é uma das tarefas mais inglórias e complexas, pois lutar contra os próprios impulsos é sempre mais difícil do que lutar contra os outros.


A minha opinião é de que hora de ir partir é quando as coisas viram somente hábito, não há mais emoção, espírito ou prazer. E eu tenho certeza que provavelmente os leitores já vivenciaram ou já presenciaram tantos casais e mesmo famílias onde as pessoas parecem se reunir mais pelo costume do pelo que prazer de estarem juntos. Sabe quando visitar outra pessoa passa a ser mais uma obrigação pessoal do que algo realmente prazeroso? Pois é sinal de que as coisas já passaram do ponto e as pessoas estão adiando o final inevitável, até que uma hora o caldo entorna e vai tudo para o espaço: amizade, respeito e carinho.


Provavelmente, esta é a pior parte de não saber o momento certo de partir: a incapacidade de conseguir transformar algo que já teve uma história bonita em uma nova história diferente, porém tão bela quanto a anterior.

sábado, 7 de maio de 2011

...

As pessoas escolhem em que querem acreditar e, só então, desenvolvem as suas justificativas.

sábado, 23 de abril de 2011

Rótulos



Talvez umas das características mais marcantes dos seres humanos seja a capacidade de encontrar padrões nos ambientes que nos cerca. Esse fato é particularmente interessante por nos permitir, através de informações simples, deduzirmos possíveis resultados das nossas ações e pela capacidade classificar e catalogar fenômenos, criaturas e objetos. Ainda mais interessante, é o modo como simplesmente unimos todos esses através de um rótulo simplificado. Podemos, por exemplo, ver infinitos tipos de cães de diferentes variando em estatura, cor e tipo de pelo, mas ainda assim os classificamos todos sob o mesmo rótulo. Fato que, convenhamos, é de uma capacidade de sínteses fantástica.


No entanto, quais as conseqüências quando passamos a nos relacionar com as pessoas simplesmente através desses rótulos? E não estou falando nem da questão dos estereótipos que muitas vezes são maneiras de rotular as pessoas de maneiras muitas vezes pejorativas (a figura da loira burra, cdf sem vida, gaúcho gay, etc.). Eu acho que o pior de tudo é quando as pessoas deixam de ser relacionar entre si como seres humanos e passam a se relacionar através de rótulos.


Quantas vezes não colamos um rótulo de marido, esposa, pai, mãe, filho, tio ou irmão e simplesmente nos esquecemos que existe muito coisas além da superficialidade do rótulo. E é aí, camarada, deixamos de nos relacionar com um ser humano completo e com fritas e passamos a nos relacionar com o papel que estas pessoas foram escolhidas a representar nas vidas. Principalmente, por ser difícil se colocar na posição do outro quando não o vemos de maneira plena.


E como diria o Padre Vieira: “Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros”. E pode ter certeza que uma hora a pessoa percebe que não é diamante coisa nenhuma e todo aquele carinho, amor e devoção passa a ter uma superficialidade e uma artificialidade sem tamanhos. E se há algo pior do que não ser amado, é ser amado por aquilo que não se é.

domingo, 17 de abril de 2011

Um dia de chuva



São oito horas da manhã e eu escuto a chuva cair lá fora juntamente com o ruído dos carros passando pela avenida e espirrando água. Eu permaneço na cama apesar o despertador continuar tocando de dez em dez minutos desde as sete horas da manhã. Penso que eu devia ter desligado o despertador ou levantado de vez da cama. Sento-me a beira da cama e uma dor meio irritante nas costas me faz pense que eu já devia ter criado vergonha na cara e comprado um colchão novo, mas sempre deixo para próxima semana.


O vento sopra e chuva bate mais forte na janela, e já não posso mais ouvir o barulho dos carros passando na rua e, apesar de estar de costas para janela, dá para perceber que teremos um dilúvio na cidade. Se não fosse domingo provavelmente, os âncoras do noticiário iriam comentar e mostrar imagens das principais avenidas alagadas.


Levanto, preparo um café e penso: “Que se dane o mundo debaixo d’água! Eu não tenho que sair de casa hoje mesmo”. Sento no sofá e releio uma revista velha.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sucesso através dos erros

Eu tenho lido este livro nos últimos dias, que por sinal é o segundo livro desse autor que eu leio (o primeiro foi este outro). E apesar do livro ser mais um livro de divulgação técnica. Pensei em o quanto essa idéia de aprender com as nossas falhas pode ser válida para diversos outros aspectos na nossa vida.


Quantas vezes não ficamos estagnados, repetindo uma determinada postura e por simples comodismo repetimos diversas vezes o mesmo erro. Insistimos em relacionamentos que não atingem a nossa expectativa, mantemos certas amizades que deixaram de nos fazer bem na virada do milênio e insistimos em trabalhar em empregos que não nos trazem realização profissional.


Chega a ser impressionante o modo como nos apegamos fortemente a certos status e certos hábitos que não são o caminho da felicidade. E sem percebermos parece que criamos certo apego a infelicidade e entre todas possíveis ações que poderíamos escolher: preferimos a comodidade dos nossos erros à tentativa de fazer algo diferente.


Talvez fosse bem melhor terminar de vez com o relacionamento capenga, parar de andar com aquele amigo mala e procurar um emprego novo que nos traga mais paz alegria ao coração. E se ainda continuarmos insatisfeitos, porque não mudar de novo?


-Um dos casos de estudo do livro.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Cidade

Cidade Noite


Embora muito se reclame que a cidade nos tira os horizontes e que mais felizes são aqueles que têm a relva verde como vista e parte do cotidiano, creio que observar a noite na selva de pedra possua igual beleza.


Se os arranha-céus nos encurtam o horizonte e nos faz perder um amplo céu estrelado, igualmente esses nos provêm com luzes que chegam através das infinitas janelas que cintilam ao longe. Por alguns instantes o pensamento voa e por trás de cada um daqueles pequenos pontos luminosos se encontra pelo menos um outro ser humano, com suas dores, amores e reflexões. Enquanto as estrelas são só estrelas, cada ponto luminoso na cidade é um novo universo de possibilidades e realidades diferentes.


As avenidas se tornam verdadeiros rios iluminados pelos faróis dos automóveis. Rios que serpenteiam e se cruzam ao longo da cidade. Pessoas caminhando pela calçada e que atravessam a cidade para trabalhar, amar, comemorar. Ou tudo isso ao mesmo tempo.


Encantam-me as pontes com suas luzes refletidas nas águas escuras do rio, os prédios históricos ainda mais belos com sua iluminação noturna e os grafites espalhados sob os viadutos ou nas paredes dos túneis. Tudo é incrivelmente belo, algumas vezes só é preciso um olhar mais atento.

Recife Cidade Noite


domingo, 27 de março de 2011

A barba

Billy Gibbons Barba
- Hay gillete, soy contra! ( Trilha Sonora para o post )

O ato de fazer a barba pela primeira vez é um daqueles atos que costumam indicar a um jovem o peso da idade chegando e uma das transições para idade adulta. Então alguns passam a adotar a barba, outros ficam com o meio termo dos bigodes, barbichas e cavanhaques e por existem aqueles que resolvem adotar a cara lisa. Igualmente plural é o ponto de vista feminino, há aquelas que querem um companheiro de revolução para chamar de seu enquanto outras preferem uma carinha de bebê.


Um fato que poucos possuem consciência é que aqueles que optam pelo visual barbado, tem que enfrentar diversos inimigos como os malditos imperialistas Yankees fabricantes de loção pós barba, fabricantes de lâminas de barbear, etc. No entanto, o maior deles é a figura materna.


Sim, caro leitor! Basta aparecer na frente de sua digníssima genitora para que ocorra uma revista das tropas. Ah, as mães! Elas conseguem perceber tudo: se você emagreceu ou engordou, se está se alimentando direito ou mesmo se você tem feito exercícios. Nada escapa aos olhos atentos de uma mãe atenciosa e uma vez que a sua barba tenha sido detectada a ofensiva começa.


Como todas as ofensivas, o ataque materno se dá em etapas. Inicialmente na forma de perguntas: “Você esqueceu de fazer a barba?”. Passando num segundo estágio ao apelo emocional: “Mas você fica tão bonitinho de barba feita!”. Passando por fim a crítica direta ao seu visual inspirado no Hagar, O Terrível: ”É tão feia essa barba! Dá um aspecto de sujo”.


E todo mundo como já sabe poucas são as criaturas capazes de resistir aos apelos maternos e sua característica perseverança e la revolucion perde mais um membro.

domingo, 20 de março de 2011

Esquecimento...

ruínas

Tudo tende ao pó, ao vazio e ao esquecimento, tal qual o som de um grito que é lentamente dissipado até que sua metamorfose em silêncio esteja completa.


Apagam-se com o tempo as imagens fotográficas e os caracteres impressos no papel. Isto quando o próprio papel não volta ao pó, sucedido pelo vazio deixado por aquilo que se foi e que não mais voltará.


Bits e bytes serão corrompidos em hard drives que cessarão de funcionar e com eles serão arrastados para o limbo caracteres, imagens e sons. Todos tentativas vãs prolongar as nossas existências. Ainda que esses dados sobrevivam, provavelmente se perderão na biblioteca infinita que não possuí tomos, prateleiras e muito menos corredores.


Assim todos nós definharemos, até que voltemos ao pó, deixando para trás o vazio e, por fim, nos uniremos ao esquecimento. Finalmente estaremos todos juntos e seremos únicos nesta massa amorfa que é o nada. Nenhum dos nossos pequenos grandes feitos será lembrado, nem tampouco nossos mesquinhos pecados.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Pelo Fim do Dia das Mulheres

Mulheres Feminismo Ativismo


O recém ocorrido feriado do Dia das Mulheres (na verdade um puxão de orelha da Mônica me lembrando da data) me fez pensar que esse é um dos feriados que eu gostaria que não existisse. Assim como gostaria que não existissem também o dia do orgulho gay e o dia da consciência negra. E antes que me atirem as pedras, não tem nada de pré-conceituoso no meu texto.


Na verdade, a minha esperança é que um dia todos esses pré-conceitos de gênero, cor e orientação sexual se tornem algo tão raro (o ideal seria inexistente, mas sempre existirão idiotas no mundo) e sem sentido. Quando esse dia chegar, a igualdade entre pessoas de cores, gêneros e orientações sexuais distintas se tornará algo tão banal que não haverá motivos para ir às ruas em certas datas para lembrar a sociedade o quanto estes grupos conquistaram e quanto eles ainda necessitam lutar para que esta igualdade seja estabelecida.


Enquanto isso eu fico aqui aguardando ansiosamente a extinção do Dia das Mulheres.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Metamorfose

Metamorfose

Franz Kafka no seu livro a metamorfose narra a história de Gregor, um caixeiro viajante que acorda na pele, ou melhor dizendo na carapaça, de um besouro gigante. Após a transformação Gregor passa a sentir a repulsa da família pela sua nova forma e aos poucos vai se sentindo cada vez mais rejeita e diminuído enquanto sofre um processo definhamento.


No Brasil, há uma metamorfose que acontece na realidade semelhante a que ocorre na ficção fantástica de Kafka. Ricardo Neis acorda e entra em sua carapuça de aço com uma pintura reluzente e, atrás dessas carapuças, conduz nas nossas vias públicas. Porém, ao contrário de Gregor no livro do Kafka, o nosso personagem passa a se sentir cada vez mais especial atrás de sua nova carapaça inorgânica e, aos poucos, se torna uma criatura desumana com um ego gigante. Atingindo o ápice de se achar maior que a lei e crendo veementemente que o seu direito de passear pelas vias públicas atrás do volante está acima do direito à vida daqueles que não possuem uma carapaça metálica para se proteger.


Todos os dias vários Ricardos Neis saem às ruas, alguns se acham melhores que os pedestres e os ameaçam enquanto esses tentam atravessar a rua tranquilamente nas faixas de pedestres, enquanto outros se acham tão superiores após completarem suas metamorfoses em criaturas megalomaníacas que pensam que tem o direito de dirigir alcoolizado, afinal o que é uma vida ou duas em relação ao direito deles de tomar umas a mais e sair dirigindo.


No livro do Kafka, a metamorfose resulta na morte do Gregor, como final para o processo de definhamento da auto-estima do personagem. Em terras tupiniquins, nosso personagem completa a sua metamorfose se tornando uma criatura tão egocêntrica e desumana a ponto de passar por cima de algumas dezenas de ciclistas. A metamorfose na Terra Brasilis resulta na criação e multiplicação de assassinos no trânsito nutridos diariamente pelo egocentrismo e certeza de impunidade.

Massa Crítica

-Resultado da metamorfose!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Eu precisava...

Fotografia da Lua Cheia


Sinceramente, talvez eu nunca tenha precisado tanto dessa liberdade. Deste tempo para mim mesmo, de poder passar uma tarde lendo um livro que não necessariamente possua equações matemáticas e letras gregas. De ter um tempo para ler bobagens tão improdutivas, mas tão importantes para manter a sanidade, e talvez a felicidade.


Eu precisava desses de um tempo para parar e brincar com o cachorro no meio da tarde e de tempo para assistir um bom filme. Acima de tudo eu precisava de um tempo para respirar, para olhar o céu, para perceber as nuvens ou as estrelas e perceber também se é lua cheia ou lua nova.


Precisava de um tempo, para ser dono do meu próprio tempo e viver minha própria vida, não aquela que esperavam que eu vivesse. E eu precisava parar e escrever aquilo que eu quero escrever e não mais aquilo que esperavam que eu escrevesse.


Aqui estou! Tentando viver um pouco disso tudo de cada vez. Li os livros bobos que chegaram pelo correio, brinquei com o cachorro no meio da tarde, larguei um filme pela metade e vi, no céu, as nuvens e as estrelas e vi a lua também!


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sabático

Eu acho que com esse post eu encerro um período sabático do blog. Andava tudo muito tumultuado, escrevendo relendo e preparando tudo para terminar o mestrado e enfim dissertações defendida, mas algumas correções ainda precisam ser feitas. Quando tudo acabar eu finalmente terei minhas merecidas férias e um novo recomeço.

Devo voltar a postar em breve assim que a cabeça dê uma esfriada.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Não é comercial da Nokia, mas estamos todos conectados

Nokia estamos todos conectados
-Não, este texto não é um comercial da Nokia!

Na verdade eu ando meio sem tempo, para escrever ou na verdade para ajeitar uns textos que eu tenho escrito antes de publicar. Mas achei esse vídeo da WWF fantástico e resolvi compartilhar. Sem mais enrolação, segue o vídeo:

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Para quem ou para que você escreve?

Um texto antigo lá do Ricardo Chicuta e uma crise lá no Caminhante diurno me impuseram a seguinte questão: para quem se escreve ou porque você?


A verdade é que o questionamento me perseguiu durante alguns dias e eu chego à conclusão de que em geral as pessoas escrevem para si ou para os outros. Creio que no primeiro caso provavelmente, o texto vem mais de uma vontade de se expressar ou de criar um registro do que foi expresso para si. Nesses casos, uma vez escrito o texto, provavelmente o autor voltará a contemplá-lo em algum momento e, talvez para alguns autores, nem faça sentido para o autor publicá-lo, ele simplesmente coleciona os textos como um colecionador qualquer.


Existem, também, aqueles que escrevem para os outros. Nesses casos o foco está em tocar os leitores, mas não necessariamente implica numa relação de subserviência do escritor em relação ao seu público. Ao contrário do que se possa pensar esse tipo de escritor não é necessariamente um bajulador da platéia, ele pode optar por provocar sua audiência e fazê-la repensar suas atitudes.


No entanto, ao escrever esse texto me veio a idéia de que talvez exista um terceiro grupo, aqueles que escrevem para se conectar as pessoas. O foco nesse caso é em estabelecer um canal de duas vias onde o autor se expressa e também permite que o leitor interaja. O texto acaba virando uma mera ferramenta para produzir diálogos. Os textos são lançados sempre esperando que alguém responda, critique, complemente. E o texto deixa de ser uma obra de um indivíduo e passa a ser uma obra coletiva. E sobre essa conexão entre as pessoas é bem ilustrada pela palestra abaixo.


E eu acho que é um pouco de cada um desses fatores que me faz escrever.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Pôr-do-sol

por do sol

- Ele está lá todos os dias, só você que não vê.


Existem certos prazeres ingênuos que em certos momentos são capazes de me levar de volta à infância. Redescobrir o céu estrelado ou o pôr-do-sol é apenas alguns destes prazeres, que tantas vezes os arranha-céus e a rotina agitada parecem nos roubar.


No entanto, um dia um pouco mais calmo parece ser o suficiente para que encontremos novamente a beleza naquelas nuvens tingidas de uma coloração púrpura. E se não for um fim de dia, talvez uma noite, com a brisa soprando leve e constante, seja o suficiente para que interrompamos nossa rotina e contemplemos os astros através da janela da nossa pequena espaçonave Terra enquanto viajamos pelo infinito.


Esses momentos, muitas vezes, me põem a pensar em quanto essas cenas se repetem todos os dias, porém a falta de generosidade nos nossos olhos ou a falta de paz no nosso espírito não nos permite perceber a beleza. E eu fico pensando se tudo isso não se amplia para os outros setores e até para nossa própria vida. Será que não perdemos tanta coisa por simples falta de generosidade? Será que tudo não fica melhor quando a gente está em paz consigo mesmo?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Não teve escapatória...

Tênis Tennis Sapatos

Lá estava eu esparramado no sofá quando minha mãe solta a seguinte indagação:

-Leo, porque você não faz uma caminhada todo dia aqui pertinho?

Eu solto a primeira desculpa esfarrapada que me vem à cabeça:

-Eu estou sem um tênis apropriado para caminhar!

Um par de tênis horríveis depois (todos os tênis de corrida são horríveis), eu estou aqui pensando que deveria ter inflacionado minhas exigências com coisas como: camisetas dry fit, shorts, 100 pares de meia e 500 toalhas brancas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Talvez você esteja vendo televisão demais...

TV Televisão Retro


Algumas vezes eu penso que a versão romântica dos relacionamentos amorosos me parece ser uma das piores patologias da sociedade moderna. Sim, algumas vezes me parece meio doentia essa visão da felicidade plena esteja vinculada ao encontro da pessoa perfeita. Por mais romântico que você seja, temos de convir que isso possui duas falhas muito grandes: condicionar a nossa felicidade a outra pessoa e depender de algo ideal para ser feliz.


A imagem de que nós somos todos seres patéticos, miseráveis e infelizes procurando desesperadamente o amor como um náufrago procura uma tábua de salvação me parece, meio furada. Hum, pensando bem talvez até existam pessoas que vivam desse jeito, mas não creio que sejam bons exemplos. Enfim, será que delegar essa responsabilidade ao outro não é pedir demais? Colocar muito peso nas costas de um ser humano? Eu acho que basta se imaginar na situação de tábua de salvação alheia para imaginar o quanto essa é uma situação ruim. E daí para a frustração, minha senhora, é um pulo!


Naufragio

-Se é assim que você enxerga a vida quando está solteiro, a coisa está feia para o teu lado!


Quanto ao segundo, problema eu acho que é meio óbvio, pois tudo aquilo que é ideal só existe em planos abstratos. Na vida real, tudo tem um preço a ser pago. Toda pessoa tem lá as suas pequenas maniazinhas irritantes, acorda com a cara amassada, etc. Além do que ser a pessoa perfeitinha deve ser algo insuportável, eu mesmo nunca teria a menos paciência para bancar o príncipe encantado, dá para ver pelo Shrek que é muito mais divertido ser o ogro e viver no pântano do que ser príncipe encantado.


Ogro Príncipe encantado

- Eu acho que isso é o mais perto que eu consigo chegar nas minhas tentativas de bancar o príncipe encantado!

E aí? Sou só eu, ou os caros leitores também acham que as pessoas andam lendo muito romance e assistindo novela demais?