domingo, 19 de dezembro de 2010

Dois Pesos...

Propaganda ATEA
- Os causadores de toda a polêmica!


Recentemente uma associação de ateus tentou realizar uma campanha publicitária divulgando suas idéias em ônibus. Se já é impressionante o quanto uma sociedade se choca com idéia de alguém não compartilhar o mesmo preceito que ela, imagina-se haverá um choque ainda maior se alguém cogita na possibilidade da não existência da criatura divina.


Honestamente, os cartazes não me pareceram dizer algo realmente chocante. Exceto por um que mostra um foto dos aviões se chocando no World Trade Center. Porém, o que me choca é como dentro de uma cultura religiosa há uma intolerância sem tamanho contra aqueles que preferem não acreditar na possibilidade da existência de uma criatura divina. Mas chocante ainda é ver como uma campanha patética organizada pela ATEA arrecadou somente R$10.000,00 causa tanto desconforto. Eu não tenho noção de quanto custa anunciar naqueles cartazes, chamados de “Outbus” aqui no Recife, mas imagino que R$ 10.000,00 não dê para colocar muitos ônibus com a sua mensagem e provavelmente a probabilidade de alguém topar com um ônibus “herege seria” bem remota.


Enquanto isso na Sala de Justiça, nós temos grupos religiosos com uma verdadeira máquina de propaganda que gasta milhões (talvez até bilhões, quem vai saber?) de reais todos os anos. Somos bombardeados todos os dias nas ruas com propagandas dos mais diversos credos, santinhos, palavra do evangelho, missas televisionadas, emissoras compradas por evangélicos e que transmitem cultos e outros programas de cunho religioso. A liberdade de expressão e de culto permite que essas pessoas expressem suas idéias livremente e que muitas vezes eles incomodem as pessoas batendo de porta em porta, pregando sermões nos ônibus ou invadindo espaços públicos que seriam voltados para o lazer da população com seus alto-falantes a propagar seus credos. E o pior de tudo é que isso é justo! Talvez ser incomodado com idéias que eu não concordo seja um dos preços que se paga por ter liberdade de expressão. No entanto, muitas vezes alguns grupos religiosos ultrapassam esse limite e começam a atuar formando lobbies para impor seu conjunto de valores aos demais setores da sociedade, algumas vezes agindo de maneira pré-conceituosa e tentando evitar alguns progressos na nossa sociedade, como pesquisas genéticas e com células tronco e direito ao aborto e à união civil de casais homossexuais. Aí eu pergunto: Onde está seu Deus de amor, tolerância e compaixão que inspira o conhecimento agora? E porque eu não posso por sair por aí divulgando a idéia de que Deus não existe?

Deus está morto ou God is Dead
- A primeira pergunta está respondida, alguém responde a segunda, por favor.

Eu até entendo que para as pessoas educadas dentro de uma religião, seja chocante descobrir que alguém não acredita em Deus. Eu fui educado dentro do catolicismo e lembro quando ainda na infância eu acho que eu encontrei a primeira pessoa que dizia não acreditar em Deus: um colega de colégio. Lembro perfeitamente o quanto achei absurdo, mas sinceramente não me lembro de ter ficado com raiva do sujeito ou de tê-lo julgado um cara mau. Simplesmente me parecia estranho a idéia de alguém não acreditar em Deus, sempre haviam me dito que ele existia e que cuidava das pessoas. Entretanto, essa estranheza e choque não justificam o fato de se tentar silenciar as pessoas que divulgam essa idéia.


Choca-me ver o quanto alguns grupos religiosos da sociedade tentam impedir as pessoas de divulgar idéias e procurar viver uma vida cujos valores morais não sejam aqueles entregues por uma divindade que possui um projeto maior para humanidade. Afinal de contas essa tentativa de impedir ateus de divulgarem suas idéias nada mais é do que intolerância e pré-conceito disfarçados por um véu de liberdade de religião e de culto. E essa intolerância as idéias divergentes está tão consolidada que um ancora pode falar em horário nobre que ateus são “caras do mal” que “não respeitam limites”, sem que haja uma resposta efetiva da sociedade, mas também não é de se estranhar numa sociedade onde os ateus são um dos grupos mais hostilizados. Será que impedir os ateus de divulgar sua campanha não são dois pesos para a mesma medida?

9 comentários:

M.W. (@daconito) disse...

Eu acho q cada um acredita no q lhe faz bem, eu não acredito em nada, mas sei q se algumas pessoas perderem a fé em deus perdem tudo, desabam. Por isso não fico debatendo este assunto, não quero convencer ninguém a nada, cada um vive da maneira q achar melhor.
Quanto aos dois pesos, se religião e agora até a falta de não fosse um negócio, não precisaria de propaganda. Todo mundo sabe onde encontrar uma igreja, se tiver vontade de ir vai, mas tentam nos enfiar garganta abaixo suas convicções. Não apoio q os ateistas comecem a fazer o mesmo.
Cada um vive como lhe convém, simples assim?!
=*

"O Homem, em seu orgulho, criou a Deus a sua imagem e semelhança." Nietzsche
O homem em seu orgulho, quer provar o contrário que ñ precisa de um deus.
Mas do jeito q é feito, me parece uma briga de egos. Tô fora desse tipo de movimento(embora concorde com os cartazes)!

Belos e Malvados disse...

Estamos no terceiro milênio, mas em muitos aspectos ainda não saimos das trevas, caro Leo.

Leonardo Xavier disse...

Mônica, eu acho que realmente não sou nem a favor da propaganda circulando. Eu sou contra terem vetado o direito das pessoas de expressar uma idéia porque ela diverge da concepção comum sobre religiosidade em meia dúzia de ônibus, enquanto temos concessões públicas de rádio e televisão dadas para grupos religiosos que muitas vezes se portam até de maneira pré-conceituosa: Lideres religiosos que chutam imagens de outra seita ou que difamam religiões de origem africana.

Eu acho hipócrita o modo como um país que tem orgulho da sua diversidade étnica não prega essa mesma diversidade do ponto de vista ideológico.

Anne, o que você falou é a mais pura verdade.

M.W. (@daconito) disse...

E aquele povo q fica pregando dentro do bus hein?
PQP!
¬¬

Acho q todas as ideias deviam ser proibidas de serem manisfetdas num ambiente q todo mundo só quer ficar no seu canto até chegar seu destino.
=P

OutroAnônimo disse...

Claro que Deus existe. Se algo criou tudo, este algo é Deus, porém, me pergunto se ele é um ser racional.

Leonardo Xavier disse...

Mônica, como dá para ver por alguns textos antigos do blog, eu também odeio essa situação.

Caro OutroAnônimo, isso é algo no mínimo questionável. Mas cada um tem a sua fé.

Marina disse...

Odeio pregações forçadas. Pessoas batendo de porta em porta é uma coisa que realmente me tira do sério. E eu sou católica. Fico imaginando como deve ser chato para as pessoas que não acreditam.

Leonardo Xavier disse...

Como a Mônica falou, eu acho que pior é em ônibus! Você não tem como correr e se tentar trocar de ônibus perde o dinheiro da passagem. Quando batem a porta eu não faço a menor cerimônia de fechar a porta e voltar ao que estava fazendo antes de tocarem a campainha.

Julie Way disse...

O que me cansa na realidade não é no que o fulano ou beltrano acredita ou deixa de acreditar, é na importância que se dá a uma coisa que na verdade não devia ter importância alguma. Religião não julga caráter, nunca julgou. Me irrita pensar que pessoas que vão à igreja uma - ou mais - vezes por semana e na verdade não fazem merda nenhuma parar melhorar sua vida e de seus próximos - leia-se mães que não educam seus filhos/envenenam a vida alheia/entre outros - se acham no direito de se acharem MELHORES do que uma pessoa que não acredita em Deus por isso e só!

O que faz de uma pessoa melhor ou pior é a atitude que ela tem pra ela mesma e para o mundo. Eu tenho a minha religião, mas confesso que as pessoas mais inteligentes e equilibradas que conheço são ateias.

Mais uma vez o problema mora na intolerância.