quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Chico Buarque, o Jabuti e identidade cultural

Eu andei lendo sobre a polêmica em cima do prêmio tartaruga Jabuti que o Chico Buarque levou para casa pelo romance Leite Derramado. Parece que há certas controvérsias se ele poderia ter levado o prêmio de melhor romance com Leite Derramado, se já havia perdido na categoria ficções para o mesmo autor que ficou em segundo lugar na categoria romance. Enfim, mas o que me chamou a atenção foram as críticas e até petição on-line para que se devolvesse ou que se mantivesse o prêmio do escritor,cantor, compositor e boêmio.

Apesar de toda polêmica acredito que o escritor fez o que qualquer outro escritor faria, levou o peso de papel prêmio para casa o que eu não acho de modo algum criticável, talvez quem realmente merecesse as críticas fosse a organização do prêmio. No entanto, o que me surpreende é a polêmica em cima de uma premiação que ninguém realmente dá valor. Eu mesmo nunca comprei um livro porque ele ganhou um prêmio Jabuti e tampouco conheço alguém que tenha escolhido um livro por esse motivo. Eu até deixo a pergunta ao estimado leitor:Você já comprou um livro em decorrência deste ter sido premiado com o famoso prêmio literário tupiniquim?


No entanto, o que importa é que a polêmica me levou a seguinte questionamento: será que eu devo pautar o modo como eu consumo cultura nesses prêmios e nas listas de Best Sellers? Eu acho que quando decidimos comprar uma roupa ou objetos para nossa casa nem sempre a gente escolhe o mais vendido ou mesmo mais premiado. Em geral a gente acaba comprando aquilo que tem mais a ver com nossa identidade e aí que eu me pergunto por que não fazer a mesma coisa ao consumir arte ou cultura em vez de seguir a ditadura do Best seller ou da Billboard?



Chico Buarque


Minha visão particular sempre foi de que o impacto de uma obra depende tanto da obra quanto da nossa experiência de vida da pessoa. Lembro de uma vez ter chocado membros da minha família por dizer que não sentia identidade cultural com o Luiz Gonzaga, pois mesmo sendo nordestino eu nunca vivi no sertão que o Rei do Baião canta tão bem. Logicamente, como eu vou sentir identidade com as músicas que falam da vida do homem do campo no sertão e sua luta contra as intempéries, se eu sempre vivi em centros urbanos? E não é que eu não saiba admitir que exista beleza nos trabalhos do Gonzagão, mas essa beleza não reflete minha identidade. Talvez para alguém, com a minha bagagem seja muito mais fácil me identificar com os rios, pontes e overdrives cantados pela Nação Zumbi e o finado Chico Science, assim como suas referências aos problemas sociais presentes na realidade urbana.


Será que assim sendo, não se deveria tomar muito mais como referência essa questão ao escolher um livro? Será que ao invés de ir lá catar um livro da lista dos mais vendidos para ler não é mais bacana escutar uma referência de um amigo, cujos diálogos te adicionam algo relevante ou ir ler aquela referência obscura que algum dos seus artistas favoritos cita como influência?

14 comentários:

Caminhante disse...

Eu acho que o Jabuti não determina o meu e o teu consumo, mas entendo que cada área tem seus prêmios. Coisas que os leigos não sabem, mas quem é do meio fica sabendo e é afetado por isso, nem que seja apenas no ego.

Acho que ninguém devolveria. Quantas vezes na vida a gente não acha que não é tudo aquilo e recebe de bom grado? O cara é humano.

Leonardo Xavier disse...

Caminhante, eu concordo com você eu não tenho dúvida que eu levaria o peso de papel para casa e de bom grado. O que é nocivo ao meu ver é o modo como todas as outras pessoas sentem que tem que se dobrar aos críticos da imprensa ou aos números de vendagem. Por exemplo, o texto do Milton que tu citasse chamado "Quero ser interessante" eu lembro te ter visto aquela banda que ele achou ruim na resenha tocar numa edição do Recbeat(em pleno carnaval) e me foi uma experiência agradável. Provavelmente, pelo fato do Milton ter uma bagagem muito maior em relação as orquestras de tango do que eu tenho a ponto de perceber todas aquelas nuances que eu não consegui perceber. Ou seja, a diferença de background de cada um influenciou o modo como a experiência foi percebida.

S. disse...

Olha, eu prefiro o chico compositor que escritor. Mas na minha cama aceitava qq um. rsrsrsr. beijinhos.

M.W. (@daconito) disse...

Geralmente quanto mais falam de um livro menos tenho vontade de ler. Então, acho q sou suspeita pra falar, não gosto de nada muito pop.

=****

Luciana disse...

Leo(olha a intimidade rs)o que acontece é que as pessoas tem pouco o que fazer(ou não.Talvez se procurassem...) e brigar,criticar,se torna o ponto alto do dia.
Mas que eu não vejo muita lógica nisso...
E não,eu nunca comprei nada por uma indicação de prêmio ou coisas assim.
Xeru

Paula disse...

Oi Babe, então...não acredito que vc não gosta de Chico Buarque!!! hahaha....direito seu...sou louca pelas músicas dele, mas confesso que ainda não li esse livro.

Agora, concordoquando diz que cada um tem o direito de gostar do que quiser e escolher o que ler, escutar ou ver do iejto que quiser. Sabe o que faço, vou por titulos ou mesmo resumos dos livros ou sinopses dos filmes...mas nunca me baseei nesses prêmios...até pq, o Oscar pra mim, por exemplo, já premiou filmes que eu detestei...imagina! hahaha...

Bjos,
Paula

Belos e Malvados disse...

Respondendo sua pergunta: Não, nunca comprei um livro por ter ganho esse ou aquele prêmio, mas acho que as vezes eles servem como indicativo, uma informação a mais sobre o autor, a obra. Bom, o único livro que li do Chico Buarque foi Fazenda Modelo e não ficou entre os meus favoritos não.

Leonardo Xavier disse...

S., pior que é outra coisa que eu não entendo a paixão feminina pelo dito cujo.

Monica, esse pessoal anti-social...kkkk!

Lú (quem mandou dar liberdade, kkkk!) e aí como que você faz para escolher? Indicação de amigos?

Paula, eu te perdoo por gostar do Chico Buarque, kkkk!

Anne,é uma das coisas que eu fiquei me perguntando aqui se eu já li algum livro que tenha ganho um prêmio Jabuti, realmente não me vem nenhum a memória. E eu também não li o livro do Chico Buarque, para dizer se é bom ou ruim. Como eu já não viajava na música, eu achei por bem me manter longe dos livros.

Daniela Ramalho disse...

Por acaso também nunca compro um livro devido aos prémios que recebeu, mas o facto de os prémios vierem mencionados na capa acho que tem a ver com as pessoas comprarem principalmente porque os livros foram premiados. Provavelmente, para quem não gosta muito de literatura, os prémios podem ter influência.

εïз Nick Pink εïз disse...

Prêmio tartaruga foi ótimo! rs
Bom... Eu acho que isso pode influenciar sim na escolha de um livro, o fato de ele ter sido premiado ou se tornado best seller. É como um filme que ganha o Oscar e já desperta aquela curiosidade, dá vontade de ver só pra confirmar se é bom mesmo. E você pode tanto adorar quanto achar uma droga, isso é muito subjetivo! Mas realmente a questão da identidade, se identificar com determinado tema, estilo de escrita... Isso é o determinante.

Não tenho nada contra o Chico Buarque, até gosto dele como artista. Não posso opinar sobre o livro porque não li, tenho em casa e minha já leu (e não gostou muito não), mas como eu tenho outros "na fila" ainda não peguei pra conferir.

Enfim, o texto está interessante e crítico, gostei! Poderia ficar tagarelando mais, mas acho que já deu rs

Abraços!

http://vivereler.blogspot.com/

Leonardo Xavier disse...

Nick Pink, eu juro que em geral eu me sinto mais atraído pelo sinopse do que pelo prêmio e Oscar mesmo eu acho que só é uma premiação justa quando Clint Eastwood leva o prêmio de diretor.

Lais Castro disse...

Eu gosto de Chico Buarque. E quando compro um livro é pq me interessa! Nem penso se ele foi ou não premiado!

silvio disse...

O Chico Buarque quando fazia e começou fazendo música para o povão foi unanimidade nacional, mas como escritor é intelectual demais, muito frances mas é um nome que engradece o jabuti, e uma personagem que extravasa os limites, a sua postula política foi importante para a história mantendo a chama viva da redemocratização democrática dentro do regime militar, infelizmente é muito perseguido seu nome é cortado por muitos sempre que é mencionado de maneira favoravel, ainda é vítima de uma censura silenciosa que lhe visa tirar a popularidade, por que será hem?

Leonardo Xavier disse...

Silvio, Eu acho que ele tão desprezado e tão perseguido pela mídia que a Globo vai fazer uma mini-série agora baseada na obra dele e editora Abril lançou uma coleção...