segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tédio e solidão...


Em alguns momentos da vida parece que a solidão surge como uma necessidade do espírito. Apossasse de mim uma vontade de se isolar e permanecer em silêncio. Vontade de não sair as ruas e dedicar-me a vagar pelos cômodos da casa vazia e por fim me sentar no sofá com uma de café e um livro nas mãos. Senta-me entretido a sentir o cheiro do café e sorver lentamente os goles enquanto leio tranquilamente aquele volume.


Tudo isso, enquanto deixo que os caracteres lentamente formem imagens na minha mente e deixar que essas imagens se misturem ao aroma de café que sobe junto com o vapor da caneca. Deixar tudo de lado e me distraio a observar a sala em que estou habituado a circular com certa estranheza, prestando atenção nos detalhes que rotineiramente me passam despercebidos: as pequenas imperfeições na pintura da parede, o padrões na cerâmica e no forro do sofá.


Chego a sentir inveja das pessoas solitárias que não dividem sua rotina com ninguém, podem usufruir desses momentos dedicados ao ócio e ao tédio sem ser interrompido por uma conversa casual e fútil. Sentir o tédio em cada respiração, cada detalhe novo percebido, na cortina flamulando, no modo com a luz projeta sombras na parede oposta à janela. Sensação de solidão e tédio que nesses momentos me parecem fazer bem à alma.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Este não é um post de Natal e nem tampouco de fim de ano!

Bem como o intuito do blog é Discordar do Mundo... então, este não é um post de Natal e eu não vou desejar boas festas para ninguém!


Comam e bebam à vontade!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Dois Pesos...

Propaganda ATEA
- Os causadores de toda a polêmica!


Recentemente uma associação de ateus tentou realizar uma campanha publicitária divulgando suas idéias em ônibus. Se já é impressionante o quanto uma sociedade se choca com idéia de alguém não compartilhar o mesmo preceito que ela, imagina-se haverá um choque ainda maior se alguém cogita na possibilidade da não existência da criatura divina.


Honestamente, os cartazes não me pareceram dizer algo realmente chocante. Exceto por um que mostra um foto dos aviões se chocando no World Trade Center. Porém, o que me choca é como dentro de uma cultura religiosa há uma intolerância sem tamanho contra aqueles que preferem não acreditar na possibilidade da existência de uma criatura divina. Mas chocante ainda é ver como uma campanha patética organizada pela ATEA arrecadou somente R$10.000,00 causa tanto desconforto. Eu não tenho noção de quanto custa anunciar naqueles cartazes, chamados de “Outbus” aqui no Recife, mas imagino que R$ 10.000,00 não dê para colocar muitos ônibus com a sua mensagem e provavelmente a probabilidade de alguém topar com um ônibus “herege seria” bem remota.


Enquanto isso na Sala de Justiça, nós temos grupos religiosos com uma verdadeira máquina de propaganda que gasta milhões (talvez até bilhões, quem vai saber?) de reais todos os anos. Somos bombardeados todos os dias nas ruas com propagandas dos mais diversos credos, santinhos, palavra do evangelho, missas televisionadas, emissoras compradas por evangélicos e que transmitem cultos e outros programas de cunho religioso. A liberdade de expressão e de culto permite que essas pessoas expressem suas idéias livremente e que muitas vezes eles incomodem as pessoas batendo de porta em porta, pregando sermões nos ônibus ou invadindo espaços públicos que seriam voltados para o lazer da população com seus alto-falantes a propagar seus credos. E o pior de tudo é que isso é justo! Talvez ser incomodado com idéias que eu não concordo seja um dos preços que se paga por ter liberdade de expressão. No entanto, muitas vezes alguns grupos religiosos ultrapassam esse limite e começam a atuar formando lobbies para impor seu conjunto de valores aos demais setores da sociedade, algumas vezes agindo de maneira pré-conceituosa e tentando evitar alguns progressos na nossa sociedade, como pesquisas genéticas e com células tronco e direito ao aborto e à união civil de casais homossexuais. Aí eu pergunto: Onde está seu Deus de amor, tolerância e compaixão que inspira o conhecimento agora? E porque eu não posso por sair por aí divulgando a idéia de que Deus não existe?

Deus está morto ou God is Dead
- A primeira pergunta está respondida, alguém responde a segunda, por favor.

Eu até entendo que para as pessoas educadas dentro de uma religião, seja chocante descobrir que alguém não acredita em Deus. Eu fui educado dentro do catolicismo e lembro quando ainda na infância eu acho que eu encontrei a primeira pessoa que dizia não acreditar em Deus: um colega de colégio. Lembro perfeitamente o quanto achei absurdo, mas sinceramente não me lembro de ter ficado com raiva do sujeito ou de tê-lo julgado um cara mau. Simplesmente me parecia estranho a idéia de alguém não acreditar em Deus, sempre haviam me dito que ele existia e que cuidava das pessoas. Entretanto, essa estranheza e choque não justificam o fato de se tentar silenciar as pessoas que divulgam essa idéia.


Choca-me ver o quanto alguns grupos religiosos da sociedade tentam impedir as pessoas de divulgar idéias e procurar viver uma vida cujos valores morais não sejam aqueles entregues por uma divindade que possui um projeto maior para humanidade. Afinal de contas essa tentativa de impedir ateus de divulgarem suas idéias nada mais é do que intolerância e pré-conceito disfarçados por um véu de liberdade de religião e de culto. E essa intolerância as idéias divergentes está tão consolidada que um ancora pode falar em horário nobre que ateus são “caras do mal” que “não respeitam limites”, sem que haja uma resposta efetiva da sociedade, mas também não é de se estranhar numa sociedade onde os ateus são um dos grupos mais hostilizados. Será que impedir os ateus de divulgar sua campanha não são dois pesos para a mesma medida?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Chico Buarque, o Jabuti e identidade cultural

Eu andei lendo sobre a polêmica em cima do prêmio tartaruga Jabuti que o Chico Buarque levou para casa pelo romance Leite Derramado. Parece que há certas controvérsias se ele poderia ter levado o prêmio de melhor romance com Leite Derramado, se já havia perdido na categoria ficções para o mesmo autor que ficou em segundo lugar na categoria romance. Enfim, mas o que me chamou a atenção foram as críticas e até petição on-line para que se devolvesse ou que se mantivesse o prêmio do escritor,cantor, compositor e boêmio.

Apesar de toda polêmica acredito que o escritor fez o que qualquer outro escritor faria, levou o peso de papel prêmio para casa o que eu não acho de modo algum criticável, talvez quem realmente merecesse as críticas fosse a organização do prêmio. No entanto, o que me surpreende é a polêmica em cima de uma premiação que ninguém realmente dá valor. Eu mesmo nunca comprei um livro porque ele ganhou um prêmio Jabuti e tampouco conheço alguém que tenha escolhido um livro por esse motivo. Eu até deixo a pergunta ao estimado leitor:Você já comprou um livro em decorrência deste ter sido premiado com o famoso prêmio literário tupiniquim?


No entanto, o que importa é que a polêmica me levou a seguinte questionamento: será que eu devo pautar o modo como eu consumo cultura nesses prêmios e nas listas de Best Sellers? Eu acho que quando decidimos comprar uma roupa ou objetos para nossa casa nem sempre a gente escolhe o mais vendido ou mesmo mais premiado. Em geral a gente acaba comprando aquilo que tem mais a ver com nossa identidade e aí que eu me pergunto por que não fazer a mesma coisa ao consumir arte ou cultura em vez de seguir a ditadura do Best seller ou da Billboard?



Chico Buarque


Minha visão particular sempre foi de que o impacto de uma obra depende tanto da obra quanto da nossa experiência de vida da pessoa. Lembro de uma vez ter chocado membros da minha família por dizer que não sentia identidade cultural com o Luiz Gonzaga, pois mesmo sendo nordestino eu nunca vivi no sertão que o Rei do Baião canta tão bem. Logicamente, como eu vou sentir identidade com as músicas que falam da vida do homem do campo no sertão e sua luta contra as intempéries, se eu sempre vivi em centros urbanos? E não é que eu não saiba admitir que exista beleza nos trabalhos do Gonzagão, mas essa beleza não reflete minha identidade. Talvez para alguém, com a minha bagagem seja muito mais fácil me identificar com os rios, pontes e overdrives cantados pela Nação Zumbi e o finado Chico Science, assim como suas referências aos problemas sociais presentes na realidade urbana.


Será que assim sendo, não se deveria tomar muito mais como referência essa questão ao escolher um livro? Será que ao invés de ir lá catar um livro da lista dos mais vendidos para ler não é mais bacana escutar uma referência de um amigo, cujos diálogos te adicionam algo relevante ou ir ler aquela referência obscura que algum dos seus artistas favoritos cita como influência?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Eco-chatos e sustentabilidade de verdade

Se tem algo que eu costumo dizer é que existem os eco-chatos e existem pessoas efetivamente preocupadas com o meio-ambiente e com a forma como lidamos com os bens de consumo e recursos naturais. Sinceramente, eu até respeito bastante certas ONG’s e creio que muitas das denúncia feitas por essas organizações são válidas. No entanto eu confesso que certas vezes eu acho que a coisa descamba para um fundamentalismo ecológico.

Exemplo, a WWF criando um formato de pdf que as pessoas não podem imprimir. Eu realmente me questiono se o marketeiro que criou um treco desses realmente pensa que as pessoas vão aderir em massa a idéia e que milhares de árvores serão salvas? Se uma pessoa tem consciência suficiente para não imprimir documentos que não precisam ser impressos, qual a vantagem do desenvolvimento desse tipo de arquivo? Depois, eu acredito que efetivamente algumas vezes é necessário imprimir certas documentações, afinal nem todo mundo possui um e-reader (Eu mesmo não tenho um ainda! Natal está chegando se quiserem doar um para o autor dessa espelunca aqui, eu juro que aceito de coração!) ainda e existem certos locais onde se poderia estar lendo um texto mas infelizmente não se tem acesso a um computador.


WTF WWF World Wildlife Fund

- Será que eu preciso classificar em que grupo de pessoas eu colocaria o criador desse formato? (Fonte: Meio-Bit)


No entanto existem certas iniciativas que eu acho válidas. Estou lendo um livro chamado “Cradle to Cradle” que eu tenho achado interessantíssimo para alguém que trabalha na minha área. Nesse livro os autores questionam o processo de desenvolvimento dos produtos atualmente que em geral é feito pensando no mundo de uma maneira cartesiana, ou seja um plano infinito no qual eu posso mandar todos os problemas para um lugar bem longe de mim e fingir que ele não existe. No livro se propõe considerar que ao elaborar um produto seja considerado sua destinação final e de preferência adotarmos uma construção que nos permite reutilizar a matéria prima novamente, sem que esta perca qualidade. Afinal de contas para que jogar fora um recurso que pode ser utilizado novamente?


Além de achar muito mais interessante por sugerir soluções para que as pessoas tenham acesso aos bens que elas necessitam de uma maneira sustentável, o que ao meu ver já conta muito mais pontos por ser uma proposta construtiva e por ser a favor da idéia de abundância. No entando o que me chamou a atenção, foi o fato dos autores implementarem as idéias na confecção do próprio livro.


Achei interessantíssimo pelo fato da capa e das folhas do livro serem feitas do mesmo material, que sinceramente eu não sei qual é examente mas lembra bastante a textura daquelas cartas de baralho e pelo fato do livro poder ser apagado com processos termicos e ter sua tinta recuperada e imprimir novamente outro livro usando as mesmas páginas. Ou seja as páginas do livro assim como a sua tinta seria um estrutura física para transportar idéias que poderia ser usada infinitas vezes. E sinceramente, a impressão não é nem um pouco desagradável, apesar do material ter apresentado um pequeno defeito para mim que é ser relativamente mais pesado que os livros de papel convencional.


Cradle to Cradle Sustentabilidade

- Leiam!


No livro são propostas muitas idéias me parecem práticas e bem implementáveis, outras aparentam ser inviáveis ainda, mas eu acho que é um livro que vale a pena ser lido por pessoas que trabalham desenvolvendo produtos, simplesmente pelo questionamento da visão atual e por mostrar que existem formas eficientes de se conciliar meio ambiente, sociedade e lucratividade.