sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Presos ao Passado

Bola Corrente Prisioneiro

Eu costumo dizer que os textos do blog são meus, mas eu acho que muito provavelmente eles pertencem aos meus botões. Pois, lá estava eu novamente num debate acirrado com os benditos botões e eis que eu chego à seguinte conclusão: é impressionante o quanto vivemos presos a certos momentos do passado.


Impressiona algumas vezes ver o como certas pessoas ainda arrastam consigo pendências, tal qual um prisioneiro fugitivo arrasta uma corrente amarrada ao tornozelo. E eu nem falo das cicatrizes, pois provavelmente todos têm as suas. Ali sempre presentes para nos recordar algumas lições aprendidas da forma mais difícil. Eu falo daquelas pessoas que parecem não conseguir se livrar de um determinado momento do passado. Seja ele bom ou ruim.


Então essas pessoas passam a viver uma vida mais pesada, arrastando aquele peso adiante consigo e alimentando uma dor ou uma glória que muitas vezes já nem existe mais. E parece que aquele peso atrapalha a pessoa de seguir adiante tal qual a corrente que mantém o prisioneiro na sua condição de cárcere. Assim, as pessoas parecem passar a ter medo de tentar algo novo com medo de que aquela dor do passado se repita novamente, como se deixar de viver por ainda se encontrar amarrado aquela dor, já não fosse revivê-la de forma contínua e perpétua.


Algumas vezes também acontece da pessoa estar presa um passado glorioso e parece querer reviver essa glória tantas vezes quanto seja possível. E nesse apego ao passado se esquece de seguir enfrente e conquistar novos motivos para serem felizes e novos feitos dos quais se orgulhar. Quantos escritores já não desperdiçaram a pena em tentativas de recriar uma segunda versão da sua obra prima, quando poderiam estar se reinventando e se aperfeiçoando? Quantos músicos já não afundaram em tentativas vãs de criar uma segunda versão para o seu grande hit, quando poderiam estar fazendo algo novo e sincero?


Enfim, por melhor ou pior que tenha sido algum momento do nosso passado, o verdadeiro caminho para viver plenamente consiste deixá-lo lá no instante pretérito ao qual ele pertence. Talvez só se livrando desse peso seja possível aproveitar o presente de maneira plena e seguir em frente.

12 comentários:

Ricardo Chicuta. disse...

Muitas vezes me vejo preso ao passado.Mas não me atrapalhe,só me ajuda a não fazer a mesma cagada outra vez.

Leandro Luz disse...

Cara, gostei muito do post.
Inclusive, se você permitir, gostaria de colocar um trecho dele no meu blog, dando os devidos créditos, é claro!
Um abraço.

Julie Way disse...

Engraçado você ter postado sobre isso, Leo. Até pouco tempo atrás - coisa de um ou dois meses - eu estava vivendo agarrada a uma coisa que eu mal sabia o que era, e que fracasso após fracasso, me causava frustração e dor.

Até que depois do fim de mais um relacionamento, eu tive uma epifania que é até difícil de descrever com palavras. Estou solteira, e satisfeita, como há muitos anos não me sinto. Me libertei dos grilhões invisíveis que não me permitiam voar. ^^

Luciana disse...

Mas é tão difícil...Quando o passado foi bom não queremos que ele passe nunca.

Iza disse...

bacana seu blog.
escrever parece terapeutico á vc.

abracinho

Belos e Malvados disse...

Sou super nostálgica, mas tb não sinto que me atrapalhe. Eu sei que a vida é em frente.

Leonardo Xavier disse...

Pow Chicuta, eu acho que aprender com as nossas burradas do passado é igual a uma cicatriz, ela tá te lembra, mas você necessariamente não precisa continuar alimentando aquela dor.

Julie, eu até tinha lido um texto lá no teu blog sobre isso e tinha achado legal.

Luciana, mas porque não tentar fazer algo ainda melhor no presente?

Iza, é bem terapia mesmo e ainda sai mais barato do que o analista, kkkkk!

M.W. (@daconito) disse...

O passado sempre me parece melhor q o presente, logo sei q amanhã vou achar q hoje já passou e rir.
=**********

Lais Castro disse...

Ah Leonardo, agora sou eu a 'discordadora'... eu gosto de reviver momentos bons passados, sim... adoro! Por exemplo, guando encontro uma prima, amiga de infância, sempre repetimos as mesmas histórias de quando éramos crianças... então tem uma de uma galinha que quase matamos afogada (para tirar o choco, pois colecionávamos ovos!) que continua nos fazendo rir. Mas isso não me impede de viver o presente, não! Juro que não estou ´empacada´. (risos)

Leonardo Xavier disse...

Mônica, eu concordo que tem muito disso depois que a gente supera o problema, vira até história engraçada.

Lais, eu penso que é bom ter memória e todos tem seus momentos nostalgia, mas se isso não fizer a pessoa ficar empacada está tudo ok!

Pequeno Grande Mundo disse...

Costumo carregar o passado... No começo atrapalha, mas dps serve como um alerta. Passado é passado, realmente deveríamos deixá-lo p trás, mas a tal da memória é foda...

Ignacio disse...

This is awesome!