domingo, 24 de outubro de 2010

Sonho

Nevoeiro Sonho Praia



Algumas noites atrás sonhei. E no meu sonho eu era estrangeiro em um local que sempre me fora comum e familiar, mas no sonho sentia-me perdido nesse espaço como um bebâdo que não mais reconhece o caminho de volta para casa e erra pelas ruas madrugada adentro. Em suma, uma sensação terrível de sentir estrangeiro em sua própria pátria.


Nesse ambiente, que despertava sensações tão contrastantes, rostos estranhamente familiares demonstravam uma cordialidade que ressaltavam essa sensação de inadequação ao ambiente. No sonho parecia que cada gesto de cordialidade e de afeto ficavam na superfície e não me atingiam o espírito.


Ainda no reino de Morfeu, um velho conhecido dos tempo de colégio com o qual nunca tive uma amizade estreita, me chamava pelo velho apelido de colégio e abraçava-me entusiasmadamente. E me senti estranho com aquela manifestação de afeto inesperada cuja reciprocidade não existia. Senti-me completamente estrangeiro de mim mesmo.


Saio dali e vou para um apartamento, tão impessoal quanto um quarto de hotel. E apesar de tudo, parece que aquela impessoalidade me faz sentir mais confortável. No entanto, surge um sensação de querer voltar para casa. E resolvo que deveria dar um último passeio antes de partir. Ansiosamente, procuro por algo, que não sei bem o que é, em meio a gavetas desorganizadas. Encontro uma máquina fotográfica, mas não parece ser em fotos que eu gostaria de registrar este último passeio em terras estrangeiras.


A camera fica onde estava , mas eu abandono o quarto e sigo meu caminho pela orla que se encontra estranhamente fria. Ventos batem em coqueiros com um céu acizentado ao fundo, do lado oposto da pista de asfalto um muro. E no muro muitas pessoas pintadas em tamanho diminuto mas com uma gama de detalhes e diversidade infinita. A tal ponto de eu ter a impressão de que aqueles rostos não acabam nunca e tampouco se repetem.


Eu acordo e decido registrar o sonho, como se realizasse um último desejo daquele outro “eu” estrangeiro de si mesmo.

5 comentários:

Lais Castro disse...

E aí, Leonardo, tudo bem? Interessante o seu sonho... me fez lembrar de Camus e seulivro O Estrangeiro, com o qual me identifico. Vc já o leu?
Boa semana,
Abraço.

Leonardo Xavier disse...

Lais, O Estrangeiro é um livro que já me recomendaram diversas vezes, mas eu não li. Muito livro para ler e tão pouco tempo...

M.W. (@daconito) disse...

Nossa, vc escreve lindamente.
Até nos seus sonhos as coisas são descritas com perfeição.

=*

Resp.: Meu fds foi um lixo. Obrigada por perguntar. =) E o seu? hauhaha

Pequeno Grande Mundo disse...

Nossa,conseguiu me passar um frio... Gostei mt do post, o final me deixou pensando, imagina talvez sejam as pessoas q vc irá conhecer durante toda sua vida (lá estou eu viajando no sonho dos outros)... Enfim, me lembrou uma música de Blackmore's Night - Home Again, é o total oposto do post, mas qd fala essa coisa de voltar p casa eu só lembro dessa música, ela consegue me passar uma energia legal!!!

"Old familiar faces
Everyone you meet
Following the ways of the land
Cobblestones and lanterns
Lining every street
Calling me to come home again" =D


Escuta Sassá, se der...

Cafeína disse...

ótimo texto Leo.
Freqüentemente eu me sinto uma estrangeira sem visto no mundo e por dentro.