segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Flores no Concreto

Sinceramente, nunca fiz o tipo viajante, sabe aquelas pessoas que conhecem não sei quantos países e não sei quantas cidades. Creio que no máximo faço uma ou duas viagens por ano. No entanto, depois que minha mãe passou a trabalhar na Bahia, as minhas visitas ao aeroporto tornaram-se mais freqüentes.

Obviamente, que estas visitas ao aeroporto sempre me rendem alguns momentos de espera, que em geral eu aproveito para tomar um café, ler um livro ou mesmo comer um sanduíche. Apesar dessas atividades, é comum que eu me desvie daquilo que estava a fazer e me entretenha a observar as pessoas.

Eu sei que existem pessoas que gastam um bom dinheiro em passeios de barcos para observar baleias ou golfinhos, outros se enfiam durante dias no meio do mato para estudar aves ou primatas, porém eu chego a duvidar que qualquer um desses observadores da vida selvagem consiga se divertir mais do que aqueles que decidiram se tornar observadores de seres humanos.

Observando Pessoas

- E há aqueles que preferem observar os passáros...

Em minha opinião, os aeroportos são o arquipélago de Abrolhos para a observação das jubartes de duas pernas, o famoso bicho homem. Eu acredito que boa parte da natureza da espécie humana é revelada no momento que um ser indivíduo decide deixar uma cidade e partir para terras distantes. Sim, meu caro amigo, parece estar tudo revelado ali nos terminais de embarque e desembarque. A frieza dos homens de negócio vestindo seus ternos e gravatas impessoais e alegria dos turistas que visitam os trópicos com suas camisas floridas. O choro decorrente da dor da separação iminente dos casais de apaixonados, o beijo entre dois amantes que acabaram de perpetrar um homicídio contra a saudade e a distância. As lágrimas escorrendo pelas faces dos familiares que se separam e os pequeninos que pulam no pescoço do pai que chega de uma longa viagem de trabalho. Os aventureiros, que parecem descender dos caracóis, e carregam a própria casa nas suas mochilas.

Parece que na iminência da separação e nos segundos que precedem os abraços e os beijos dos reencontros, os sentimentos afloram naquele ambiente frio e inorgânico tão comum nos aeroportos tal qual uma flor que insiste em nascer no meio do concreto.

Flores No Concreto

- ... e mesmo nos lugares mais improváveis as flores insistem em nascer...

13 comentários:

Leandro Luz disse...

Gostei muito do texto, Leonardo.
Você tem razão; quando paramos para observar as pessoas temos que nos preparar pra encontrar de tudo.

S. disse...

Não me lembro qual filme era, mas o casal protagonista decidia ir para o aeroporto, pq lá poderiam se beijar sem ser incomodados.
No meu último embarque minha agulha de croche foi retida. quem manda ter cara de psicopata que mata comandantes à espetadas?
beijinhos

Felipe "Miro" 'Dreads' disse...

Cara eu confesso que estou até assustado em ver essa postagem.

Acabei de assistir o filme Simplesmente Amor, onde começa uma narração falando exatamente dessa análise das pessoas em aeroportos, nossos sentimentos diante de uma separação, de um reencontro, de um visita a um lugar desconhecido, etc.

To abismado com essa coincidência.

Leonardo Xavier disse...

Pow Leandro, Eu acho que realmente o ser humano algumas vezes apresentam características maravilhosas, mas algumas vezes a gente chega a duvidar que uma pessoa seja capaz de fazer certas coisas.

S., eu acho que já teve uma tia minha que teve desses problemas num vôo internacional, eu acho que com uma tesoura e o pior de tudo é que não encontrava a danada da tesoura que o scanner encontrou...

Miro, o pior de tudo é que eu nunca assisti "Simplesmente amor", só lembrou que foi alardeado aos quatro ventos por causa da participação do Rodrigo Santoro. Só não fez tanto estardalhaço quanto da vez que ele fez o cover do Lafon em 300's. Eu acho que provavelmente o roteirista devia estar frequentando muito o aeroporto quando fez o roteiro. kkkk!

Pequeno Grande Mundo disse...

Concordo... Aeroporto mostra de tudo. Desde a frieza do separar do seu "amor eterno" sem uma única lágrima à enorme felicidade de reecontrar a mãe q há tanto tempo estava longe...
Na verdade odeio aeroporto, odeio despedidas e acho mt estranho me reencontrar com alguém q há tanto n vejo, me sinto com um abismo, sei lá...

Lais Castro disse...

Cara! Gostei muito desta publicação. É isso mesmo que vc captou! Eu tb gosto de observar pessoas, não só em Aeroportos (eu adoro viajar, ao contrário de vc), mas em toda parte onde vou... na praia, no calçadão, nos pontos de ônibus...
Abraço.

Lais Castro disse...

Esqueci de falar das lindas imagens que enfeitam a sua postagem. Um encanto essa flor saindo do concreto!

Belos e Malvados disse...

Ônibus também é muito bom prá isso. Aeroporto fico tão tensa que não dá para observar muita coisa, a não ser que esteja indo levar ou buscar alguém.

Rachel Chagas disse...

Confesso que a parte que mais liguei no seu texto nem foi a que fala das pessoas, seu comportamento ou, aeroportos, mas sim na frase "- ... e mesmo nos lugares mais improváveis as flores insistem em nascer..." e na foto da flor que nasceu no concreto...
No entanto levei pra outro lado o de que, mesmo que as coisas estejam ruins, a gente deve esperar um pouquinho com paciência, por que tudo pode mudar, as coisas SEMPRE melhoram!!

Paula disse...

ai ai...tão bom viajar...e observar tudo e todos....faço isso em qualquer lugar que eu esteja...muito bom seu texto! BJs

Leonardo Xavier disse...

Karoll, eu acho interessante essa questão do abismo. Algumas vezes realmente bate forte essa sensação, noutras parece que a pessoa nunca partiu.

Lais, eu até gosto de viajar. Eu acho que algumas vezes falta tempo para dar um fugida.

Anne, eu lembro que você tinha contado dessa técnica de matar o tempo no ônibus.

Rachel, é um ponto de vista mais otimista do que o meu. Eu não sei se eu acredito que sempre vai haver um final feliz.

Sabe Paula, eu acho que até dá para fazer as observações em outros lugares, mas no aeroporto eu acho que há mais dramaticidade no modo que as pessoas se encontram, se separam, se reencontram.

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

Gostei muito de seu texto, só li verdades.
Meus parabéns! ^^