sábado, 25 de setembro de 2010

Causa e efeito

Causa e Efeito


Sinceramente, o comportamento feminino é algo que me fascina. Nada melhor do que nesse “big brother” da vida do prestar atenção nos detalhes de como elas se comportam diferente dos marmanjos no que tange os pequenos detalhes. Talvez um dos que me chame mais atenção seja o fato de que para as mulheres tudo seja regido pelo princípio da causa e efeito.


Nada para as mulheres é somente aquilo que realmente é há sempre uma conspiração atrás de cada comentário e de cada elogio. Um comentário para uma moça nunca é um simples comentário, há sempre uma investigação digna do famoso detetive criado por Sir Artur Connan Doyle para procurar por detalhes nas entrelinhas que muitas vezes nem existem.


E não se engane, meu caro amigo! Aquele visual básico e aparentemente desleixado foi programado milimetricamente para passar aquela imagem. Nada nas mulheres é não intencional. O modo como uma mulher age é sempre baseado em causa e efeito, há sempre uma razão e um porquê. Sabe aquela cor de esmalte escolhida na sexta-feira, provavelmente já foi escolhida pensando nos ”modelitos” que serão utilizados durante o fim de semana, de acordo com as intenções.


Alguém não atendeu ao telefone? Um marmanjo simplesmente pensaria que a pessoa não escutou o telefone. Ah mas as mulheres... Elas enumerariam todos os desastres possíveis e até impossíveis em alguns poucos minutos: assalto, assassinato, abdução e quem sabe até um ataque de uma horda de zumbis sucedido por holocausto nuclear.


E elas levam a causa e o efeito às últimas conseqüências: a observação dos detalhes. Ai do sujeito que, estranhamente, resolve chegar um pouco mais arrumado e com a barba bem feita no trabalho pois com toda certeza as amigas já começam a confabular a respeito de quem é ou será a próxima vítima. “Reparou no fulano, todo arrumado desse jeito em plena quarta-feira” diria uma, enquanto a outra retruca “Eu acho que ele está de perfume novo ”, “Muito suspeito”, diriam ambas com o veredicto já formado: fulano está de amor novo. Enquanto nós,marmanjos, mal conseguimos perceber que elas apararam as pontas do cabelo, ou que mudaram a cor do cabelo do castanho claro para o loiro escuro...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Reflexos no Espelho

Reflexos Espelho

Ele acordava todos os dias com a campainha do despertador, levantava-se ainda atordoado com o ruído e desligava o aparelho. Em frente ao espelho lavava o resto na água fria da manha e escovava os dentes, mas naquela manhã em particular ele se olhou no espelho e não se reconheceu. Estranhamente ele não se reconhecia naquele rosto envelhecido, parecia que aquelas rugas nos cantos dos olhos e na sua testa juntamente com aqueles cabelos brancos nas têmporas não o haviam acompanhado até então. No entanto, ele sabia que ninguém fica velho de um dia para o outro e que tudo aquilo era fruto de transformações que duraram anos.


Apesar de tudo ele sabia que o tempo e vida o haviam transformado naquilo, sabia que vida também o envelhecera por dentro. Sentia o peso de cada sonho que abandonara em prol de ser maduro, profissional e razoável. De quanto coisa ele já abrira mão para poder pagar as contas e manter aquele emprego, que apesar de não ser o trabalho que ele sonhara, ainda pagava bem. Ele parou para pensar nas mudanças e não conseguia se lembrar de quando trocara os tênis por sapatos e as camisetas por camisas sociais, nem tampouco de como a gravata lhe fora parar no colarinho.


Os dias se sucediam, novas rugas surgiam ao se olhar no espelho do armário do banheiro. O rosto cada dia mais envelhecido com os mesmos azulejos brancos de fundo, que coincidentemente eram da mesma cor que avançava a cada dia na sua cabeleira cada vez mais escassa. Até que um dia ele olhou o espelho e um ancião se mostrou refletido pela superfície. Ele estava velho e o pior de tudo: ele já não tinha mais sonhos...

domingo, 12 de setembro de 2010

Seguindo em frente...

Basset Hound

Ali no balcão daquele bar vagabundo jazia um copo vazio, as suas mãos ainda sacudiam o gelo do que seria o último drink da noite. Ele já se decidira a partir daquela taberna cheirando a fumaça e a bebida barata. Porém, antes de partir terminaria aquele cigarro, já aceso e pela metade, que pendia em seus lábios. Deu um trago, olhou ao redor, soltou a fumaça pela boca observando a fumaça serpentear contra a iluminação parca daquele bar e por fim contou algumas notas, colocando-as, em seguida, no balcão.

Ao se levantar, ele deu um último trago e apagou a bituca ainda acesa num cinzeiro de metal, afixado ao balcão. Saiu pela porta da frente e ao por os pés na calçada sentiu uma lufada de vento frio e úmido, que o obrigou a ajeitar o casaco. Agora, sentindo-se mais adaptado ao frio, pois um cigarro na boca e utilizando a mão em forma de concha para proteger o isqueiro do vento, acendeu-o.

Ele seguiu subindo a rua e pensando na vida, tudo que o levara até o presente momento. Pendou nas escolhas que tinha feito e que o transformaram naquele homem solitário, ranzinza, bebarrão e capaz de fumar tanto. Ele não tinha mulher, filhos, ou nenhum parente que pudesse considerar uma família, talvez um primo ou tio de quem há muito não tinha notícias, ainda estivesse vivo. A verdade era que mesmo que ainda estivessem vivos, ele pouco se importaria. A coisa mais perto de uma amizade que ele possuía era carinho daquele velho basset hound, que provavelmente já estava com os dias contados, afinal de contas um cachorro raramente dura mais do que os dezesseis anos que já tinha aquele animal.

Terminou mais um cigarro, jogou a pituca no chão e pisoteou-a com. Pensou que ele realmente, nunca fora um homem de envelhecer em família, com mulher e filhos esperando para o jantar. É, pelo menos ele podia chegar em casa tarde e cheirando a bebida barata, sem que ninguém o interpelasse. O melhor de tudo podia, podia sentar e escrever seus poemas vagabundos na velha Underwood sem que nenhuma viva alma o atrapalhasse. Tentou acender mais um cigarro, o vento não permitiu e ele praguejou:

- Maldito tempo, nessa porcaria de cidade!

E continuou andando, naquela idade não havia muito o que ele pudesse mudar em sua vida, ele só podia continuar seguindo em frente...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Flores no Concreto

Sinceramente, nunca fiz o tipo viajante, sabe aquelas pessoas que conhecem não sei quantos países e não sei quantas cidades. Creio que no máximo faço uma ou duas viagens por ano. No entanto, depois que minha mãe passou a trabalhar na Bahia, as minhas visitas ao aeroporto tornaram-se mais freqüentes.

Obviamente, que estas visitas ao aeroporto sempre me rendem alguns momentos de espera, que em geral eu aproveito para tomar um café, ler um livro ou mesmo comer um sanduíche. Apesar dessas atividades, é comum que eu me desvie daquilo que estava a fazer e me entretenha a observar as pessoas.

Eu sei que existem pessoas que gastam um bom dinheiro em passeios de barcos para observar baleias ou golfinhos, outros se enfiam durante dias no meio do mato para estudar aves ou primatas, porém eu chego a duvidar que qualquer um desses observadores da vida selvagem consiga se divertir mais do que aqueles que decidiram se tornar observadores de seres humanos.

Observando Pessoas

- E há aqueles que preferem observar os passáros...

Em minha opinião, os aeroportos são o arquipélago de Abrolhos para a observação das jubartes de duas pernas, o famoso bicho homem. Eu acredito que boa parte da natureza da espécie humana é revelada no momento que um ser indivíduo decide deixar uma cidade e partir para terras distantes. Sim, meu caro amigo, parece estar tudo revelado ali nos terminais de embarque e desembarque. A frieza dos homens de negócio vestindo seus ternos e gravatas impessoais e alegria dos turistas que visitam os trópicos com suas camisas floridas. O choro decorrente da dor da separação iminente dos casais de apaixonados, o beijo entre dois amantes que acabaram de perpetrar um homicídio contra a saudade e a distância. As lágrimas escorrendo pelas faces dos familiares que se separam e os pequeninos que pulam no pescoço do pai que chega de uma longa viagem de trabalho. Os aventureiros, que parecem descender dos caracóis, e carregam a própria casa nas suas mochilas.

Parece que na iminência da separação e nos segundos que precedem os abraços e os beijos dos reencontros, os sentimentos afloram naquele ambiente frio e inorgânico tão comum nos aeroportos tal qual uma flor que insiste em nascer no meio do concreto.

Flores No Concreto

- ... e mesmo nos lugares mais improváveis as flores insistem em nascer...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sinergia, Eleições e Telemarketing

Sinergia é, em minha opinião, uma palavra bem interessante. Ela de uma forma resumida diz que um sistema composto por vários elementos pode dar origem a propriedades ou comportamentos que não poderiam ser previsto pela análise isolada de seus elementos formadores.

Bem, como isso daqui não é Wikipédia, o caro leitor deve estar questionando o propósito dessa definição por aqui. Não se preocupe pode continuar lendo que você logo vai entender. Pois bem, existem duas coisas que eu definitivamente detesto e acho sem propósito uma delas é o horário eleitoral gratuito. Sinceramente, eu gostaria de saber por que certos candidatos achem que aparecer ali simplesmente dizendo seu nome e que apóia tal candidato a presidência vai me fazer votar no dito cujo. Sem contar as trocas de acusações clássicas entre oposição e situação. Um lado só acha defeitos na gestão anterior e outro só vê as maravilhas.

A segunda coisa que eu acho totalmente sem propósito é o tal do telemarketing, que eu costumo considerar a pior estratégia de marketing do mundo. O pessoal é mal treinado, insiste em tentar te empurrar a ladainha e o produto mesmo quando você demonstra claramente que não tem interesse no produto deles. Além de perturbar o potencial cliente no sossego do seu lar, porque parece que esses infelizes farejam as nossas cochiladas após o almoço nos dias de descanso. Esta perturbação dos cochilos domingueiros é algo que me faz morrer de inveja dos lugares civilizados, onde é possível optar por não receber esse tipo de mensagem.

E é justamente agora que entra a tal da sinergia! Alguns candidatos tiveram a genial idéia de utilizar o telemarketing para fazer campanha política e já dá para imaginar que as duas coisas possuem um efeito sinergético terrível que amplifica em alguns bilhões algumas milhares de vezes a chatice dos dois eventos separados. Sim, meus caros amigos, agora os candidatos “vão estar divulgando” os seus discursos vazios e falsas promessas nos nossos telefones. Eu só sei que eu não voto em candidato que faz propaganda via telemarketing? E você?


Telemarketing Político

- Boa noite, senhor meu nome é José e eu "vou estar repassando" uma mensagem do candidato Cicrano do PXYZ para o senhor.