terça-feira, 6 de julho de 2010

Nós somos o "como" nós consumimos!

Homem Venusiano Consumista

Se existe algo que é fato nos dias atuais é que nós vivemos em uma sociedade consumo e, portanto, a maioria das mega-corporações que nós vemos por aí, cresceu justamente devido ao consumo dos seus produtos que provavelmente foram preferidos em relação aos produtos da concorrente. Nenhuma dessas mega-corporações cresceu assaltando bancos ou seqüestrando pessoas, talvez o pessoal da Máfia Russa e Chinesa. As empresas buscam o lucro, essa é a função delas: gerar dinheiro para seus acionistas enquanto produzem os bens que os consumidores desejam consumir. Uma coisa totalmente certa é as empresas não produzem nada que os consumidores não estejam dispostos a comprar.

Indústria automobilística é um exemplo, inúmeras vezes as pessoas criticam dizendo que os fabricantes produzem carros grandes que consomem mais gasolina e poluem o meio ambiente e os acusam utilizarem a mídia propaganda para convencer as pessoas a comprarem esse tipo de carro. No entanto, eu penso que as pessoas por si mesmas já possuem a propensão a comprar esse tipo de carro, até pelo fato de existirem veículos menores e que consomem menos combustível e o pior de tudo até a preços mais acessíveis. A culpa dos veículos utilitários e beberrões serem bem vendidos vem dos consumidores que acham bacana utilizar um veículo maior com um motor mais potente para supostamente poder carregar um monte de tralha que eles nunca transportam ou para poder desenvolver mais velocidade, fato que não se concretiza devido ao tráfego urbano e aquele monte de semáforos que vemos nas avenidas.

Sinceramente, eu não creio que seja só uma questão de marketing e propaganda. Nunca vi nenhum comercial tentando convencer os consumidores a comprar carros com pintura cor de rosa exclusiva da série “Restart” por um preço bem mais caro e as pessoas pagarem uma fortuna a mais por que ter carros cor de rosa da série exclusiva “Restart” é última onda.

Sabe aquela indústria que ganha horrores de dinheiro produzindo de maneira antiética. A culpa do sucesso de tais empresas infelizmente é nossa que somos consumidores igualmente antiéticos que não nos preocupamos em saber da origem de produto, contanto que possamos comprar mais por menos, não nos importa se crianças estão sendo exploradas, se eles estão poluindo o meio ambiente. O que desejamos é nos dar bem poder comprar muito mais não importa as conseqüências. Em outras palavras uma indústria antiética é mantida por consumidores igualmente antiéticos, pois não se utilizam dos seus valores éticos na hora de consumir.

Sim, eu sei que aquilo que é produzido de maneira ética e sustentável, é geralmente mais caro. Isso se dever ao fato de serem contabilizados mais elementos ao longo da cadeia produtiva, ao tentar minimizar o impacto da produção desses bens ao invés de fingir que eles não existem. A minha pergunta é: Estará a sociedade de disposta a pagar esse preço? Eu posso até não ser aquilo que consumo, um carro off-road não me transformará em aventureiro e uma roupa de grife não me tornará uma pessoa da alta sociedade. No entanto, enquanto sociedade, nós somos o modo como nós consumimos.


8 comentários:

Daniela Ramalho disse...

Normalmente as empresas levam-nos a comprar mesmo sem precisarmos das quais, e aí está o maior poder que elas têm. Levar-nos a gastar em bens de que nem precisamos, só pelo poder da publicidade ou pela ideia de que tais produtos nos vão destacar na sociedade. E assim tanto é que muitas vezes nem nos importamos com a origem de tais produtos nem com a forma como são fabricados.
A maioria das grandes marcas utiliza trabalho infantil e no entanto continuamos a compra-las mesmo sendo contra o trabalho infantil.

Leonardo Xavier disse...

Daniela, eu penso que talvez as empresas só nos empurram produtos que não queremos ou não precisamos, somente quando nós abdicamos de pensar.

E a minha pergunta é: se eu sei que uma marca explora o trabalho infantil e continuo a comprar, eu também não estou a dizer para estas que elas podem continuar a explorando o trabalho infantil pois eu não me preocupo com isso e vou continuar comprando ?

Renatinha disse...

Isso, isso, isso. Acho que o problema não é da indústria publicitária, da mídia ou das empresas, mas da nossa sociedade, que padece de graves doenças a impulsionar o consumo descontrolado: vaidade, desequilíbrio, egoísmo, vazio, estupidez...O que esperar das relações de mercado e de consumo, de maneira geral, quando vemos pessoas rasas, que só se preocupam com a embalagem (corpo, carros, grifes, fotos), porque o miolo é quase nulo. Ô povinho triste que a gente é, não?

Camila disse...

A publicidade é só a ponta do iceberg. Há um graaaande sistema que nos estimula a comprar. A publicidade diz claramente: estamos aqui para você comprar. Porém, há muitas outras formas de nos dizer para consumir sem que nem percebamos e essas são as mais perigosas e influentes.

Srtª Amora disse...

esse texto bate um pouco com o que postei recentemente. Enfim, somos seres imitadores e não aceitamos ficar por baixo, nossa mente é consumida e induzida a consumir. e provavelmente isso só muda, se alguma coisa drástica acontecer.

Leandro Luz disse...

Qualquer coisa que eu disser aqui vai parecer mesquinha ou hipócrita!

Então, vou me limitar a dizer que achei o texto excelente e que voltarei aqui mais vezes.

Angélica disse...

A alma do negocio é voce!

Obrigada pela visita :)

Leonardo Xavier disse...

Bem Leandro, seja bem vindo, puxe um cadeira e fique a vontade.