terça-feira, 27 de julho de 2010

Imposição Religiosa


Eu não sou uma pessoa religiosa e também não tenho crença numa vida post mortem. No entanto, não tenho nada contra as pessoas viverem de acordo com os seus valores religiosos desde que não violem os direitos alheios de não viverem de acordo com esses princípios. No entanto, existem certas atitudes que algumas pessoas religiosas assumem que me são extremamente desagradáveis. Talvez a maior delas seja o modo como esses indivíduos tentam impor a sua fé e estilo de vida às outras pessoas.

Eu compreendo se uma determinada pessoa quer acreditar em um Deus, espíritos, entidades, Papai Noel ou gnomos por que isso lhe traz conforto espiritual e talvez por essas crenças possuírem valores com os quais elas concordem. Entretanto, eu não entendo de onde essas pessoas acham que tem o direito de, por exemplo, importunar as pessoas cansadas que voltam do trabalho no fim do expediente com os seus discursos baseados na fé impondo às pessoas aquela ladainha bíblica no transporte público, só restando duas opções serem adotadas: colocar os fones de ouvido, se você tiver com um mp3, no último limite ou descer do ônibus.

Outro fato que eu não consigo, e talvez até não queira entender, é como algumas instituições religiosas tentam fazer os seus lobbies para impor certos valores religiosos no sistema legal. Em especial o modo como a CNBB insiste em fazer lobby contra certos temas como pesquisas com células tronco, descriminalização do aborto ou união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Eu sinceramente sou favorável à pesquisa utilizando células troncos, independentemente se elas vierem de embriões que seriam descartados ou de novas metodologias para obtenção dessa células. Eu acho que se você é contra você pode muito bem se recusar a usar esse tipo de pesquisa ou caso num futuro próximo realmente se possa usar o conhecimento produzido por essas pesquisas para fins medicinais, você pode recusar o tratamento do mesmo modo que testemunhas de Jeová se recusam a receber transfusões de sangue e ninguém até hoje tentou fazer lobby para que as leis proíbam transfusões de sangue.

No entanto, mesmo não sendo favorável ao aborto, eu acho que é um direito que cabe as mulheres terem controle sobre o próprio corpo. Eu acho que nem Estado, nem tampouco a igreja tem o direito de forçar uma mulher a carregar um filho indesejado no seu organismo, ainda mais em caso de abusos sexuais. Se você, pessoa cristã católica é contra isso, simplesmente não faça. E eu creio que o mesmo deve valer para o casamento homossexual. Talvez as igrejas devessem em primeiro lugar cuidar das pessoas que cometem atos imorais dentro da sua jurisprudência como, por exemplo, controlar os seus padres que agem de maneira incorreta e praticam atos de pedofilia que tantas vezes são acobertados. E o pior de tudo é que poucas vezes se vêem religiosos indignados pedindo para que se afaste um padre cujo comportamento é indecente dentro dos valores da própria igreja.

Eu acho que os grupos religiosos deveriam aproveitar sua liberdade religiosa plenamente, no entanto eu acho que é inadmissível que se venha a impor valores seja lá de que religião goela abaixo da população que resolveu não optar por esse estilo de vida.

10 comentários:

Camila disse...

Aborto, casamento homossexual, células tronco... vê se num tá faltando mais algum tema polêmico! rs
Acho que a posição da igreja, em especial a católica, ainda é pelos resquicios da idade média quando eles tinham muito poder e determinavam a vida das pessoas. Hoje os tempos são outros e a igreja ainda se comporta como no século XV.
A função da igreja como pregadora de valores é muito importante para a sociedade, mas a imposição ou o lobby político são de outros tempos que não cabem mais nos dias de hoje.

S. disse...

Assino onde?
Beijinhos doces

Rafaela disse...

Adorei o texto, como sempre. Eu odeio quem quer impor suas opiniões a outras pessoas, detesto quando alguém se aproxima de mim tentando me converter. Eu não encho o seu saco e vc não enche o meu, sacou?? Com relação ao aborto sou totalmente contra, é uma opinião própria, não apoio ninguém a fazer isso mas cada é cada um, se a pessoa quer matar o filho, ser homossexual, gostar de axé é cada um com seus problemas. Acho que é tudo uma questão de respeito ao espaço alheio. Simples assim.

Belos e Malvados disse...

Assino embaixo. Linha por linha.

Lívia Azzi disse...

Questão de escolha...

Prefiro a salvação filosófica, por mim mesma, pela razão. Já que paga-se um preço muito alto por confiar a salvação em instituições ditadoras e dogmáticas que coibem a liberdade de pensamento em nome de um ser superior.

Abraço!

Hugo disse...

Cara, esse texto é tão lindo que eu vou responder ele com um post.

Felipe "Miro" 'Dreads' disse...

Sr Leonardo Xavier.

Também nunca fui muito religioso. E apesar de adorar criticar certas condutas religiosas que eu abomino eu acho absolutamente necessário todas as pessoas terem fé em alguma força superior, acho que é algo que, de certa forma, conforta o espírito.

Entretanto, o que acho repulsivo é a postura de certas crenças sobre determinados assuntos como os que você falou. E por causa disso adotam regras que transgridem os ambientes, tirando muito o foco do que a religião realmente significa. E vamos concordar que muitas regras não fazem lá muito sentido.

Por isso sempre achei fundamental a inexistência de qualquer grupo religioso. Afinal cada um crê em Deus, Alá, Buda, Shiva ou Jah do seu modo. Cada um tem sua própria crença. Participar desses cultos em massa é tão estranho que pode ser considerado como uma forma curel de alienação.

Leonardo Xavier disse...

Lívia, a minha pergunta é se será que realmente há necessidade de uma salvação? Seja ela pela filosofia, pelo amor ou pela religião?

Hugo, depois eu quero ver a resposta!

Miro, eu acho que é bem por aí cada um tem que achar o próprio caminho e deixar os outros escolherem os deles.

Mônica Wesley disse...

Religião = Ignorância. Somente...

Daniela Ramalho disse...

Mas a verdade é que essas religiões conseguem sempre convencer grandes massas de população e mesmo influenciar resultados de referendos. Em portugal, no primeiro referendo sobre o aborto, a igreja fez tanta pressão que o "não" acabou por vencer. da segunda vez acabaram por ser derrotados, tal como aconteceu com o casamento homossexual.