sábado, 31 de julho de 2010

Ilusões

Eis um dos fatos que realmente considero curioso dentro da cultura urbana: o quanto aparentemente as pessoas parecem ter perdido a noção de cadeia produtiva e o tanto que as facilidades modernas contribuem para esse fato.

Basta ir para o supermercado para perceber que a maioria das pessoas não observam muitas vezes nem o que estão ingerindo. Em geral, a carne já vem cortada e embrulhada em pedaços que dificilmente vêm nos lembrar que aquele pedaço de carne já foi um ser vivo e aí da maldita criatura que nos lembrar que aqueles pacotes lá já foram um ser vivo. Isso é extremamente perceptível pelo fato de que basta ver um documentário mostrando um abatedouro de animais que a maioria das pessoas fica horrorizada e quanto mais “evoluído” ou “fofinho” maior a indignação. A partir dessa alienação surgem aquelas pessoas que viram vegetarianos aos 40 anos, por que finalmente perceberam que comer carne implica em criar animais para o abate.

meat

-Carne é assassinato, hum assassinato delicioso!


Impressionante como se passa a acreditar que certas comodidades possuem uma origem mística apertou o interruptor a energia surge magicamente, ao girar a torneira a água é instantaneamente gerada e quando a gente bota o lixo para ser recolhido ele magicamente some como se houvesse um buraco negro, aliás eu acho que as pessoas em alguns casos acreditam que os rios também são capazes de realizar essa mágica de desaparecer com o lixo.

Talvez seja essa ilusão que criamos que torna tão mais fácil que abdiquemos de fazer a nossa parte ou que nos faz acreditar que muitas vezes como simples indivíduos não podemos fazer nada que cause impacto quando na verdade já estamos causando esses impactos através de nossas ações no cotidiano, acreditar no contrário é ilusão. A realidade lá fora é soma das ações de diversos indivíduos, não há uma grande massa coordenada pensando em criar caos urbano, poluição ambiental e querendo extinguir os ursos panda. Há apenas um grupo de indivíduos pensando e agindo de forma individual no momento de lucrar e usando a coletividade para se esconder na hora que é preciso ser responsável pelos próprios atos. Acreditar no contrário, também é ilusão.

ps: Ando meio cansado mentalmente, talvez tenha se tornado perceptível pela diminuição dos posts na última semana, que também é decorrente do fato de ter escrito um texto a respeito do Richard Buckminster Fuller lá para a revista Papo de Homem, por sinal primeira vez que eu escrevo especificamente para outro blog. Quem quiser conferir aqui está o link: http://papodehomem.com.br/homens-que-voce-deveria-conhecer-7-richard-buckminster-fuller/

7 comentários:

Lais Castro disse...

Opa! Vamos conferir o texto no outro blog! Abraço!

Mônica Wesley disse...

"hum assassinato delicioso!"[2] huahuahuahauh

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Adorei!

S. disse...

eu gosto de carne. sou má e pouco evoluida.assumo. posso resolver na próxima encarnação?

Leonardo Xavier disse...

S., eu também gosto de carne. Eu acho estranho é a postura que as pessoas têm que é meio: "Eu sei de onde vêm os bebês, mas mamãe é virgem!"

Daniela Ramalho disse...

Sim, eu gosto imenso de carne. Mas também gosto dos animais, pelo que prefiro nem pensar nisso. Mas nunca usaria peles de animais raros ou em extinção, nem comeria carne de tais animais :s

Belos e Malvados disse...

Lá pelo meio do filme Minha vida sem mim a personagem pricipal diz a seguinte frase: "Ninguém pensa na morte em um supermercado". Por isso todo mundo consome, consome, consome (tudo) sem pensar em nada. é ilusão mesmo.