quarta-feira, 2 de junho de 2010

Copa do Mundo, Patriotismo de Araque e Bolsa Copa

Bandeira do Brasil

11 de junho de 2010, ocorrerá a abertura da Copa do Mundo de Futebol na Africa do Sul e, como é comum nesses períodos antecedem essa competição futebolística, as cores verdes amarelas surgem por todos os lados e os vizinhos se reúnem para colorir as ruas com essas cores. Outra característica interessante é que dificilmente se vêem tantas bandeiras nacionais por aí, nem mesmo em se tratando de desfiles de sete de setembro.


Esses fenômenos são o ápice do que eu costumo chamar de patriotismo paraguaio, ou patriotismo de araque, que a meu ver demonstram o quanto o brasileiro no geral é fanático por futebol a ponto de confundir dar suporte a uma seleção nacional de futebol com dever cívico e nacionalismo.


Primeiro que nacionalismo, regionalismo e bairrismos são de certa forma coisas, em minha opinião, meio estúpidas. Por exemplo, você nasce em Foz do Iguaçu você é brasileiro, uma pessoa super legal, apreciador de samba, caipirinhas e mulatas, no entanto se você nasce alguns quilômetros de distância em Ciudad Del Este, você automaticamente passa a ser um hermano hijo de la puta que gosta de tango e do Maradona além de ter um maldito mullet. Eu acho que é tão válido quanto acreditar que um monte de combustível nuclear queimando vai influenciar no meu temperamento...


Quanto a questão de transformar o fato de dar suporte a uma seleção de futebol e gostar do meu país, ou melhor dizendo-se importar com uma comunidade da qual eu faço parte são duas coisas completamente distintas e distantes. Eu não sei por que torcer para uma seleção de futebol me faz menos brasileiro do que alguém. Eu não gosto daquele tipo de futebol e pronto, não traí a pátria, não desertei, não me vendi ao imperialismo Yankee. Eu acho que dar suporte ao seu país seria apoiar uma causa que proporcionasse mais dignidade aos seus concidadãos, no que eu confesso que sou omisso. No dia que alguém que faz esse tipo de trabalho dizer que é mais brasileiro do que eu por se preocupar mais com os seus concidadãos ou por trabalhar em diversos projetos sociais, eu até aceitaria de forma resignada.


Tudo bem se as pessoas querem torcer lá para o time nacional de futebol, haja visto que esse é uma esporte que desperta paixões, mas transformar isso em patriotismo, ao meu ver é um tremendo cinismo, pior de tudo é transformar em heróis da pátria jogadores que ganham copa do mundo e que ganham medalhas olímpicas. Pior do que isso só transformar aquele astronauta pilantra em herói nacional. Como se eles tivesses feito algo de realmente grandioso por nossa sociedade. Em minha opinião, um atleta é mais uma pessoa trabalhando no ramo do entretenimento e lazer, se ele ganhou uma medalha é por que ele é um profissional de destaque e meus parabéns para ele. No entanto ele é só mais um cidadão de uma das diversas áreas que geram impostos e contribuem para o desenvolvimento dos país. No ninguém me convence que impostos dos cidadãos que poderiam estar sendo utilizados para sanear problemas sociais de verdade, em vez de dar pensão para um monte de peladeiros esbanjadores, que ganharam mais dinheiro em 1 ano de contrato do que a maioria dos trabalhadores brasileiros ganham em uma vida, e que em geral acabam alcoólatras e na miséria. Por que essas pessoas são tão melhores do que nós? E por que não se dá pensões vitalícias a professores, pesquisadores, sociólogos, médicos, engenheiros, artistas que tenham obtido premiações internacionais?



12 comentários:

Felipe "Miro" 'Dreads' disse...

Patriotismo desnecessário... o Brasil é um país perdido...

Certa vez quando ainda estava naquela fase idiota da pré adolescencia me abracei na bandeira brasileira... me orgulhando do meu país arriscando algumas palavras do hino nacional... Me perguntaram o porque de tanta frescura... Pra que esse patriotismo idiota? Com o passar do tempo entendi porque aquela pessoa tanto repugnava ao ver meu amor pela pátria... Começou com a seleção brasileira de futebol... que me enchia de orgulho... mas depois vi o resto do país... com tanta merda acontecendo... desisti... meus heróis tanto do futebol como os heróis nacionais da nossa História viraram vilões... a bandeira se perdeu em alguma caixa pela casa...

Belos e Malvados disse...

É patriotismo com data marcada. Depois da Copa a bandeira vai prá gaveta, literalmente.

Rafaela disse...

Concordo com tudo que vc disse, absolutamente tudo! Inclusive estava falando sobre isso essa semana lá no trabalho. Coincidência é essa hein?

Leonardo Xavier disse...

Anne se o time não chegar as finais antes disso já tá na gaveta!

Natália Bongiovani disse...

Brasil, um país de tolos! Como sempre, você argumentou excelentemente bem! Parabéns!
Quanto ao post do meu blog, trata-se de uma situação complicada, que tentarei resumir. É o seguinte: faço estágio no Faesa Digital; lá, alunos de Jornalismo da Faesa são responsáveis pelo site da faculdade, fazendo reportagens e matérias. É um estágio de webjornalismo. Então, os meninos da equipe resolveram criar um projeto de podcast esportivo: Minuto Bola. Porém, antes que o projeto saísse do papel, os meninos do RadiAção, estágio de radiojornalismo da faculdade, plagiaram o projeto e gravaram antes. Isso gerou uma revolta interna. Mas, conseguimos gravar pelo Faesa Digital e, enfurecido, um dos estagiários do RadiAção publicou num blog particular que a equipe do FD é invejosa (bem o contrário, né?). Então, tiramos print e mostramos ao nosso chefe. Resultado: o pessoal do RadiAção está proibido de gravar qualquer coisa até que apresentem uma planilha com um projeto diferente do Minuto Bola. Espero que tenha entendido!
Beijos!

Natália Bongiovani disse...

Leonardo, infelizmente, o jornalismo é uma profissão traiçoeira e gera uma rivalidade tremenda entre os profissionais. Isso acontece porque muitos deles esquecem o caráter; buscam apenas o reconhecimento e deixam seus valores de lado. Tudo pelo furo de reportagem! É triste saber que o próprio jornalismo fortalece essa rivalidade. Mas, é claro que pessoas de bom senso sabem até onde podem ir. Plagiar um projeto de podcast para se tornar o pioneiro em multimidialidade dentro da faculdade ultrapassa todos os limites da falta de caráter. É muito triste.

Raquel disse...

gostei do protesto lá na plantação de jabuticabas, vou rever a publicação.

tbm gostei do "astronauta pilantra", tirou um sorriso do meu rosto.

Daniela Ramalho disse...

Em Portugal as pessoas põe nas janelas bandeiras que compraram "made in china", que têm as quinas da bandeira mal desenhadas. É mesmo muito estúpido :p Estão a meter a bandeira errada e nem percebem o patético da situação.

Leonardo Xavier disse...

Daniela, eu acho que já ocorreu da organização de um evento esportivo que eu realmente não me recordo, ter feito umas bandeirinhas do Brasil onde as proporções entre o círculo e o losango estavam erradas.

sáminina. disse...

nossa, eu concordo plenamente! sempre fiquei revoltada com o salário dos jogadores de futebol... é ridículo eles serem tão idolatrados assim a ponto de serem vistos como heróis nacionais - ganhando dinheiro em cima do "patriotismo" do povo, enquanto o próprio povo vive na miséria. tudo bem que são talentosos e se destacam no que fazem, mas dai serem vistos como herói já é exagero.

Cafeína disse...

acredito ser uma questão cultural, a ditadura nos deixou um "ranço" de que patriotismo é prejudicial. Aí pegamos os eventos esportivos como um momento que isso pode acontecer... talvez seja isso.

Lais Castro disse...

Oi Leonardo, muito boa postagem, concordo com você em tudo! Abraço.