sexta-feira, 18 de junho de 2010

Barreira Invisível

Vidro Vidro


Algumas vezes eu acho que eu me faço alguns questionamentos e depois fico me perguntando se esse tipo de coisa só se passa na minha cabeça. Enfim um deles diz respeito a como as pessoas interagem entre si ao dividirem o espaço.

Nesse aspecto, uma das coisas mais interessantes, a meu ver, é são aquelas pessoas que você nunca conversou na sua vida e nem tampouco trocaram sequer um bom dia, mas que de tanto freqüentarem um determinado lugar que você freqüenta, aquela pessoa chega a se tornar de certo modo familiar. E não que essa percepção me leve a uma curiosidade mórbida a respeito daquela figura, a ponto de ter vontade de conversar com essa pessoa, saber seu nome, o que ela faz...

No entanto, essa percepção me leva a refletir a respeito de quanto criamos certas barreiras em relação às outras pessoas ao dividirmos os espaços, e nessas horas parece que me vem a imagem de uma barreira de plástico transparente, separando as pessoas naquele espaço. Também paro pensar em quantas vezes assentos do ônibus são divididos por essas barreiras e as pessoas simplesmente entram, soltam um “com licença” bem protocolar, muitas vezes sem nem olhar para o rosto do camarada que senta ao lado. E parece que durante toda a viagem a barreira continua lá, às vezes não olhamos nem para o lado, e enfiamos nossas caras num livro ou revista, metemos os fones no ouvido, fazemos tudo que podemos para não lembrarmos que ali do lado também vai outros ser humano.

Eu fico pensando nesse fenômeno urbano que parece que vem tomando conta das nossas cidades que consiste em tornar os outros em simples objetos, como se eles estivessem todos lá simplesmente para fazer figuração para as nossas vidas. E fico pensando se ao desumanizar os outros, eu também não estou me seguindo o mesmo caminho e me transmutando cada vez mais em objeto e enquanto vou me tornando cada vez menos humano.

7 comentários:

Daniela Ramalho disse...

Ás vezes há pessoas que se metem nas conversas no comboio :P é deveras estranho quando isso acontece. Mas cria-se uma certa empatia com alguém que não vamos nunca voltar a ver muito provavelmmente

Lais Castro disse...

É uma boa reflexão, Leonardo! Eu ainda puxo alguns papos quando estou em algum lugar público, ou mesmo num ônibus...às vezes as pessoas me lançam um olhar estranho, mas me respondem... é engraçado!
Mas vc me fez lembrar do escritor Italo Calvino em seu livro Cidades Invisíveis, um dos capítulos trata dessa "solidão" do seres humanos... vou procurar reler pois esqueci o título, que é sempre de un nome de mulher...
Abraço,

Belos e Malvados disse...

Sou anti-social assumida. As exigências do ato de conviver me desgastam que é uma beleza. Não acho isso bonito, nem sei se é uma prerrogativa do mundo moderno cada vez mais individualizado, mas não luto contra. Também resolvi nem pensar a respeito.

S. disse...

E olha que somos um povo conhecido por ser afável e simpático. Imagine como deve ser em outros lugares considerados mais "civilizados". Beijos amorosos.

Pequeno Grande Mundo disse...

Bem, sou anti-social e tímida ao extremo, falar com pessoas q n conheço p mim é uma tarefa complicada demais. Acho q esse processo de tornar o outro em objeto se dá de outras formas e não por isso.

Leonardo Xavier disse...

Daniela, eu confesso que ainda não me mete em debates nos ônibus... no entanto eu não lembro o que o assunto, mas tinha um cidadão que falava cada absurdo que eu tive vontade de me meter.

Lais, eu acho que já teve uma senhora que costumava pegar o mesmo ônibus que eu, mais ou menos no mesmo horário. Era bem comum ir conversando com ela no ônibus.

Anne, eu acho que eu também não gosto muito de certas obrigações sociais: tipo ter que ir para uma cerimônia por que é importante para alguém. No entanto, eu gosto de conversar e interagir com as pessoas.

Karoll, eu acho que eu não posso falar muito nessa questão por que eu também me considero tímido e, sinceramente, acho que também sinto dificuldades em criar um vínculo inicial com as pessoas. No entanto, eu acho que na sociedade urbana a gente tem esse hábito de transformar as pessoas se não em objetos, pelo menos em paisagem.

Mônica Wesley disse...

Eu detesto q sentem do meu lado no busão. Maaas agora de volta a MG, percebo quão diferente é. Mineiro em sua maioria coversa com todo mundo. E um bom dia, um sorriso, poucas palavras de um desconhecido podem mudar nosso dia.