terça-feira, 29 de junho de 2010

Insônia

Nesse exato momento o relógio no canto da tela do computador me indica que são 01:30 da manhã de segunda-feira e, sinceramente, eu deveria estar dormindo. Estranhamente o sono não parece querer me fazer companhia e os pensamentos parecem agitar-se na minha mente. Parecem formar correntezas, que lentamente vão se transformando em serpentes até que enfim se transformam em turbilhões.

Talvez seja este um dos piores efeitos colaterais das crises de insônia o modo como os seus pensamentos se agitam e crescem exponencialmente, enquanto você realiza seu próprio monólogo interno na noite escura. E quantas idéias, medos, questionamentos e certezas não surgem desses monólogos transmutados em debates entres os diversos “eus” que dividem essa mesma carcaça.

E parecem que enfim as discussões vão cessando, enquanto a mente se acalma e os pensamentos já se assemelham a um lago tranqüilo. Agora, sinto meus olhos pesados. E espero que amanhã ao levantar, os monólogos tenham cessado.

sábado, 26 de junho de 2010

Eu Acredito em ETs!

ETs Extraterrestres

Eu acredito em ETs! Mentira! Eu não acredito em ETs coisa nenhuma. Como que eu vou acreditar em algo que eu nunca vi, mas eu acredito que existe uma possibilidade de existirem outras formas de vida em outros planetas. No entanto, até hoje ninguém efetivamente encontrou nenhum habitante de outro planeta e nem tampouco nenhuma evidência da sua existência (não me venham com as teorias da conspiração a respeito do caso Roosevelt, ET de Varginha e blabla-blah!) e portanto acreditar na existência deles seria um ato irracional e ilógico.


Arriscaria ir além e dizer que se por acaso aparecesse um indivíduo dizendo ter sido escolhido por uma raça de alienígenas para trazer alguma mensagem para o resto do planeta garantindo que os ETs falam diretamente com ele e que ninguém mais pode vê-los, provavelmente você iria chamaria esse indivíduo de doido e não ia levar a sério nada do que ele disse. Tudo bem, nem todo mundo por que tem gente para tudo nesse planeta.


No entanto, eu acho estranho quando tentamos usar a mesma lógica para as religiões. Algumas pessoas passam a olhar torto para você, elas acreditam num Deus que tem as mesmas evidências racionais para existir do que os ETs. Até hoje não há nenhuma evidência razoável da existência divina, nem de espíritos. As pessoas que dizem tê-los vistos em geral não conseguem mostrá-los para pessoas normais, ou seja, que não são aqueles médiuns escolhido pelas divindades como meio de comunicação. E o estranho é como essas pessoas não são tomadas por doidas, na verdade os judeus pareciam estar evoluindo quanto a este ponto quando pregaram um nazareno na cruz, mas aparentemente o serviço foi mal feito, pois sujeito escapou e voltou três dias depois.


Eu nem questiono o fato das pessoas terem suas crenças e acreditarem na existência de uma divindade suprema. Pode até ser que exista um Deus, eu só não acredito que ele tenha dado as caras até aqui. No entanto o que eu nunca consegui entender nas pessoas religiosas é como na maioria das vezes, elas parecem não conseguir suportar a idéia da existência de pessoas que não acreditam em uma divindade. Curiosamente, eu acho até interessante como elas até aceitam que as pessoas acreditem divindades distintas das suas, no entanto parece haver dificuldade aceitar que uma pessoa que não acredite na existência de uma divindade.


Enfim, eu faço minhas as palavras do Fernando Pessoa, expressas através do Alberto Caeiro:


Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!”

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ônibus, Agenda e Psicografia

Se Mônica Wesley tinha o seu Diário de Cubículo, agora transformado em Acónito. Eu penso que talvez esse blog devesse ter alguma referência aos ônibus, pois muitas vezes os textos são escritos, ou pelo menos os rascunhos deles, são escritos nos ônibus. Outra peculiaridade é que eu não uso cadernos para escrever os rascunhos, eu arrumei uma utilidade para as agendas que eu ganho e escrevo a maior parte desses rascunhos nelas, o que por sinal foi o melhor uso que eu já consegui dar para uma agenda. Todas as minhas tentativas anteriores de marcar compromissos, que é como uma pessoa civilizada deveria utilizar uma agenda, acabam durando menos do que 2 meses.

Enfim, começando a história que eu me propus a dividir hoje, lá estava eu na volta da universidade para casa o ônibus estava vazio e as idéias para um texto, que eu pretendia estar escrevendo no lugar deste, estavam borbulhando na minha cabeça. Como o banco do meu lado estava vazio, eu só consigo escrever se esse pré-requisito for atendido (tem cara que pede 6.022x1023 toalhas brancas para cantar por que eu não posso pedir um lugar ao lado desocupado no ônibus para escrever?). E sabe quando você começa a escrever rápido e agoniado para não perder as idéias? Pois bem, estava a escrever deste modo, com a cabeça baixa. Quando eu dou uma pausa e olho para o lado tem uma moça na outra fileira de assentos olhando para mim com uma cara estranha.

Eu como não estava, fazendo nada demais voltei para a agenda e continuei a escrever,entretando confesso que fiquei pensando por que a moça tinha olhado com estranheza para um cara rabiscando um caderno. E só consigo achar uma explicação: ela estava pensando que eu estava a psicografar cartas do além...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Das Enfermidades

Enfermidade


Eu sei que acontece a toda gente, mas que bela maçada é estar enfermo. Doem-me os miolos, dói-me o corpo e cansa-me o juízo. Sinto os nervos hipersensíveis e até o espírito se torna irritadiço.


Ah, sensação estranha essa de quedar-se enfermo. Sensação desagradável de sentir-se incomodado por simplesmente existir. Parece que tudo me é nauseante nessas horas: os sons, os cheiros, a luz, a dor e sensação de estar febril. Sinto-me incomodado de estar preso à minha própria carcaça, essa máquina cuja vida útil é limitada pelos meus genes e pelos meus maus hábitos. Em verdade, sinto-me incomodado até por existir.


Tenho a sensação de ser um estranho em meu próprio corpo, como alguém que por ter passado muitos anos longe em uma longa viagem, se sente um estranho em seu próprio lar de tão pouco familiarizado que está com os parentes deixados para trás ao partir nesta aventura. E que sabor amargo esse de sentir-se estranho onde se deveria sentir em casa!


Talvez seja isso que mais me incomode ao sentir-me doente: essa sensação de falta de comunhão para consigo mesmo. E quanto ranço e amargor há nessa experiência de sentir-se estrangeiro no próprio corpo!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Barreira Invisível

Vidro Vidro


Algumas vezes eu acho que eu me faço alguns questionamentos e depois fico me perguntando se esse tipo de coisa só se passa na minha cabeça. Enfim um deles diz respeito a como as pessoas interagem entre si ao dividirem o espaço.

Nesse aspecto, uma das coisas mais interessantes, a meu ver, é são aquelas pessoas que você nunca conversou na sua vida e nem tampouco trocaram sequer um bom dia, mas que de tanto freqüentarem um determinado lugar que você freqüenta, aquela pessoa chega a se tornar de certo modo familiar. E não que essa percepção me leve a uma curiosidade mórbida a respeito daquela figura, a ponto de ter vontade de conversar com essa pessoa, saber seu nome, o que ela faz...

No entanto, essa percepção me leva a refletir a respeito de quanto criamos certas barreiras em relação às outras pessoas ao dividirmos os espaços, e nessas horas parece que me vem a imagem de uma barreira de plástico transparente, separando as pessoas naquele espaço. Também paro pensar em quantas vezes assentos do ônibus são divididos por essas barreiras e as pessoas simplesmente entram, soltam um “com licença” bem protocolar, muitas vezes sem nem olhar para o rosto do camarada que senta ao lado. E parece que durante toda a viagem a barreira continua lá, às vezes não olhamos nem para o lado, e enfiamos nossas caras num livro ou revista, metemos os fones no ouvido, fazemos tudo que podemos para não lembrarmos que ali do lado também vai outros ser humano.

Eu fico pensando nesse fenômeno urbano que parece que vem tomando conta das nossas cidades que consiste em tornar os outros em simples objetos, como se eles estivessem todos lá simplesmente para fazer figuração para as nossas vidas. E fico pensando se ao desumanizar os outros, eu também não estou me seguindo o mesmo caminho e me transmutando cada vez mais em objeto e enquanto vou me tornando cada vez menos humano.

domingo, 13 de junho de 2010

Um Homem e seu violão...


Naquela tarde, ele se sentia bastante entediado, a verdade é que não havia bem um motivo para isso, talvez fosse só o silêncio da casa vazia. A verdade é que ele parece viver num ritmo diferente do resto das pessoas da casa. Enquanto todos procuravam manter uma vida social ativa, ele sempre fora daquelas pessoas que vivem internamente. Ele conseguia passar horas simplesmente lendo livros, ou simplesmente refletindo a respeito de alguma idéia.

Aquela tarde, porém era diferente, parece que brotava nele um sentimento de inquietação uma dificuldade permanecer ali naquele seu pequeno templo de silêncio a lendo, ou escrevendo alguma coisa. Surgiu a vontade de pegar o violão e dedilhar alguns acordes para ver se ao sentir a música saindo do instrumento de madeira e ressoando no seu corpo, entretanto as cordas do instrumento haviam arrebentado e ele ainda não tivera tempo de comprar cordas novas. Então ele soltou um impropério para si mesmo por ser essa criatura sem memória e displicente.

Tentou achar alguma música nos seus arquivos que compensasse a companhia do velho violão, mas parecia que tudo era barulho demais, até que ele lembrou-se de um velho disco do John Lee Hooker. E aquele álbum lhe veio à cabeça justamente por ser simplório era só um homem e seu violão, e parece que essa dupla foi tudo que ele precisava para sentir a paz interior voltar.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Aniversário do Discordando do Mundo


Bem hoje, 11 de Junho de 2010, o Discordando do Mundo completa o seu primeiro aniversário! Em outras palavras, faz um ano que os leitores são obrigados a aturar todo o besteirol que eu escrevo por aqui, assim como os amigos mais próximos e parentes também! Contando com esse foram 114 posts e talvez eu possa até dizer que o blog virou o meu vício.

Talvez se tenha um culpado para esse blog ter existido talvez tenha sido o Andrade(que por mais que eu implore não atualiza o blog dele a duzentos milhões de anos, eu também aprendi a ser dramático convivendo com ele!). Eu acho que eu até lembro de onde veio a idéia. Se eu não me engano tudo girava numa conversa a respeito de como eu achava o Pessoa fantástico e de como eu gostaria de conseguir escrever feito ele, mas eu garanto que daqui para o centenário do blog eu chego lá.

Eu lembro que no começo, por um mês ou dois o blog ficava na clandestinidade e sim, eu sei que não tem nada mais idiota do que escrever um blog que você não mostra para ninguém... Enfim, tem sido um bela aventura escrever por aqui e isso tem vário motivos: é interessante ver como suas idéias vão mudando ao longo do tempo e ver como você estava se sentindo algum tempo atrás, o quanto você mudou, é legal encontrar gente que tenha opiniões em alguns assuntos parecidas com as suas e , talvez o melhor de todos, encontrar gente que não concorda com aquilo que você pensa e que faz você rever os seus conceitos.

Também é bem legal, encontrar amigos que você não vê com tanta frequência e ele comentar que achou legal alguma idéia, assim como também algumas vezes parentes ou amigos de amigos que falam que acharam legal algo que eu escrevi, apesar de me deixar vermelho que nem um tomate um pouco encabulado.

Enfim, eu queria agradecer a todos que têm lido, divulgado e comentado aqui no Discordando do Mundo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Feriado, PC quebrado, Noivado e Maturidade

Bem do feriado de Corpus Cristhi para cá tudo tem sido bastante agitado. No fim da tarde da quinta-feira o meu pc deu defeito e foi fazer companhia para Hades lá na outra margem do Aqueronte. Então na sexta-feira, eu tive que dar um jeito de levar o computador para assistência técnica, o que me deixou ainda mais irritado pois descobri que eles levam cinco dias úteis para me dar um diagnóstico, sim diagnóstico e não me devolver ele reparado. O que me forçou a ter que tomar de volta meu antigo notebook que eu tinha doado a papai, que por sinal vou ter que instalar um monte de programas que eu uso na faculdade que eu havia desinstalado antes de doar para ele.

Juntando isso, mas o fim de semana agitado, aniversário de irmã e todas aquelas tradições familiares decorrentes disso, como se já não bastasse ter almoço em família e me alugar para ir a boate no domingo: Ela e o Augustinho resolveram noivar, o que me fez passar o domingo fazendo o social com a família do Augustinho, que por sinal realizou o pedido de noivado mais sem jeito que eu já vi, que me fez ficar amargamente arrependido de não andar com a filmadora para chantagear o Augustinho depois, afinal esse blog não rende muito dinheiro. E por fim, tendo que deixar a minha mãe no aeroporto no final do domingo.

Sinceramente, não foi um fim de semana ruim, mas sabe quando você sente falta de um tempo para si mesmo, aquela pausa para pensar um pouco na vida? Além do noivado ter me dado um tremenda sensação estranha. Eu fico contente por eles dois, mas ver sua irmã mais nova prestes a casar enquanto eu... hã... preciso amadurecer muito até chegar ao ponto de dizer que eu tenho uma vida, digamos, organizada.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Copa do Mundo, Patriotismo de Araque e Bolsa Copa

Bandeira do Brasil

11 de junho de 2010, ocorrerá a abertura da Copa do Mundo de Futebol na Africa do Sul e, como é comum nesses períodos antecedem essa competição futebolística, as cores verdes amarelas surgem por todos os lados e os vizinhos se reúnem para colorir as ruas com essas cores. Outra característica interessante é que dificilmente se vêem tantas bandeiras nacionais por aí, nem mesmo em se tratando de desfiles de sete de setembro.


Esses fenômenos são o ápice do que eu costumo chamar de patriotismo paraguaio, ou patriotismo de araque, que a meu ver demonstram o quanto o brasileiro no geral é fanático por futebol a ponto de confundir dar suporte a uma seleção nacional de futebol com dever cívico e nacionalismo.


Primeiro que nacionalismo, regionalismo e bairrismos são de certa forma coisas, em minha opinião, meio estúpidas. Por exemplo, você nasce em Foz do Iguaçu você é brasileiro, uma pessoa super legal, apreciador de samba, caipirinhas e mulatas, no entanto se você nasce alguns quilômetros de distância em Ciudad Del Este, você automaticamente passa a ser um hermano hijo de la puta que gosta de tango e do Maradona além de ter um maldito mullet. Eu acho que é tão válido quanto acreditar que um monte de combustível nuclear queimando vai influenciar no meu temperamento...


Quanto a questão de transformar o fato de dar suporte a uma seleção de futebol e gostar do meu país, ou melhor dizendo-se importar com uma comunidade da qual eu faço parte são duas coisas completamente distintas e distantes. Eu não sei por que torcer para uma seleção de futebol me faz menos brasileiro do que alguém. Eu não gosto daquele tipo de futebol e pronto, não traí a pátria, não desertei, não me vendi ao imperialismo Yankee. Eu acho que dar suporte ao seu país seria apoiar uma causa que proporcionasse mais dignidade aos seus concidadãos, no que eu confesso que sou omisso. No dia que alguém que faz esse tipo de trabalho dizer que é mais brasileiro do que eu por se preocupar mais com os seus concidadãos ou por trabalhar em diversos projetos sociais, eu até aceitaria de forma resignada.


Tudo bem se as pessoas querem torcer lá para o time nacional de futebol, haja visto que esse é uma esporte que desperta paixões, mas transformar isso em patriotismo, ao meu ver é um tremendo cinismo, pior de tudo é transformar em heróis da pátria jogadores que ganham copa do mundo e que ganham medalhas olímpicas. Pior do que isso só transformar aquele astronauta pilantra em herói nacional. Como se eles tivesses feito algo de realmente grandioso por nossa sociedade. Em minha opinião, um atleta é mais uma pessoa trabalhando no ramo do entretenimento e lazer, se ele ganhou uma medalha é por que ele é um profissional de destaque e meus parabéns para ele. No entanto ele é só mais um cidadão de uma das diversas áreas que geram impostos e contribuem para o desenvolvimento dos país. No ninguém me convence que impostos dos cidadãos que poderiam estar sendo utilizados para sanear problemas sociais de verdade, em vez de dar pensão para um monte de peladeiros esbanjadores, que ganharam mais dinheiro em 1 ano de contrato do que a maioria dos trabalhadores brasileiros ganham em uma vida, e que em geral acabam alcoólatras e na miséria. Por que essas pessoas são tão melhores do que nós? E por que não se dá pensões vitalícias a professores, pesquisadores, sociólogos, médicos, engenheiros, artistas que tenham obtido premiações internacionais?