domingo, 30 de maio de 2010

Nossa Senhora do Rodízio, rogai por nós!

Picanha

- Eu só começo a fazer dieta no dia que eles inventarem alface com sabor de Picanha!

Em geral, eu não falo muita coisa a respeito da minha vida aqui, no entanto se existe uma característica do autor deste blog é que eu sempre fui daqueles gordos convictos e, assim sendo, eu sempre fujo de dietas e nutricionistas tal qual o diabo foge da cruz. Apesar de admitir que talvez eu devesse me exercitar com mais freqüência.


Tergiversei demais, mas o fato é que nas últimas semanas minha irmã em conjunto com o Augustinho (depois da Grande Família virou sinônimo de cunhado para mim!) resolveram fazer dieta. O que os tornou obviamente companhias muito menos agradáveis por que eles não me acompanham mais no rodízio e tampouco saem para comer pizza, o que são de fato alguns dos programas favoritos de gordo.


Diante disso tudo, à conclusão que eu não gosto muito de gente que faz dieta, em primeiro lugar pelos motivos que eu mencionei anteriormente que consistem basicamente no fato destas pessoas não participarem dos meus desvios de conduta das minhas extravagâncias alimentares.


Segundo fato que me faz não simpatizar algumas vezes com as pessoas que fazem dieta é o jeito que elas ficam obcecadas com o novo estilo de vida e tem que anunciar para todo lado que elas estão de dietas, estão adotando um estilo de vida mais light e o quanto elas estão perdendo peso. Eu não se a pessoa comentasse uma vez tudo bem, mas em geral esse vira o assunto favorito da pessoa. No entanto, isso tudo é até suportável e vivemos num país democrático e todos possuem o direito de adotar o estilo de vida que bem entenderem, assim como liberdade de expressão para encher a minha paciência falando de dietas para expressar suas idéias e credos.


Não obstante os atos de masoquismo, a criatura recém entrada no mundo dieta tem o hábito de tentar angariar novos adeptos ao estilo de vida, feito aqueles religiosos chatos que ficam lendo a Bíblia dentro do transporte público. Aí começam a dizer que você deveria ir ao nutricionista, que você está gordo e que tem que cuidar da saúde antes que seja tarde. O que me faz desconfiar que os nutricionistas possuam um método de marketing semelhante ao utilizado naquelas escolas onde ao indicar um colega, se ganha um desconto na mensalidade. Os seres dietéticos adotam a velha postura: “não basta ser light, temos que transformar o mundo num lugar diet”, ou seja, se eu não posso comer picanha com aquela capinha de gordura, ninguém pode! Nessas horas só há uma única atitude a ser tomada: rogar a Nossa Senhora do Rodízio que nos livre da dieta e proteja o churrasco e a lasanha, amém!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Aeroportos

Aeroporto do Recife


Ontem, eu fui buscar a minha mãe no aeroporto e para variar eu sempre chego um pouco antes do horário com medo de chegar em cima da hora por causa de engarrafamentos. Enfim a minha espera de mais ou menos uma hora até que vôo da minha mãe chegasse e a espera me fez observar que os aeroportos são lugares frios e inóspitos, conclusões tiradas das minhas desventuras de viagens e vigílias feitas nesse local.

Começando pela iluminação, eu não sei se é impressão minha, mas todos os aeroportos que eu conheço possuem aquela iluminação, estilo iluminação de Shopping que dá a impressão que a gente está sob aquela iluminação de fim de tarde, não importa de que horas sejam e nem tampouco se o aeroporto se utiliza de iluminação natural. Eu acho que isso deve ser para a gente não perceber o quanto tempo a gente está ali esperando quando os vôos atrasam.

Sem contar que todo saguão de aeroporto tem aquela cara de sala de espera de hospital, aquela, você vê granito para tudo quanto é lado e aquelas cadeirinhas feitas de plástico e metal, geralmente pintadas de cinza. E por mais enfeitado que seja o salão você sempre tem aquela sensação inóspita de estar esperando numa emergência de hospital. Quando os vôos atrasam, você pensa que é hospital do SUS pela demora da vigília.

O pior de quando os vôos atrasam e você está morrendo de sono por que os vôos que atrasam parecem coincidir com os dias que você está mais ferrado, só conseguiu aquele vôo as 7 horas da manhã, provavelmente você acordou de madrugada com tudo escuro para dar tempo de tomar um banho, comer alguma coisa se deslocar para o aeroporto a tempo de fazer o check-in às 6 horas da manhã. Nessa hora você está morto de sono e recebe a informação de que o vôo que você iria pegar está atrasado é aí que você começa a identificar os passageiros do vôo atrasado. O que é uma identificação muito fácil e rápida é só olhar aquele pessoal deitado nas cadeiras horríveis de 3 lugares. Essas pessoas em geral me deixam extremamente irritado, não pela falta de civilidade, mas pelo fato de por eu ser muito grande não conseguir esticar as pernas direito quando tento fazer o mesmo.

Uma das saídas para esses atrasos é dar uma passada na livraria do aeroporto e comprar alguma coisa para ler, preferencialmente uma revista ou jornal. Por que não livros? Bem esse é outro ponto clichê dos aeroportos: os livros que estão lá para serem vendidos são sempre Best-sellers, livros de auto-ajuda, ou aqueles livros falando da vida do bambambam do momento, seus conselhos para o sucesso ou como entender a mente milionária do dito cujo. Eu acho que só melhorou um pouquinho depois do advento dos pocket books. Onde dá para achar uns clássicos com os precinhos camaradas.

Agora o cúmulo da #putafaltadesacanagem é quando você fica preso já no terminal de embarque, por que em geral só tem aquelas lojas do tipo duttyfree e aquelas cafeterias onde a gente sabe que vai pagar uns R$ 10,00 por um café com um salgado, geralmente de proporções minúsculas. Eu me pergunto o que faria o Santos Dumont se ele visse que a aviação iria resultar nessa balbúrdia...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sobre cartas de amor e lembranças



Eu acredito que o texto passado e os comentários que surgiram me levaram a seguinte reflexão: será que para se recordar das coisas realmente precisamos de meios físicos ou de registros. No caso das cartas de amor autodestrutivas era só uma piada, o público feminino do blog pode ficar tranqüilo que eu não vou tentar patentear essa idéia e nem vendê-la para nenhuma mega-corporação.

Os meios físicos sempre foram uma das formas de transmitir informação, seja através das pinturas, esculturas, livros e talvez boa parte da nossa capacidade de reconstruir a história venha desses meios. As cartas trocadas, diários e manuscritos de diversas personalidades históricas já foram utilizados para tal fim. No entanto, eu acho que quando se trata de sentimentos, eu me pergunto se esses registros realmente são capazes de captá-los tanto em intensidade quando em suas mais variadas nuances.

Tomemos o caso dos sentidos, eu acho que até agora todas as formas de transformar em registros nossas sensações, ainda não são capazes de alcançar todos os sentidos. Dificilmente uma fotografia que se tire do mar vai registrar a sensação da brisa que toca a nosso a pele enquanto estamos ali sentados na areia nem tampouco o cheiro da maresia.

Isso tudo me faz ficar pensando que as verdadeiras lembranças são aquelas que nós realmente carregamos conosco. Agora mesmo basta eu parar para pensar que eu consigo me lembrar de alguns momentos marcantes na minha vida, das conversas com as pessoas especiais, da imagem delas naquele momento marcante, do seu timbre de voz e dos seus cheiros. Eu particularmente sem nenhum desses registros consigo me lembrar de muitas conversas com o meu avô, do sabor das comidas que minhas avós faziam, do toque nos cafunés feitos pela minha mãe enquanto eu assistia televisão com a cabeça em seu colo. Consigo lembrar a sensação de ter um familiar cuidando de mim quando estava enfermo, da pressão daquele abraço apertado que consola as lágrimas, assim como o cheiro e gosto dessas.

Eu vou além e questiono: quem nunca pôs a cabeça no travesseiro e ficou ali deitado olhando para o teto a lembrar de uma pessoa especial, e quantas vezes não vivenciamos novamente a sensação de deslizar as mãos pelos cabelos dessa pessoa, de como a sua mão nos tocava. Quantas vezes essas lembranças não são fortes o bastante a ponto de podermos sentir novamente o perfume dessa pessoa. E talvez nenhuma carta nenhuma carta de amor realmente possa conter todas essas lembranças, por que a lembranças importantes nós sempre as tivemos e sempre as teremos carregadas conosco e gravada em um lugar lá dentro do peito. As cartas de amor e todos os registros podem até se destruir, mas as lembranças... essas vão sempre comigo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Esta Mensagem se autodestruirá em ...

Cartas


Depois de ler este texto do Belos e Malvados, que por coincidência antes mesmo de ler o link me veio um trecho do texto que é linkado lá: “Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.”. E tudo isto me lembrou de um episódio. Eu acho que estávamos fazendo uma arrumação na casa e não lembro por que motivo minha mães estava a arrumar o seu guarda-roupa, quando no meio daquele monte de coisas que misteriosamente conseguem caber nos guarda-roupas femininos surge uma caixa.

Nessa caixa, como todos podem adivinhar pela citação, continha inúmeros cartões postais que correspondem ao período que meus pais estavam noivos, com papai tendo conseguido um emprego na Bahia pouco antes deles se casarem. Recordo-me de achar engraçadíssimo ver como a figura sisuda do meu pai, tinha a capacidade de escrever cartas de amor. Ainda mais surpreendente me foi perceber que aquele homem sempre tão sério, prático e até um tanto avesso a manifestações de afeto pudesse encerrar postais com os tão meigos e ao mesmo tempo cafoníssimos: “mil x mil beijos”.

Depois disso tudo eu fiquei pensando o quanto o amor faz com sejamos todos ridículos e que por mais parvas que sejam as cartas de amor, elas têm essa capacidade de nos tornar um pouco mais honestos quanto ao que sentimos. No entanto, pensando bem direitinho, eu acho que as cartas de amor deveriam ser como as mensagens mandadas aos agentes secretos nos filmes de espionagem e se autodestruírem após seis meses, posto que isso é tempo mais do que suficiente para donzela apaixona ler, reler e suspirar com as linhas escritas pelo jovem mancebo. Ela abriria a carta e surgiria uma voz: “Esta carta de amor se auto destruirá em seis meses”. Pouparíamos-nos de muitos momentos embaraçosos no futuro.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Recorde de Bilheteria nos Cinemas!

Projetor de Cinema


Era tarde da noite e eu decidi tomar um copo d’água antes de me deitar. No caminho para cozinha me distraio com o meu pai assistindo televisão e passava um daqueles filmes onde há um protagonista capaz de fazer coisas extraordinárias, no caso uma versão mais madura de “Velozes e Furioso” afinal de contas o careca era de meia idade e dirigia um sedã preto.

Eu acho que o filme me chamou a atenção pela capacidade do herói de pular de uma ponte com o seu veículo e aterrissar num trem em movimento. Então a cena corta, entra um diálogo no interior do trem. O bandido explicando o seu plano maquiavélico, eu não sei por que diabos eles se explicam, a mocinha com maquiagem borrada pelo pranto, ela vê o carro do mocinho no topo da ponte e surge um brilho de esperança no seu olhar. E o vilão continua a explicar o seu plano diabólico inadvertidamente até que o nosso herói irrompe através da janela e pega o meliante de surpresa só se você tiver 10 anos de idade e salva a mocinha, dependendo de quão lascivo é o diretor rola uma cena de beijo ou o casal de protagonistas fornicam fazem amor.

Nesses momentos, eu realmente paro e penso que eu devo ser muito cruel ou detestar em demasia esse modelos de super-heróis perfeitos que nunca falham. Pois a vontade que me dá é reescrever e o final seria meio assim. O nosso herói saltando no trem em movimento a bordo do seu bólido e ultra-veloz, com a manobra perfeita e na hora que ele tenta entrar no trem. Ele bate no vidro, que não se rompe, e cai. Aquele sorriso sarcástico surge na face do vilão e transforma-se lentamente em uma gargalhada triunfante e enquanto isso a esperança se desfaz no rosto da mocinha dando espaço para um cara de #whatthefuck!, que provavelmente é igual a que deve ter surgido na platéia a essa altura do campeonato. Tudo isso enquanto nosso herói se estatela barranco abaixo. Antes que o público consiga se recuperar da sensação de #whatthefuck! surgem os créditos na tela!

Eu acho que um filme com esse tipo de final me garantiria recordes nas bilheterias, o maior número de pedidos de reembolso com certeza seria meu!

domingo, 16 de maio de 2010

Não julgueis para não ser julgado...

Balança de Pratos

Não julgueis para não ser julgado, assim me fala certo livro sagrado, para alguns. Eu acho que eu nunca consigo me conciliar bem com as escrituras e sua sabedoria, me parece impossível não fazer juízo do meu semelhante, assim como me é impossível não julgar os meus próprios atos. A idéia de se abster de fazer julgamentos me parece algo impossível, talvez até absurda.

Eu acredito que julgamos os indivíduos do nosso ciclo de conhecimentos o tempo todo, eu tenho certeza que você provavelmente deve estar me julgando também ao ler estas linhas. Sinceramente, não me ofendem ao me julgarem ou aos julgarem os meus atos, eu acho que pior seria se não o fizessem provavelmente significaria dizer que eu sou uma criatura tão desprezível ou tão rasa que não há nada ali para ser analisado.

Essa análise é uma característica natural do ser humano, já percebeu como se aprende tudo mais fácil se fizermos analogia entre algum conceito novo e um conceito que já temos assimilado? Quem ao conhecer alguém novo, não parou analisou tentar achar os pontos em comum ou as divergências, quem nunca fez juízo do comportamento de outrem. Não selecionamos na multidão de anônimos aqueles que são nossos amigos, aqueles que queremos amar e aqueles com quem dividiremos o tempo da nossa breve existência.

Sim, sempre julgamos e sempre seremos julgados. Eu até acredito que talvez não valha a pena julgar uma pessoa por motivos errados. Eu creio que talvez não seja justo julgar alguém por sua cor de pele, por seu sexo, ou mesmo opção sexual. No entanto, a verdade é que estaremos sempre ali julgando e sendo julgados. Algumas vezes seremos aprovados, noutras rejeitados, também aceitaremos e reprovaremos muitos outros indivíduos.

Quantas vezes já não fui medido, pesado, analisado e considerado insuficiente, e quem já não o foi?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Reflexões ao pôr-do-sol

por do sol

Talvez se exista uma verdade absoluta, quem sabe seja que somos todos sós? Pode ser que em algumas fases da nossa vida essa sensação de solidão suma devido a outras sensações que se sobrepõe a ela. No entanto, a verdade, é que somos solitários e por mais afinidade que tenhamos com outrem, este nunca nos entende por completo. E talvez fosse exigir demais que alguém pudesse compreender todos os motivos e razões que te fazem ser aquilo que és, se esse alguém simplesmente não estava lá.

Deste fato talvez venha a nossa solidão, nossas impressões e experiências pertencem somente a nós mesmos, e por mais que tenhamos compartilhado algumas vivências com certas pessoas, sem dúvida alguma essas pessoas vivenciaram a mesma experiência por uma ótica diferente. Por mais que tentemos compartilhá-las nossas vivências são sempre única e exclusivamente nossas.

Por mais que eu tente descrever o pôr-do-sol mais bonito da minha vida, você nunca o verá e por mais que suponhamos que as máquinas fotográficas ou filmadoras conseguissem copiar com exatidão todas aquelas cores e todas as nuances daquelas mudanças de coloração decorrentes desse pôr-do-sol, estes equipamentos talvez jamais fossem capazes de registrar a sensação do vento a bater na minha pele naquele instante, o cheiro que eu sentia naquele momento e, principalmente, nunca conseguiria registrar e transmitir o prazer que senti ao observar aquele crepúsculo. Por esse motivo, há sempre algo nesses fins de tarde que são só teus e de mais ninguém e o mesmo ocorre em todo e qualquer vivência que tenhamos.

Talvez por isso sejamos todos sós, ninguém é capaz de captar nossos sentimentos, pensamentos, angústias e aflições, todo o mar de sensações internas que se passam no nosso espírito e que ainda que assim desejássemos, talvez não nos fosse possível transmitir a outrem esta profusão de sensações associadas às menores experiências do nosso cotidiano.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Tragédia Grega!

Policiais Gregos Manifestações


Se há algo que todo mundo já deve estar sabendo é que os gregos estão passando por uma crise e que essa crise talvez se alastre para outros países da União Européia. E apesar de todo o esforço vem sendo realizado e do auxílio recorde, a verdade é que o governo helênico teve que apertar o cinto e aí que surgiram inúmeros protestos dentro do país.

Eu cheguei a ver algumas fotos na imprensa, nas quais era possível ver os manifestantes depredando prédios e entrando em confronto com a polícia, contra a qual atiravam pedras e coquetéis molotov.

Nunca fui contra protestos, eu sempre fui a favor de que as pessoas manifestações suas opiniões ainda que contrárias às minhas. Se os indivíduos, numa sociedade, não concordam com alguma atitude nada mais justo do que ir às ruas, carregando faixas e tentando chamar atenção para aquilo que precisa ser mudado. No entanto, isso deveria ser feito de maneira pacífica. Afinal de contas será que depredar prédios, agredir agentes de polícia e causar ferimentos as pessoas são atos que vão resolver uma crise econômica?

Manifestações Grécia Crise


sábado, 8 de maio de 2010

Campanha: Use o fone de ouvido!

Fone de Ouvido

Lá estava eu novamente no meu assento do ônibus, sinceramente estava até tentando tirar um cochilo com os olhos semicerrados, quando pelo canto do olho eu vejo uma figura se aproximando com uma lata de cerveja. Nesse momento, eu tive um mau pressentimento, confirmado alguns segundos depois quando o sujeito sentou ao meu lado. Sim, caro leitor, o detector de malas sem alça tocou! Em verdade, ele berrava!


Eu tentei escapar, usando a técnica de fingir de morto, na verdade eu me fingi de morto de sono, por que eu tentei cochilar e eventualmente, por estar com sono e com dor de cabeça, cochilei. Não obstante, o sujeito faz o favor derrubar o celular em mim, ato que obviamente me acordou. E seguindo os postulados da lei de Murphy, o sujeito, depois de ter me acordado, já foi logo puxando assunto, comentando do engarrafamento, falando que já devia estar em casa se não fosse o fato de terem atropelado a bicicleta dele. Sim, segundo o camarada um carro tinha passado por cima da bicicleta dele e destruído a roda, mas o oportuníssimo companheiro de viagem teve o seu prejuízo ressarcido pelo motorista. Também fiquei sabendo que através do monólogo diálogo com o meu mais novo amigo que ele desceria num ponto de ônibus que deveria ser aproximadamente uns dois ou três após o meu, tomem nota!


Nesse momento, eu realmente não estava com muita vontade de conversar, como já foi dito antes eu estava com dor de cabeça. E diante da minha negativa em dialogar, eu sempre procurava dar a resposta mais breve possível de preferência na forma de monossílabos. E depois de algum tempo parece que a minha falta de receptividade fez o meu caro a amigo se silenciar. Eu até pensei que faria um resto de viagem tranqüila, mas essa bela ilusão não durou por muito tempo. Quando eu menos esperava, eis que o meu companheiro de viagem saca a arma mais mortal já utilizada por pessoas inconvenientes nos ônibus: o celular com mp3. O mais legal é que esse tipo de sujeito sempre tem péssimo gosto musical, sinceramente eu não lembro o que ele escutava, mas era terrivelmente chato e barulhento para uma pessoa com dor de cabeça. O pior de tudo é que como ele iria descer depois de mim e o ônibus não tinha outros lugares desocupados, eu teria que aturar aquela música chata no último volume até o fim da minha viagem. Aparentemente, situação não poderia ficar pior, mas ficou: para aumentar o meu sofrimento o sujeito decide colocar o celular perto do ouvido, o que fez o meu incômodo aumentar ainda mais.


O jeito que teve foi catar o fone de ouvido na minha bolsa e colocar o Black Album do Metallica para tocar a todo volume, já que é para ficar com os nervos em frangalhos que pelo menos seja escutando algo que eu goste. E depois dessa tormenta, eu acho que a Empresa Metropolitana de Transportes deveria lançar a campanha: Use o fone de ouvido!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Décimo Primeiro Mandamento

Cruz Igreja

Apesar de não ter fé em nenhum Deus, eu sempre acreditei que cada indivíduo deveria ter plena liberdade para exercer sua religião, conforme prevê a constituição. No entanto, certas pessoas e suas atitudes me fazer querer mudar de opinião. Eu acho que um destes episódios me ocorreu hoje no ônibus de volta para casa.

Há um hábito irritante das pessoas religiosas é o costume de algumas vezes querer pregar dentro do transporte público. Em minha opinião, é extremamente desagradável uma pessoa aos berros dentro do transporte coletivo tentando impor no grito as suas convicções pessoais. Eu diria até que esta é uma atitude de certa forma até má índole, tendo em vista que por se tratar de um transporte coletivo, as pessoas não podem evitar tal tipo de pregação até que cheguem ao seu destino, ou até que o bom senso contemple o nosso caro pregador. Em outras palavras o direito que eu supostamente teria de não compactuar com a visão religiosa do sujeito é totalmente cerceado, sem contar que as pessoas o teriam direito de ir tranquilamente nos seus assentos sem ter que ouvir toda a sorte de baboseira e se concentrar em suas leituras ou diálogos com um amigo com quem esteja a dividir o assento, sem ser incomodados.

No entanto, hoje foi bem pior. Eu estava sentado lá quietinho lendo um livro tranquilamente até que duas moças sentaram justamente atrás do meu assento. E eis que a minha leitura é interrompida por um belo ensaio de cânticos religiosos, sabe aquelas músicas religiosas que possuem que possuem tantos “oooooh”, “aaaaah” e “uuuuuh” quanto música de axé baiano. Definitivamente eu ainda cheguei a virar e olhar para as duas figuras umas três vezes para ver se elas se tocavam, mas eu acho que provavelmente na igreja delas não deviam dar aula de bom senso ou bons modos.

Nessas horas, que eu sinto falta de certo cinismo na minha pessoa para me passar por possuído pelo demônio ou mesmo para soltar uns dois ou três impropérios. Eu acho que eles deveriam ter criado um décimo primeiro mandamento: Não importunarás ao próximo!

terça-feira, 4 de maio de 2010

A Guerra acabou ?




A final do Campeonato Pernambucano de Futebol, cujo jogo de volta será realizado essa quarta-feira, me fez voltar a escrever aqui sobre futebol. Eu confesso que eu não consigo entender em parte toda essa paixão das pessoas pelos seus clubes, não saberia dizer a razão mas a verdade é que o futebol nunca me empolgou tanto quanto a F1, talvez isso se deva ao fato do meu pai não gostar de futebol e nunca ter tido ninguém na família que me estimulasse esta paixão. Em verdade, me lembro de ter ido ao estádio assistir aos jogos pouquíssimas vezes, 3 ou 4 no máximo.

No entanto, como eu disse antes eu acho interessantíssimo o modo como o futebol consegue mover as massas. Em jogos decisivos é realmente fascinante ver o modo como os ânimos fervem dentro de campo e como as jogadas se tornam cada vez mais disputadas. Seria uma injustiça tremenda dizer que não há beleza no modo como as torcidas colorem as arquibancadas com as cores e bandeiras do seu time. Da irreverência que eles usam para fazer gozações com o time adversário.

Tudo isto enquanto dentro do campo ocorre o confronto entre as equipes, uma verdadeira batalha dentro das quatro linhas até que ao fim dos 90 minutos, o árbitro apita e o embate termina. Pelo menos acho que deveria terminar, mas sempre é o que se vê após os jogos. Infelizmente, parece que o confronto entre torcidas organizadas tem se tornado cada vez mais freqüente. Sem contar os freqüentes atos de vandalismo praticados contra o transporte público perpetuado por esses bandidos que se intitulam torcedores.

Esse tipo de comportamento deveria ser punido, afinal de contas vandalismo e agressão são crimes, independente se você está com um uniforme de torcida ou não. E a melhor forma de punir esse tipo de comportamento não poderia ser outra senão a proibição desses indivíduos de assistir aos jogos.

Futebol, em minha opinião, realmente deveria ser uma verdadeira batalha campal com jogadores dando tudo de si, torcedores disputando para ver qual torcida leva a maior bandeira, qual delas enche mais o estádio e quem faz mais barulho. Essa sim seria uma guerra bonita e, o melhor de tudo, sem baixas para nenhum dos lados.

domingo, 2 de maio de 2010

Uma Tarde de Domingo

Uma tarde de domingo


... E há certo sabor no princípio das tardes de domingos que é um misto de tédio e de mormaço. Surge-me, nesta hora, uma sensação de mal estar no espírito como se a alma fosse o corpo de um enfermo que não encontra um modo de permanecer em repouso que não lhe incomode o corpo. Nessas horas sinto-me assim no espírito: se repouso, sinto-me mal e, se por ventura, arrumo algo do que me ocupar, esta ocupação enfada-me e aborrece-me de maneira terrível.

... E como são lentos e custosos esses momentos, largo meu corpo no velho sofá e desisto de lutar contra essa sensação. Entrego-me a ela, enquanto aguardo que o sono entre pela sala e me leve para um lugar distante dessa sensação. E lentamente eu fecho os meus olhos e o sono chega.

... Eu acordo, já é noite e ao que tudo indica a sensação se foi, mas no próximo domingo voltará. Afinal, ela sempre volta...