quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um animal morrendo...

Algumas vezes, um homem de certa idade observa sua imagem no espelho e, desta, vez ele se observa como homem bicho e não como ser provido de intelecto. E a impressão que se tem, a partir de certa idade, é que todo o crescimento e desenvolvimento biológico já estão completos e que tudo que resta para o bicho homem é a decadência. Aparentemente, o que nos resta é esperar que pele se torne ainda mais flácida, que as rugas aumentem e multipliquem-se e que, por fim, os cabelos se tornem cada vez mais escassos e mais esbranquiçados.

Aquilo que observamos refletido no espelho, não é nada mais que o bicho homem e toda sua decadência anunciada na imagem refletida pelo espelho. Sim, lá estão eles, os tristes sinais de que o nosso fim está cada dia mais próximo. Esse mesmo fim que todos nós temos como certos e relutamos em aceitar. Esse ocaso da existência que compartilhamos com as criaturas animadas e não-animadas.

Deste ponto em diante parece que só há um modo de crescer e se desenvolver, alimentando a mente e o espírito. Talvez, seja nessa fase que algumas pessoas passem a dar conta da sua superficialidade e comecem a buscar conteúdo. Quem sabe seja realmente necessário que o homem enquanto bicho se degenere para que o homem enquanto intelectual possa emergir das profundezas daquela carcaça rota? Quem sabe tenha que ser assim: um animal morrendo... um intelectual nascendo...

3 comentários:

Mônica Wesley disse...

Homens se preparem para ficar carecas e broxas. Mulheres se preparem pra despencar! Comprem suas cadeiras de balanço e algo bom pra ler. o/
Podemos montar um asilo de blogueiros, q acha? Mas só vou ajudar a montar pq não fui tão ruim assim pra merecer viver por muita mais tempo. =***

Leonardo Xavier disse...

Eu acho que idéia do asilo de blogueiros parece bem bolada, quem sabe a turma não se junta e fica lá jogando carteado, damas e dominó.

^^

Rachel Chagas disse...

Bom, eu já estou me jogando na idéia do asilo, ameeei (!!) mesmo que me falte ainda alguns muitos aninhos para que eu chegue a ter idade pra ir... hauahuahuahuahuah
Lendo esse texto eu penso numa avó minha particular que ao ver suas rugas, acha que já não tem mais o que fazer aqui e, ao mesmo tempo morre de medo de deixar o tédio que por muitas vezes ela sente e, simplesmente partir. Bom, só sei que com ou, sem tédio, quero que ela esteja por aqui por bastante tempo ainda!