sexta-feira, 16 de abril de 2010

Na estrada

Na estrada

No dia em questão ele acordara razoavelmente decidido. Levantou cedo da cama, sem gastar tempo se espreguiçando, fizera um café da manhã simples, porém comeu o suficiente para não sentir fome por um bom tempo. Depois disso passou um bom tempo admirando a sala e prestando atenção as como estavam todos os detalhes, o velho sofá, os quadros na parede e o modo como os livros se encontravam displicentemente organizados nas prateleiras.


Decidido, ele foi até o quarto e pegou a sua bagagem, que havia sido arrumada na noite anterior, e um case contendo o velho violão. Saiu de casa colocou esses pertences na mala daquele velho carro e voltou para dentro de casa e começou a verter o fluido por todos os cômodos da casa. Ele seguiu até a varanda, acendeu um cigarro e jogou o fósforo para dentro da casa e sem nem olhar para trás segui em direção ao carro.


Destravou a porta, entrou e pôs a chave na ignição e partiu em direção a rodovia. E dessa vez, ao invés de fazer o retorno usual, ele seguiu direto, sempre em frente, sua vontade era de ver até onde iria a estrada. Afinal a partir daquele dia ele não tinha mais para onde voltar e, na verdade, já fazia muito tempo que ele não tinha para quem voltar.

10 comentários:

Rachel Chagas disse...

Posso falar?! Eu A-MO, esses (seus) textos cheio de detalhes... imagino a cena, como a pessoa seria, o rosto, imaginei os quadros, a varanda, o gesto dele jogando o fósforo fora. Muito perfeito, gosto demais de textos assim... já tentei escrever um livro assim cheio de detalhes (comecei um aos 14 anos), mas a vida foi trazendo compromissos atrás de mais compromissos e esse meu projeto foi sendo esquecido, até que se perdeu. E outra, quando peguei pra ler há alguns anos, depois também de alguns anos, achei HORRIVEL... uhauahuahauhauhau
Como nossas idéias vão mudando com o tempo, né?!
Sério, amei demais esse texto e sabe? Também faz tempo que não tenho pra quem voltar, tanto, que isso não me chega a ser mais um incomodo.
Volto todos os dias pra mim mesma e me abraço forte, e me sinto e, gosto de mim do jeitinho que eu sou, ou que eu era, não sei mais.

PS: Obrigada pela força, pelos conselhos e, por ainda não ter me abandonado, mesmo quando meu mundo se torna um poço de lamúria. Fiquei muito feliz por ter visto "você" lá.

Um beijo, ótimo fim de semana... fique com Deus!

PS 2: ah, espero ler mais textos desses, gosto de viajar lendo as coisas e pensando nos detalhes.

\o/

Rachel Chagas disse...

Jesus, que texto foi esse que eu escrevi?!!!
:O

Leonardo Xavier disse...

Eu acho engraçado esses lances de blog, você meio que acaba formando uma rede de amizades virtuais e a gente fica torcendo para tudo dar certo para esses amigos(por falar nisso eu lembrei daquela tua idéia do encontro).

Ah e quanto a questão da evolução dos textos, eu acho bem interessante. Eu acho que se comparar os que escrevi no começo do blog com os de agora já dá para notar um bela diferença imagina comparar com coisas de anos atrás?

Felipe "Miro" 'Dreads' disse...

"Que sensação é essa, quando você está se afastando das pessoas e elas retrocedem na planície até você ver o espectro delas se dissolvendo? - é o vasto mundo nos engolindo, e é o Adeus. Mas nos jogamos em frente, rumo à próxima aventura louca sob o céu."

Jack Kerouac...

Jéssica Fiaz disse...

Gostei muito, vc escreve muito bem ...

Rachel Chagas disse...

Eu viajo um pouco e, coincidencia ou não, logo após eu ter posto no blog a minha idéia sobre o encontro, li num blog (mãe, esposa, trabalhadora e dona de casa) que a autora estava programando um. Lá na casa dela mesmo, só que é em São Paulo... nas férias de junho ou, julho...
Eu me animei bastante, mas tambem sei que nao vai dar pra eu ir...

E esse lance de blog é bem bacana mesmo, aproxima pessoas distantes que ao mesmo tempo estão mais presentes do as pessoas que estão ao nosso lado...

Mônica Wesley disse...

Eu penso em fazer isso todo dia, mas como não tenho carro... a história não fica nada romântica... ao invés de pegar o bus pra rodria, acabo sempre pegando pro trabalho q é mais perto... mas um dia... uma dia... vai ser um daqueles que eu deixarei tudo pra trás e ponto.

Mônica Wesley disse...

Vc vi post anterior ao de Michelangelo.... mais ou menos isso que vc escreveu tão bem, fou o q eu quis dizer. =)

Raquel Castro disse...

Eu li seu texto e pensei que vc bem poderia continuar a história...rs É que por ser muito romântica imaginei o personagem encontrando alguém no meio da estrada, para ir com ele até o final dela...
Aff...ainda não aprendi que algumas histórias simplesmente não tem final(feliz)! rs

beijão!

Leonardo Xavier disse...

Raquel, eu acho que na vida real eu até gosto dos finais felizes e torço para que eles aconteçam. Infelizmente, nem sempre eles acontecem. No entanto, eu confesso que em se tratando de ficção eu acho que algumas vezes eu até torço para o mocinho se dar mal, eu acho que provavelmente por que na maioria das vezes eu detesto aqueles heróis românticos tentando me enfiar goela abaixo ideais de perfeição.