quarta-feira, 28 de abril de 2010

Recife Antigo

Noite no Recife Antigo
Ele desceu do ônibus no terminal do cais e seguiu caminho cruzando pelos tipos usuais que freqüentavam o local, fossem eles outros usuários do transporte público, vendedores ambulantes ou mesmo funcionários das companhias de transporte, até chegar à saída. Atravessou a rua e avistou as pontes, com suas iluminações noturnas refletidas nas águas turvas e poluídas do rio.

Daquele ponto, também era possível observar uma fração da parte histórica da cidade, com suas construções em diversos estados de conservação que variavam entre o completo abandono e belíssimos trabalhos de revitalização. Tudo isso, o aguardava na outra margem do rio.

Ele sentia certo misto de paixão e atração por aquela parte da cidade. Ele gostava das fachadas antigas dos prédios e dos contrastes entre os diversos graus de conservação ali presentes. Entretia-lhe o contraste entre prédios antigos e os grafitis realizados nas suas paredes. Aprazia-lhe observar os diferentes tipos de pessoas, de tribos ainda mais variadas, que freqüentavam aquela parte da cidade.

Enquanto todas essas observações e lembranças passavam-lhe pela cabeça, ele alcançara a metade da ponte. Ele para por alguns segundos para observar novamente as águas do rio. Então o som da música e o burburinho das pessoas a conversar se torna audível.

Dentro de alguns instantes ele seria mais um a aumentar aquele burburinho, discutindo toda sorte de assuntos numa daquelas calçadas em frente aos velhos prédios decadentes.

domingo, 25 de abril de 2010

Dos caminhos para a felicidade


Algumas vezes, por mais que a felicidade possa parecer algo complexo, eu acho que o caminho para ela deveria ser algo bem simples, pelo menos em teoria. Num primeiro momento, tudo que teríamos que fazer consistiria em fazer aquilo que nos dá prazer, manter as pessoas que nos fazem bem por perto, ficar longe daqueles que nos fazem mal. Em teoria tudo mais seria supérfluo.
No entanto, parece que nem sempre o mundo real e mundo das idéias coincidem. Nem sempre é tão fácil manter as pessoas que nos fazem bem ali por perto e, por uma triste ironia, algumas vezes elas acabam se afastando por diversos fatores, seja a própria questão da distância geográfica quanto o problema da falta de tempo.
E quantas vezes, não vamos para locais distantes, longe disso que realmente importa e nos apegamos a trabalhos a tarefas que nem sempre nos dão tanto prazer, mas nos toma o tempo que poderíamos estar dedicando a nossos entes queridos ou as atividades que realmente nos tornam felizes. O pior é que fazemos tudo isso achando que estamos seguindo o caminho correto, correndo atrás de uma suposta felicidade calcada em coisas materiais que uma vez possuídas não tem mais toda aquela importância que aparentavam ter anteriormente.
Sim, eu sei que as pessoas precisam algumas vezes fazer certos sacrifícios, por que sem sombra de dúvidas existem contas a serem pagas. No entanto é comum que na busca obstinada por coisas supérfluas, algumas pessoas deixem de dedicar a sua vida ao que realmente importa. Afinal de contas, os bens materiais que conseguimos deveriam servir para dar suporte a nossa vida e não o contrário.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um animal morrendo...

Algumas vezes, um homem de certa idade observa sua imagem no espelho e, desta, vez ele se observa como homem bicho e não como ser provido de intelecto. E a impressão que se tem, a partir de certa idade, é que todo o crescimento e desenvolvimento biológico já estão completos e que tudo que resta para o bicho homem é a decadência. Aparentemente, o que nos resta é esperar que pele se torne ainda mais flácida, que as rugas aumentem e multipliquem-se e que, por fim, os cabelos se tornem cada vez mais escassos e mais esbranquiçados.

Aquilo que observamos refletido no espelho, não é nada mais que o bicho homem e toda sua decadência anunciada na imagem refletida pelo espelho. Sim, lá estão eles, os tristes sinais de que o nosso fim está cada dia mais próximo. Esse mesmo fim que todos nós temos como certos e relutamos em aceitar. Esse ocaso da existência que compartilhamos com as criaturas animadas e não-animadas.

Deste ponto em diante parece que só há um modo de crescer e se desenvolver, alimentando a mente e o espírito. Talvez, seja nessa fase que algumas pessoas passem a dar conta da sua superficialidade e comecem a buscar conteúdo. Quem sabe seja realmente necessário que o homem enquanto bicho se degenere para que o homem enquanto intelectual possa emergir das profundezas daquela carcaça rota? Quem sabe tenha que ser assim: um animal morrendo... um intelectual nascendo...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Da Fortuna

Da Fortuna


Eu costumo perceber que em geral as pessoas se dividem em dois grupos quando tentam classificar os motivos que a levaram a uma determinada situação na vida. Eu vejo um grupo formado pelos céticos que acredita que tudo que os acontece é conseqüência das leis da ação e reação, portanto seu destino é regido somente pelos seus atos e escolhas. Enquanto o outro grupo acredita que tudo na nossa vida é regido por um ente mágico que nos traça um destino, seja esse ente Deus ou o caos.

Na minha concepção de mundo, não há a idéia de um Deus todo poderoso regendo o meu destino, mas eu acredito que há uma série de fatores na minha vida que foge ao meu controle e que também não são conseqüências diretas ou indiretas dos meus atos.

Talvez acreditar que todos os sucessos e insucessos na minha vida são determinados pura e exclusivamente pelas minhas atitudes seria de uma arrogância sem tamanho. No entanto crer no contrário, que toda a minha vida é determinada pelo acaso ou por algum ente invisível, seria de uma covardia sem precedentes...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Na estrada

Na estrada

No dia em questão ele acordara razoavelmente decidido. Levantou cedo da cama, sem gastar tempo se espreguiçando, fizera um café da manhã simples, porém comeu o suficiente para não sentir fome por um bom tempo. Depois disso passou um bom tempo admirando a sala e prestando atenção as como estavam todos os detalhes, o velho sofá, os quadros na parede e o modo como os livros se encontravam displicentemente organizados nas prateleiras.


Decidido, ele foi até o quarto e pegou a sua bagagem, que havia sido arrumada na noite anterior, e um case contendo o velho violão. Saiu de casa colocou esses pertences na mala daquele velho carro e voltou para dentro de casa e começou a verter o fluido por todos os cômodos da casa. Ele seguiu até a varanda, acendeu um cigarro e jogou o fósforo para dentro da casa e sem nem olhar para trás segui em direção ao carro.


Destravou a porta, entrou e pôs a chave na ignição e partiu em direção a rodovia. E dessa vez, ao invés de fazer o retorno usual, ele seguiu direto, sempre em frente, sua vontade era de ver até onde iria a estrada. Afinal a partir daquele dia ele não tinha mais para onde voltar e, na verdade, já fazia muito tempo que ele não tinha para quem voltar.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Futebol, paixão nacional ?

Paixão Nacional Futebol
-Isso que é paixão nacional!


Talvez eu nunca tenha escrito antes sobre o tema a respeito do qual vou escrever aqui no “Discordando do Mundo” hoje. Pois bem, o tema do dia é o futebol! A verdade é que ao contrário dos meu compatriotas, eu nunca fui um grande entusiasta do esporte bretão, no entanto muitas vezes me impressiona a capacidade desse esporte de mobilizar pessoas e despertar paixões.

A esta altura, o caro leitor, deve estar se perguntando aonde eu quero chegar com esse post. Pois bem, foram 2 os fatos que me trouxeram até aqui: uma campanha de um Fórum sobre o Sport Club do Recife, que um amigo ajuda a manter, e um passeio que eu fiz com um pessoal de fora da cidade pelo Recife Antigo.

A campanha que eu mencionei anteriormente consiste num projeto onde seria construído um gramado virtual com cerca de 10.000 m2 onde cada metro quadrado seria vendido pela bagatela de R$ 20,00 e cada torcedor teria direito a escolher o seu espaço virtual no gramado onde ele colocaria o seu nome. Sim, meus caros leitores, vocês fizeram as contas certas e o gramadinho virtual arrecadaria cerca de R$ 200.000,00. De certa forma é uma bela demonstração do tamanho da paixão e da capacidade de mobilização do futebol no nosso país. Eu acho que o Governo do Estado até já soube utilizar esse tipo de capacidade para aumentar a arrecadação usando o programa ”Todos com a nota” no qual as pessoas levavam as notas fiscais acima de um determinado valor e ganhavam entradas para as partidas no campeonato estadual. Simultaneamente acabavam contribuindo para aumentar a arrecadação de impostos ao forçar comerciantes a emitirem notas fiscais.

E finalmente isso me leva ao passeio que eu fiz no Recife Antigo, que é um dos locais da cidade que me deixam mais feliz. Eu acho que todo mundo que mora em um lugar deve ter o seu local mágico, onde você se sente mais feliz só de ter a chance de pisar lá. Pois bem o Recife Antigo é esse lugar para mim. No entanto, ao fazer esse passeio apesar de todas as belezas eu pude perceber que existem muitas partes dessa área da cidade precisando de reforma e mais atenção tanto por parte do poder público, quanto por parte das empresas que se situam no local.

Bem, e o que o passeio tem a ver com o futebol? Depois de ver toda aquela mobilização das pessoas para ajudar a recuperar um estádio de futebol. Eu fiquei assim pensando que, de modo geral, as pessoas sempre nutrem certo amor as cidade em que vivem ou em relação a sua cidade natal. E eu fiquei aqui pensando se todos não poderíamos usar essa mesma motivação que sentimos em relação ao futebol em relação aos espaços urbanos em que vivemos. Se as pessoas também tivessem a mesma capacidade de se organizar para cuidar da cidade e de seus problemas sociais, com o mesmo entusiasmo que se reúnem para confeccionar e comprar bandeiras para incentivar os seus times favoritos?

Talvez, nós devêssemos ter mais a amor ao espaço urbano em que vivemos e nos organizar como sociedade para resolver os problemas do nosso espaço de convivência e da nossa sociedade, sem esperar tanto pelo Estado. Por que não amamos nossas cidades do mesmo jeito que amamos o nosso clube de futebol favorito e nossa seleção? Por que as pessoas se lembram de ser nacionalistas e bairristas nessas horas e não nas horas em que o país ou cidade realmente precisa que sejamos atuantes?

sábado, 10 de abril de 2010

Da Velhice


Não tenho medo de ficar velho, não tenho medo que as rugas surjam, não tenho medo de ficar com cabelos brancos, nem tampouco tenho medo que os meus cabelos caiam, o que de fato já está acontecendo apesar de eu ainda me faltar pouco menos meia década para chegar aos 30 anos.

Não, não tenho medo de nada disso. Talvez até me preocupe a possibilidade de que o tempo faça minha vista escurecer e me retire o prazer da leitura e da escrita e que essa privação me impeça de ver o mar, as árvores, as pessoas e tudo mais que compõe a natureza. No entanto a única coisa que realmente me amedronta a respeito da velhice é me tornar um velho amargurado, do tipo que acha que não viveu uma completa.

Eu espero ter a felicidade de me tornar um senhor calvo com a pele toda enrugada, pela passagem do tempo, e que ao olhar para trás e veja que eu fiz tudo que poderia ter feito e não sentir nenhum arrependimento pelo modo como aproveitei a minha vida, esse pequeno intervalo de tempo na longa história do universo. Então, eu teria certeza que concedi aos meus pais a maior honra que um homem pode conceder a seus antepassados, que é viver uma vida feliz.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tudo Culpa da Mídia Sensacionalista!

Jornalismo sensacionalista

Se me perguntassem por que eu gosto de escrever aqui no “Discordando do Mundo”, eu acho que eu teria uma resposta muito simples: eu acho que escrever no blog me dá retorno. Não do ponto de vista financeiro, apesar de eu ainda ter o meu plano de ficar rico com o Google Adsense, mas do ponto de vista pessoal. Eu acho que muitas vezes os comentários ou mesmo o texto de outros blogs me levam a certas reflexões.


Justamente um comentário da Rachel Chagas, a respeito de não se verem as pessoas trabalhando em prol de melhorar a sociedade em que a gente vive, ficou me rodopiando na cabeça. Pois nos últimos dias justo a sensação que eu tinha dentro de mim do contrário, pelo fato de eu ter visto algumas palestras no TEDx São Paulo que eu realmente achei inspiradoras. No fim de tudo me veio a seguinte idéia: existe sim muita gente querendo fazer a diferença na nossa sociedade e muita gente que realmente que consegue efetivamente fazer a diferença.


Por mais pessimista que eu seja pessimista, e realmente sei que eu sou, na sua cidade provavelmente deve ter uma ONG, um grupo religioso ou mesmo um grupo de amigos que faça algum trabalho de inclusão social. Entretanto, é interessante como esses grupos adquirem certa invisibilidade perante a sociedade. Provavelmente, você já percebeu como grupos que levam adiante esse tipo de iniciativa por conta própria são negligenciados pelos meios de comunicação.


Você pode até alegar que é estatisticamente esse grupo de pessoas é pequeno, a quantidade de pessoas tentando causar um impacto positivo no mundo é irrelevante perante a sociedade como um todo. Contudo, ao abrirmos os jornais ou ao assistirmos telejornais, presenciamos todos os dias um grupo também igualmente insignificante do ponto de vista estatístico nas principais manchetes. Sim, basta acessar qualquer meio de informação e lá estão os criminosos e outros casos de desvio de conduta no topo do noticiário.


Desse modo só no resta descobrir de quem é a culpa, da mídia conspiradora? Não! Eu acho que vivemos numa sociedade de consumo, se escrever sobre assassinatos e corrupção atrai mais consumidores de notícias, obviamente que as pessoas responsáveis por selecionar, editar e publicar os fatos que estão ocorrendo na nossa sociedade irão optar por esse caminho. Afinal de contas, as pessoas respondem mais rápido a estímulos positivos. Você pode perceber isso até mesmo em alguns blogs, algumas vezes ele até tem um conteúdo legal e textos que possuem contribuições positivas, mas de repente o sujeito percebe que escrevendo sempre sobre os hypes da semana, ele atrai um público maior e, conseqüentemente, ganha mais dinheiro com publicidade. Chegando a um ponto tal de publicar notícias, ou melhor nãotícias, que não tem nada a adicionar.


E tudo isso me faz questionar essa postura que a sociedade como consumidora de mídia adota. Por fim eu faço o seguinte questionamento, se as notícias que mostram indivíduos gerando problemas sociais são tão fáceis de consumir? Por que a sociedade não se interessa em consumir notícias a respeito de pessoas que procuram minimizar estes problemas? Afinal de contas pessoas lutando por um mundo melhor existem aos montes, o problema é a sociedade parar para escutá-las e aprender alguma coisa com elas.

domingo, 4 de abril de 2010

Como fazer ?

Acompanhado das cobertas e do travesseiro, toda essa revisão passa pela sua mente e você fica se perguntando, se tudo que você faz condiz com o que você realmente acredita? Se todo sacrifício feito nos cotidiano realmente levam ao seu objetivo final? E tudo que você poderia fazer para realmente alinhar suas idéias e ideais de vida com a vida que você leva?

Disso tudo surge outro questionamento a respeito de como é breve a nossa existência e a dúvida se realmente há algum sentido nela. E junto com isso vem aquela vontade de mudar o mundo de fazer algo que seja significativo, que seja relevante e que possa deixar uma pequena marca da nossa existência na terra.

Juntando todas as dúvidas, as idéias e as análises, tudo que me veio a mente é que eu gostaria de estar fazendo algo mais impactante. Algo que seja capaz de transformar a realidade no entanto me falta descobrir um pequeno detalhe: Como fazer?