segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tédio e solidão...


Em alguns momentos da vida parece que a solidão surge como uma necessidade do espírito. Apossasse de mim uma vontade de se isolar e permanecer em silêncio. Vontade de não sair as ruas e dedicar-me a vagar pelos cômodos da casa vazia e por fim me sentar no sofá com uma de café e um livro nas mãos. Senta-me entretido a sentir o cheiro do café e sorver lentamente os goles enquanto leio tranquilamente aquele volume.


Tudo isso, enquanto deixo que os caracteres lentamente formem imagens na minha mente e deixar que essas imagens se misturem ao aroma de café que sobe junto com o vapor da caneca. Deixar tudo de lado e me distraio a observar a sala em que estou habituado a circular com certa estranheza, prestando atenção nos detalhes que rotineiramente me passam despercebidos: as pequenas imperfeições na pintura da parede, o padrões na cerâmica e no forro do sofá.


Chego a sentir inveja das pessoas solitárias que não dividem sua rotina com ninguém, podem usufruir desses momentos dedicados ao ócio e ao tédio sem ser interrompido por uma conversa casual e fútil. Sentir o tédio em cada respiração, cada detalhe novo percebido, na cortina flamulando, no modo com a luz projeta sombras na parede oposta à janela. Sensação de solidão e tédio que nesses momentos me parecem fazer bem à alma.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Este não é um post de Natal e nem tampouco de fim de ano!

Bem como o intuito do blog é Discordar do Mundo... então, este não é um post de Natal e eu não vou desejar boas festas para ninguém!


Comam e bebam à vontade!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Dois Pesos...

Propaganda ATEA
- Os causadores de toda a polêmica!


Recentemente uma associação de ateus tentou realizar uma campanha publicitária divulgando suas idéias em ônibus. Se já é impressionante o quanto uma sociedade se choca com idéia de alguém não compartilhar o mesmo preceito que ela, imagina-se haverá um choque ainda maior se alguém cogita na possibilidade da não existência da criatura divina.


Honestamente, os cartazes não me pareceram dizer algo realmente chocante. Exceto por um que mostra um foto dos aviões se chocando no World Trade Center. Porém, o que me choca é como dentro de uma cultura religiosa há uma intolerância sem tamanho contra aqueles que preferem não acreditar na possibilidade da existência de uma criatura divina. Mas chocante ainda é ver como uma campanha patética organizada pela ATEA arrecadou somente R$10.000,00 causa tanto desconforto. Eu não tenho noção de quanto custa anunciar naqueles cartazes, chamados de “Outbus” aqui no Recife, mas imagino que R$ 10.000,00 não dê para colocar muitos ônibus com a sua mensagem e provavelmente a probabilidade de alguém topar com um ônibus “herege seria” bem remota.


Enquanto isso na Sala de Justiça, nós temos grupos religiosos com uma verdadeira máquina de propaganda que gasta milhões (talvez até bilhões, quem vai saber?) de reais todos os anos. Somos bombardeados todos os dias nas ruas com propagandas dos mais diversos credos, santinhos, palavra do evangelho, missas televisionadas, emissoras compradas por evangélicos e que transmitem cultos e outros programas de cunho religioso. A liberdade de expressão e de culto permite que essas pessoas expressem suas idéias livremente e que muitas vezes eles incomodem as pessoas batendo de porta em porta, pregando sermões nos ônibus ou invadindo espaços públicos que seriam voltados para o lazer da população com seus alto-falantes a propagar seus credos. E o pior de tudo é que isso é justo! Talvez ser incomodado com idéias que eu não concordo seja um dos preços que se paga por ter liberdade de expressão. No entanto, muitas vezes alguns grupos religiosos ultrapassam esse limite e começam a atuar formando lobbies para impor seu conjunto de valores aos demais setores da sociedade, algumas vezes agindo de maneira pré-conceituosa e tentando evitar alguns progressos na nossa sociedade, como pesquisas genéticas e com células tronco e direito ao aborto e à união civil de casais homossexuais. Aí eu pergunto: Onde está seu Deus de amor, tolerância e compaixão que inspira o conhecimento agora? E porque eu não posso por sair por aí divulgando a idéia de que Deus não existe?

Deus está morto ou God is Dead
- A primeira pergunta está respondida, alguém responde a segunda, por favor.

Eu até entendo que para as pessoas educadas dentro de uma religião, seja chocante descobrir que alguém não acredita em Deus. Eu fui educado dentro do catolicismo e lembro quando ainda na infância eu acho que eu encontrei a primeira pessoa que dizia não acreditar em Deus: um colega de colégio. Lembro perfeitamente o quanto achei absurdo, mas sinceramente não me lembro de ter ficado com raiva do sujeito ou de tê-lo julgado um cara mau. Simplesmente me parecia estranho a idéia de alguém não acreditar em Deus, sempre haviam me dito que ele existia e que cuidava das pessoas. Entretanto, essa estranheza e choque não justificam o fato de se tentar silenciar as pessoas que divulgam essa idéia.


Choca-me ver o quanto alguns grupos religiosos da sociedade tentam impedir as pessoas de divulgar idéias e procurar viver uma vida cujos valores morais não sejam aqueles entregues por uma divindade que possui um projeto maior para humanidade. Afinal de contas essa tentativa de impedir ateus de divulgarem suas idéias nada mais é do que intolerância e pré-conceito disfarçados por um véu de liberdade de religião e de culto. E essa intolerância as idéias divergentes está tão consolidada que um ancora pode falar em horário nobre que ateus são “caras do mal” que “não respeitam limites”, sem que haja uma resposta efetiva da sociedade, mas também não é de se estranhar numa sociedade onde os ateus são um dos grupos mais hostilizados. Será que impedir os ateus de divulgar sua campanha não são dois pesos para a mesma medida?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Chico Buarque, o Jabuti e identidade cultural

Eu andei lendo sobre a polêmica em cima do prêmio tartaruga Jabuti que o Chico Buarque levou para casa pelo romance Leite Derramado. Parece que há certas controvérsias se ele poderia ter levado o prêmio de melhor romance com Leite Derramado, se já havia perdido na categoria ficções para o mesmo autor que ficou em segundo lugar na categoria romance. Enfim, mas o que me chamou a atenção foram as críticas e até petição on-line para que se devolvesse ou que se mantivesse o prêmio do escritor,cantor, compositor e boêmio.

Apesar de toda polêmica acredito que o escritor fez o que qualquer outro escritor faria, levou o peso de papel prêmio para casa o que eu não acho de modo algum criticável, talvez quem realmente merecesse as críticas fosse a organização do prêmio. No entanto, o que me surpreende é a polêmica em cima de uma premiação que ninguém realmente dá valor. Eu mesmo nunca comprei um livro porque ele ganhou um prêmio Jabuti e tampouco conheço alguém que tenha escolhido um livro por esse motivo. Eu até deixo a pergunta ao estimado leitor:Você já comprou um livro em decorrência deste ter sido premiado com o famoso prêmio literário tupiniquim?


No entanto, o que importa é que a polêmica me levou a seguinte questionamento: será que eu devo pautar o modo como eu consumo cultura nesses prêmios e nas listas de Best Sellers? Eu acho que quando decidimos comprar uma roupa ou objetos para nossa casa nem sempre a gente escolhe o mais vendido ou mesmo mais premiado. Em geral a gente acaba comprando aquilo que tem mais a ver com nossa identidade e aí que eu me pergunto por que não fazer a mesma coisa ao consumir arte ou cultura em vez de seguir a ditadura do Best seller ou da Billboard?



Chico Buarque


Minha visão particular sempre foi de que o impacto de uma obra depende tanto da obra quanto da nossa experiência de vida da pessoa. Lembro de uma vez ter chocado membros da minha família por dizer que não sentia identidade cultural com o Luiz Gonzaga, pois mesmo sendo nordestino eu nunca vivi no sertão que o Rei do Baião canta tão bem. Logicamente, como eu vou sentir identidade com as músicas que falam da vida do homem do campo no sertão e sua luta contra as intempéries, se eu sempre vivi em centros urbanos? E não é que eu não saiba admitir que exista beleza nos trabalhos do Gonzagão, mas essa beleza não reflete minha identidade. Talvez para alguém, com a minha bagagem seja muito mais fácil me identificar com os rios, pontes e overdrives cantados pela Nação Zumbi e o finado Chico Science, assim como suas referências aos problemas sociais presentes na realidade urbana.


Será que assim sendo, não se deveria tomar muito mais como referência essa questão ao escolher um livro? Será que ao invés de ir lá catar um livro da lista dos mais vendidos para ler não é mais bacana escutar uma referência de um amigo, cujos diálogos te adicionam algo relevante ou ir ler aquela referência obscura que algum dos seus artistas favoritos cita como influência?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Eco-chatos e sustentabilidade de verdade

Se tem algo que eu costumo dizer é que existem os eco-chatos e existem pessoas efetivamente preocupadas com o meio-ambiente e com a forma como lidamos com os bens de consumo e recursos naturais. Sinceramente, eu até respeito bastante certas ONG’s e creio que muitas das denúncia feitas por essas organizações são válidas. No entanto eu confesso que certas vezes eu acho que a coisa descamba para um fundamentalismo ecológico.

Exemplo, a WWF criando um formato de pdf que as pessoas não podem imprimir. Eu realmente me questiono se o marketeiro que criou um treco desses realmente pensa que as pessoas vão aderir em massa a idéia e que milhares de árvores serão salvas? Se uma pessoa tem consciência suficiente para não imprimir documentos que não precisam ser impressos, qual a vantagem do desenvolvimento desse tipo de arquivo? Depois, eu acredito que efetivamente algumas vezes é necessário imprimir certas documentações, afinal nem todo mundo possui um e-reader (Eu mesmo não tenho um ainda! Natal está chegando se quiserem doar um para o autor dessa espelunca aqui, eu juro que aceito de coração!) ainda e existem certos locais onde se poderia estar lendo um texto mas infelizmente não se tem acesso a um computador.


WTF WWF World Wildlife Fund

- Será que eu preciso classificar em que grupo de pessoas eu colocaria o criador desse formato? (Fonte: Meio-Bit)


No entanto existem certas iniciativas que eu acho válidas. Estou lendo um livro chamado “Cradle to Cradle” que eu tenho achado interessantíssimo para alguém que trabalha na minha área. Nesse livro os autores questionam o processo de desenvolvimento dos produtos atualmente que em geral é feito pensando no mundo de uma maneira cartesiana, ou seja um plano infinito no qual eu posso mandar todos os problemas para um lugar bem longe de mim e fingir que ele não existe. No livro se propõe considerar que ao elaborar um produto seja considerado sua destinação final e de preferência adotarmos uma construção que nos permite reutilizar a matéria prima novamente, sem que esta perca qualidade. Afinal de contas para que jogar fora um recurso que pode ser utilizado novamente?


Além de achar muito mais interessante por sugerir soluções para que as pessoas tenham acesso aos bens que elas necessitam de uma maneira sustentável, o que ao meu ver já conta muito mais pontos por ser uma proposta construtiva e por ser a favor da idéia de abundância. No entando o que me chamou a atenção, foi o fato dos autores implementarem as idéias na confecção do próprio livro.


Achei interessantíssimo pelo fato da capa e das folhas do livro serem feitas do mesmo material, que sinceramente eu não sei qual é examente mas lembra bastante a textura daquelas cartas de baralho e pelo fato do livro poder ser apagado com processos termicos e ter sua tinta recuperada e imprimir novamente outro livro usando as mesmas páginas. Ou seja as páginas do livro assim como a sua tinta seria um estrutura física para transportar idéias que poderia ser usada infinitas vezes. E sinceramente, a impressão não é nem um pouco desagradável, apesar do material ter apresentado um pequeno defeito para mim que é ser relativamente mais pesado que os livros de papel convencional.


Cradle to Cradle Sustentabilidade

- Leiam!


No livro são propostas muitas idéias me parecem práticas e bem implementáveis, outras aparentam ser inviáveis ainda, mas eu acho que é um livro que vale a pena ser lido por pessoas que trabalham desenvolvendo produtos, simplesmente pelo questionamento da visão atual e por mostrar que existem formas eficientes de se conciliar meio ambiente, sociedade e lucratividade.

domingo, 28 de novembro de 2010

About me!

Leonardo Xavier
- Algumas vezes eu sou um pouco ranzinza, só um pouco!


Eu não gosto muito de selos e nem de memes, mas como eu gostei da idéia do questionário e do desafio que a Mônica propôs. Aqui vão as minhas respostas!

1 – O que pretendo fazer antes de morrer?

Ficar muito velho, escrever um livro e ter um filho (super clichê, mas tudo bem!).

2 – Palavras ou expressões que mais falo:

“Lamentável”, “Lastimável”, “Sinceramente”, “Tá ligado?”, "Tranquilo" e “Sei lá”.

3 – Coisas que faço bem:

Comer, dormir e ler, mas eu confesso que a minha maior especialidade são os dois primeiros!

4 – Meus defeitos:

Eu sou ranzinza e resmungão, me falta carisma (eu acho que são pouquíssimas pessoas que gostam de mim “de cara”) e algumas vezes eu acho que exagero na sinceridade. Ah, eu também sou um pouco bagunceiro.

5 – Minhas qualidades:

Eu sou autocrítico e bastante curioso (não daqueles que gosta de cuidar da vida dos outros, mas para entender a realidade mesmo e garimpar novas idéias). E eu acho que em geral, procuro cuidar das pessoas que gosto.

6 – Coisas que eu amo:

Minha irmã (Natal tá chegando, é bom fazer média!), minha família em geral (apesar de ter dias que eu mandaria todos eles para câmara de gás, fácil, fácil). Eu acho que eu gosto muito de livros, sejam eles técnicos ou não.

7 – Blogs para participar do desafio:

Pátria Amada – porque eu sempre aprendo muito lá com a Lais e ela quase nunca fala de si mesma. E por que ela também é a dona de um dos blogs que tem as fotografias mais legais do Recife que é o Pedaços.

Catalepsia Produtiva – porque o Miro é um dos caras que eu gostaria conversar num boteco e por ser um cara pelo qual eu sinto uma certa fraternidade na rebeldia.

Camila Nascimento – porque eu gosto da sensibilidade nos textos dela e queria saber mais do que se passa pela cabeça da autora.

Retalhos de Psike – Porque apesar de conhecer a Sarinha, há muitos anos gostaria de ver uma versão dela por ela mesma.

Bocas Po Barulho – Porque eu gostaria de saber mais da garota da terra do Fernando Pessoa.

Eu acho que teriam outros blogs que eu gostaria de por aqui na lista, mas eu acho que dificilmente eles responderiam, pois andam reclusos ou estão meio inativos ultimamente.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Presos ao Passado

Bola Corrente Prisioneiro

Eu costumo dizer que os textos do blog são meus, mas eu acho que muito provavelmente eles pertencem aos meus botões. Pois, lá estava eu novamente num debate acirrado com os benditos botões e eis que eu chego à seguinte conclusão: é impressionante o quanto vivemos presos a certos momentos do passado.


Impressiona algumas vezes ver o como certas pessoas ainda arrastam consigo pendências, tal qual um prisioneiro fugitivo arrasta uma corrente amarrada ao tornozelo. E eu nem falo das cicatrizes, pois provavelmente todos têm as suas. Ali sempre presentes para nos recordar algumas lições aprendidas da forma mais difícil. Eu falo daquelas pessoas que parecem não conseguir se livrar de um determinado momento do passado. Seja ele bom ou ruim.


Então essas pessoas passam a viver uma vida mais pesada, arrastando aquele peso adiante consigo e alimentando uma dor ou uma glória que muitas vezes já nem existe mais. E parece que aquele peso atrapalha a pessoa de seguir adiante tal qual a corrente que mantém o prisioneiro na sua condição de cárcere. Assim, as pessoas parecem passar a ter medo de tentar algo novo com medo de que aquela dor do passado se repita novamente, como se deixar de viver por ainda se encontrar amarrado aquela dor, já não fosse revivê-la de forma contínua e perpétua.


Algumas vezes também acontece da pessoa estar presa um passado glorioso e parece querer reviver essa glória tantas vezes quanto seja possível. E nesse apego ao passado se esquece de seguir enfrente e conquistar novos motivos para serem felizes e novos feitos dos quais se orgulhar. Quantos escritores já não desperdiçaram a pena em tentativas de recriar uma segunda versão da sua obra prima, quando poderiam estar se reinventando e se aperfeiçoando? Quantos músicos já não afundaram em tentativas vãs de criar uma segunda versão para o seu grande hit, quando poderiam estar fazendo algo novo e sincero?


Enfim, por melhor ou pior que tenha sido algum momento do nosso passado, o verdadeiro caminho para viver plenamente consiste deixá-lo lá no instante pretérito ao qual ele pertence. Talvez só se livrando desse peso seja possível aproveitar o presente de maneira plena e seguir em frente.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Baratas!

Sinceramente, até alguns dias atrás eu nunca tinha encontrado um sentido para a existência das baratas e até concordava que elas são a prova da inexistência de Deus. No entanto, nos últimos dias eu passei a acreditar que talvez a barata tenha lá suas utilidades, pelo menos para nós portadores de cromossomos XY.

Sim, minha senhora! As baratas têm a sua utilidade! Elas servem para dignificar o homem ou pelos menos devolver certa glória perdida após a revolução feminista. A essa altura o estimado leitor deve estar pensando que diabos o Leonardo anda bebendo, mas calma que eu explico.


As baratas são a versão moderna dos dragões, em outras palavras: elas são a oportunidade de bancar o Cavaleiro de armadura reluzente nos centros urbanos. Basta surgir aquele monstro de seis pratas capaz de resistir a holocausto nucleares em um dos cômodos da casa para que possamos escutar a donzela em perigo gritando por socorro:


-Arrrrrrg! Uma barata! Socorro!


E lá vai o nosso herói moderno munido de chinelo na mão encarar a fera:


- Onde?


-Ali, por trás da cadeira, ai! Que Nojo! – diz a moça já subindo no que tiver pela frente.


Escutam-se todas aquelas sonoplastias típicas das versões toscas do Batman para TV. E tá lá o corpo estendido no chão! Nosso herói, todo orgulhoso perante a criatura malévola derrotada. E por fim a mocinha ainda reclama:


-Ai que nojo! Tira isso daqui!


E eu fico aqui pensando que matar os dragões era um jeito bem mais fácil de mostrar bravura, bastava matar o monstro, hoje ainda temos que limpar o que restou dele.



Baratas Cucarachas

Sim, elas são realmente perigosas!

domingo, 7 de novembro de 2010

Aprende!


Irmã se trocando para ir para o casamento, o Augustinho sentado lá no meu quarto conversando bobagem, enquanto esperava. Até que enfim o barulho do secador de cabelos cessa. Depois de alguns minutos ela entra no quarto já toda arrumada e manda a pergunta:

- Eu tou bonita?
- Sempre! - Eu respondo, afinal de contas tenho que garantir minha média, sabe como é natal chegando...
- Leo, você é tão fofo!
- Tá vendo Augustinho, aprende!

sábado, 30 de outubro de 2010

Ritos

Eu acho que como boa parte das pessoas eu tive uma educação religiosa, que em geral é aquela da família, e de certa forma minha família procurava praticar essa religiosidade de forma ativa. Fiz todos aqueles sacramentos e minha mãe costumava nos levar a missa no fim de semana e durante alguns períodos tenha até participado mais ativamente na igreja.


No entanto, eu sempre lembro do meu pai não ser muito afeito a missa, lembro-me do repúdio que ele tinha das carolas, que ele gentilmente apelidava de ”bem-te-vis de igreja”, e do modo como um desses padres superstar foi gentilmente apelidado de padre da batina cor de rosa pelo velho.


Os fatos mencionados anteriormente em conjunto com o fato de ser sempre difícil prever o que se passa na cabeça do velho, o temperamento dele varia do ranzinza a pilhéria alternadamente, nunca me permitiram enxergar o meu pai como um homem espiritualista.
Portanto, me causa certa estranheza quando vez ou outra ele pratica certos rituais como ajoelhar e rezar numa igreja vazia durante um passeio ou mesmo quando quando ele põe uma medalha milagrosa no carro da minha irmã para protegê-la. Assim como o modo que ele vai com as minhas tias deixar flores, rosas amarelas para ser mais preciso, no túmulo da minha avó no dia de finados, apesar de raramente falar nada ou contar histórias sobre os meus avôs.


E eu fico aqui me perguntando se todo homem não tem os seus rituais, se eu mesmo apesar da minha descrença não tenho os meus próprios? O hábito do café no meio da tarde, escrever para o blog no sábado ou mesmo ler um livro largado no sofá...

domingo, 24 de outubro de 2010

Sonho

Nevoeiro Sonho Praia



Algumas noites atrás sonhei. E no meu sonho eu era estrangeiro em um local que sempre me fora comum e familiar, mas no sonho sentia-me perdido nesse espaço como um bebâdo que não mais reconhece o caminho de volta para casa e erra pelas ruas madrugada adentro. Em suma, uma sensação terrível de sentir estrangeiro em sua própria pátria.


Nesse ambiente, que despertava sensações tão contrastantes, rostos estranhamente familiares demonstravam uma cordialidade que ressaltavam essa sensação de inadequação ao ambiente. No sonho parecia que cada gesto de cordialidade e de afeto ficavam na superfície e não me atingiam o espírito.


Ainda no reino de Morfeu, um velho conhecido dos tempo de colégio com o qual nunca tive uma amizade estreita, me chamava pelo velho apelido de colégio e abraçava-me entusiasmadamente. E me senti estranho com aquela manifestação de afeto inesperada cuja reciprocidade não existia. Senti-me completamente estrangeiro de mim mesmo.


Saio dali e vou para um apartamento, tão impessoal quanto um quarto de hotel. E apesar de tudo, parece que aquela impessoalidade me faz sentir mais confortável. No entanto, surge um sensação de querer voltar para casa. E resolvo que deveria dar um último passeio antes de partir. Ansiosamente, procuro por algo, que não sei bem o que é, em meio a gavetas desorganizadas. Encontro uma máquina fotográfica, mas não parece ser em fotos que eu gostaria de registrar este último passeio em terras estrangeiras.


A camera fica onde estava , mas eu abandono o quarto e sigo meu caminho pela orla que se encontra estranhamente fria. Ventos batem em coqueiros com um céu acizentado ao fundo, do lado oposto da pista de asfalto um muro. E no muro muitas pessoas pintadas em tamanho diminuto mas com uma gama de detalhes e diversidade infinita. A tal ponto de eu ter a impressão de que aqueles rostos não acabam nunca e tampouco se repetem.


Eu acordo e decido registrar o sonho, como se realizasse um último desejo daquele outro “eu” estrangeiro de si mesmo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sentido Proibido


Algumas pessoas querem querem mais dinheiro, eu só queria fazer mais sentido...


Sentido Proibido
- Sentido Proibido!

sábado, 16 de outubro de 2010

Todos têm direito a opinião desde que concordem comigo!

Duas coisas me chamaram a atenção nessas eleições: a poluição no espaço urbano pelos candidatos e partidos e o modo como as pessoas não sabem respeitar a opinião alheia.

Sobre o primeiro aspecto eu já escrevi alguns textos anteriormente aqui no blog e até para o Papo de Homem (leia aqui, aqui, aqui e ali). E já cheguei a até a discutir antes mesmo da campanha eleitoral o modo como organizações religiosas tentam impor seu modo de vida na sociedade e quanto eu acho que isso é maléfico para uma sociedade laica (aqui). E eu acredito que talvez hoje seja dia de falar sobre a questão de respeito à opinião alheia.

Durante todo o processo eleitoral eu tenho recebido correntes de e-mail falando mal de ambos os candidatos. Coisas absurdas como dizer que o José Serra é calvo porque a besta botou a mão na cabeça dele ou que a Dilma usava a peruca para esconder a marca da besta e, honestamente, me chocava ainda mais ver que gente com capacidade cognitiva funcional se passando a espalhar tanta desinformação.

Algo que também me irrita é a clássica postura de que as pessoas inteligentes e preocupadas com o país são as que voltam no meu candidato, as pessoas que votam no outro candidato ou são membros da elite exploradora do povo ou são um bando de morta-fome flagelados da seca. Também me irrita a idéia propagada de que se um candidato for eleito eles vão acabar com os programas sociais todos ou que se o outro for eleito teremos uma ditadura socialista.

Isso sem contar quando se descamba para o voto de classes: mulher vota em mulher (como se eu fosse escolher um candidato por afinidade cromossômica), depois vem a questão de castas, dos grupos religiosos, os regionalismos. E ir de encontro a esses critérios significa que você é necessariamente, sexista, um herege, pária da sociedade e o pior de tudo: agora você também passa a ser contra o desenvolvimento regional.

Ainda mais interessante é o modo como isso é divulgado nas listas de e-mail, twitter, Orkut, mesa de bar e demais meios de interação social e como nessas discussões muitas vezes se perde o respeito total pelo amigo, colega de trabalho, conhecido ou mesmo parentes. Prevalece a regra de que todos têm direito a opinião desde que concordem comigo.

domingo, 10 de outubro de 2010

O embate

Sem sombra de dúvidas uma das maiores dificuldades de tentar manter um blog funcionando é encontrar temas e inspiração para continuar escrevendo. Eu acho que a questão do tema seja até mais fácil de contornar. Basta manter um caderninho com aquelas idéias que você queria falar na outra semana e não teve tempo. Faltou tema, você vai ao caderninho e puxa um. Em resumo, a velha técnica de estocar para o inverno.

A questão da inspiração já é mais complicada principalmente para quem escreve de forma amadora. Algumas arrumar a inspiração, é um embate entre pugilistas. Escriba contra a tela em branco. Primeiro a etapa da pesagem onde o escritor, ou arremedo de escritor, e o papel em branco se encaram furiosamente e ocorre aquela clássica provocação seguida de insultos verbais às respectivas progenitoras.

 boxeadora olhar sensualDuda Yankovic

- Não era bem desse tipo de encarada e provocação que eu estava falando.

Sucede-se o aquecimento, onde o escriba com pouca inspiração procura arrumar as canetas, se você for “old school”, ou posiciona-se na frente do computador com o editor de textos abertos, caso ele seja mais moderninho. Dependo do escriba, a preparação de uma caneca de café pode muito se incluir nessa etapa.

Finalmente o gongo soa, cursor piscando na tela em branco e encara o arremedo de escritor que começa a atacar a tela em branco. Esta, por sua vez, zombeteia da falta de “punch” na frase recém escrita. O escritor ataca com uma nova sentença, mas fraqueja diante da falta de uma conexão adequada para os parágrafos. O branco acerta um direto em cheio e faz pilhéria da falta de frases de efeito. E assim se dá a peleja, frases à frase ou interrupção a interrupção. O cronista cambaleia e, como o juiz estava desatento, aplica um golpe baixo, técnica da crônica da falta de inspiração e assunto. Nocaute! O juiz ergue o braço do escriba!

Boxeadoras Nocaute
-Nocaute!

sábado, 2 de outubro de 2010

Preciso falar com você...

No cotidiano, o modo de falar muitas vezes permite prever o que se espera de você sem que nada seja dito anteriormente. Todo indivíduo deve ter pelo menos uns três nomes no convívio doméstico. Um para o cotidiano quando tudo se encontra no devido lugar, um segundo que geralmente demonstra que alguém está aborrecido com a sua pessoa ou que você fez uma burrada homérica e um terceiro para os momentos de carinho ou quando pretendem te amaciar para pedir um pequeno favor. Antes mesmo que o restante da frase seja dita, já é possível imaginar a intenção das pessoas, simplesmente por essas denominações.

O mesmo vale para certas expressões, quem não sente que acabou de entrar numa roubada quando é comunicado que “necessitam de um favorzinho seu”? Venhamos e convenhamos, meu amigo, quem realmente quer pedir um favorzinho não faz cerimônia, simplesmente pede! Sinal dobrado de furada é quando aqueles parentes distantes, com os quais você mal mantêm contato, resolvem te ligar. Eles não precisam dizer nada, você já sabe: está convidado para um belo de um programa de índio.

No entanto, a pior de todas as expressões é o tal do “preciso falar com você”. Basta que essas palavras sejam pronunciadas para que passe aquele filme de estudante ginasial, ou do ensino fundamental para os mais jovens, pego em flagrante a aprontar travessuras. “Preciso falar com você” é como o terrorista barbudo a 5m de distância sorrindo e mostrando os explosivos, enquanto aperta o botão do detonador: você já sabe que não vai escapar! Assim é o “preciso falar com você”, um alerta de que você pisou na bola e que em poucos segundos virá um sermão inevitável...

preciso falar com você

- Preciso falar com você

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Texto no Papo de Homem

Saiu um texto meu lá no Papo de Homem sobre a questão das Campanhas eleitorais, se alguém se interessar:

“Se eu for eleito, prometo limpar toda a sujeira que espalhei pelas ruas…”


sábado, 25 de setembro de 2010

Causa e efeito

Causa e Efeito


Sinceramente, o comportamento feminino é algo que me fascina. Nada melhor do que nesse “big brother” da vida do prestar atenção nos detalhes de como elas se comportam diferente dos marmanjos no que tange os pequenos detalhes. Talvez um dos que me chame mais atenção seja o fato de que para as mulheres tudo seja regido pelo princípio da causa e efeito.


Nada para as mulheres é somente aquilo que realmente é há sempre uma conspiração atrás de cada comentário e de cada elogio. Um comentário para uma moça nunca é um simples comentário, há sempre uma investigação digna do famoso detetive criado por Sir Artur Connan Doyle para procurar por detalhes nas entrelinhas que muitas vezes nem existem.


E não se engane, meu caro amigo! Aquele visual básico e aparentemente desleixado foi programado milimetricamente para passar aquela imagem. Nada nas mulheres é não intencional. O modo como uma mulher age é sempre baseado em causa e efeito, há sempre uma razão e um porquê. Sabe aquela cor de esmalte escolhida na sexta-feira, provavelmente já foi escolhida pensando nos ”modelitos” que serão utilizados durante o fim de semana, de acordo com as intenções.


Alguém não atendeu ao telefone? Um marmanjo simplesmente pensaria que a pessoa não escutou o telefone. Ah mas as mulheres... Elas enumerariam todos os desastres possíveis e até impossíveis em alguns poucos minutos: assalto, assassinato, abdução e quem sabe até um ataque de uma horda de zumbis sucedido por holocausto nuclear.


E elas levam a causa e o efeito às últimas conseqüências: a observação dos detalhes. Ai do sujeito que, estranhamente, resolve chegar um pouco mais arrumado e com a barba bem feita no trabalho pois com toda certeza as amigas já começam a confabular a respeito de quem é ou será a próxima vítima. “Reparou no fulano, todo arrumado desse jeito em plena quarta-feira” diria uma, enquanto a outra retruca “Eu acho que ele está de perfume novo ”, “Muito suspeito”, diriam ambas com o veredicto já formado: fulano está de amor novo. Enquanto nós,marmanjos, mal conseguimos perceber que elas apararam as pontas do cabelo, ou que mudaram a cor do cabelo do castanho claro para o loiro escuro...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Reflexos no Espelho

Reflexos Espelho

Ele acordava todos os dias com a campainha do despertador, levantava-se ainda atordoado com o ruído e desligava o aparelho. Em frente ao espelho lavava o resto na água fria da manha e escovava os dentes, mas naquela manhã em particular ele se olhou no espelho e não se reconheceu. Estranhamente ele não se reconhecia naquele rosto envelhecido, parecia que aquelas rugas nos cantos dos olhos e na sua testa juntamente com aqueles cabelos brancos nas têmporas não o haviam acompanhado até então. No entanto, ele sabia que ninguém fica velho de um dia para o outro e que tudo aquilo era fruto de transformações que duraram anos.


Apesar de tudo ele sabia que o tempo e vida o haviam transformado naquilo, sabia que vida também o envelhecera por dentro. Sentia o peso de cada sonho que abandonara em prol de ser maduro, profissional e razoável. De quanto coisa ele já abrira mão para poder pagar as contas e manter aquele emprego, que apesar de não ser o trabalho que ele sonhara, ainda pagava bem. Ele parou para pensar nas mudanças e não conseguia se lembrar de quando trocara os tênis por sapatos e as camisetas por camisas sociais, nem tampouco de como a gravata lhe fora parar no colarinho.


Os dias se sucediam, novas rugas surgiam ao se olhar no espelho do armário do banheiro. O rosto cada dia mais envelhecido com os mesmos azulejos brancos de fundo, que coincidentemente eram da mesma cor que avançava a cada dia na sua cabeleira cada vez mais escassa. Até que um dia ele olhou o espelho e um ancião se mostrou refletido pela superfície. Ele estava velho e o pior de tudo: ele já não tinha mais sonhos...

domingo, 12 de setembro de 2010

Seguindo em frente...

Basset Hound

Ali no balcão daquele bar vagabundo jazia um copo vazio, as suas mãos ainda sacudiam o gelo do que seria o último drink da noite. Ele já se decidira a partir daquela taberna cheirando a fumaça e a bebida barata. Porém, antes de partir terminaria aquele cigarro, já aceso e pela metade, que pendia em seus lábios. Deu um trago, olhou ao redor, soltou a fumaça pela boca observando a fumaça serpentear contra a iluminação parca daquele bar e por fim contou algumas notas, colocando-as, em seguida, no balcão.

Ao se levantar, ele deu um último trago e apagou a bituca ainda acesa num cinzeiro de metal, afixado ao balcão. Saiu pela porta da frente e ao por os pés na calçada sentiu uma lufada de vento frio e úmido, que o obrigou a ajeitar o casaco. Agora, sentindo-se mais adaptado ao frio, pois um cigarro na boca e utilizando a mão em forma de concha para proteger o isqueiro do vento, acendeu-o.

Ele seguiu subindo a rua e pensando na vida, tudo que o levara até o presente momento. Pendou nas escolhas que tinha feito e que o transformaram naquele homem solitário, ranzinza, bebarrão e capaz de fumar tanto. Ele não tinha mulher, filhos, ou nenhum parente que pudesse considerar uma família, talvez um primo ou tio de quem há muito não tinha notícias, ainda estivesse vivo. A verdade era que mesmo que ainda estivessem vivos, ele pouco se importaria. A coisa mais perto de uma amizade que ele possuía era carinho daquele velho basset hound, que provavelmente já estava com os dias contados, afinal de contas um cachorro raramente dura mais do que os dezesseis anos que já tinha aquele animal.

Terminou mais um cigarro, jogou a pituca no chão e pisoteou-a com. Pensou que ele realmente, nunca fora um homem de envelhecer em família, com mulher e filhos esperando para o jantar. É, pelo menos ele podia chegar em casa tarde e cheirando a bebida barata, sem que ninguém o interpelasse. O melhor de tudo podia, podia sentar e escrever seus poemas vagabundos na velha Underwood sem que nenhuma viva alma o atrapalhasse. Tentou acender mais um cigarro, o vento não permitiu e ele praguejou:

- Maldito tempo, nessa porcaria de cidade!

E continuou andando, naquela idade não havia muito o que ele pudesse mudar em sua vida, ele só podia continuar seguindo em frente...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Flores no Concreto

Sinceramente, nunca fiz o tipo viajante, sabe aquelas pessoas que conhecem não sei quantos países e não sei quantas cidades. Creio que no máximo faço uma ou duas viagens por ano. No entanto, depois que minha mãe passou a trabalhar na Bahia, as minhas visitas ao aeroporto tornaram-se mais freqüentes.

Obviamente, que estas visitas ao aeroporto sempre me rendem alguns momentos de espera, que em geral eu aproveito para tomar um café, ler um livro ou mesmo comer um sanduíche. Apesar dessas atividades, é comum que eu me desvie daquilo que estava a fazer e me entretenha a observar as pessoas.

Eu sei que existem pessoas que gastam um bom dinheiro em passeios de barcos para observar baleias ou golfinhos, outros se enfiam durante dias no meio do mato para estudar aves ou primatas, porém eu chego a duvidar que qualquer um desses observadores da vida selvagem consiga se divertir mais do que aqueles que decidiram se tornar observadores de seres humanos.

Observando Pessoas

- E há aqueles que preferem observar os passáros...

Em minha opinião, os aeroportos são o arquipélago de Abrolhos para a observação das jubartes de duas pernas, o famoso bicho homem. Eu acredito que boa parte da natureza da espécie humana é revelada no momento que um ser indivíduo decide deixar uma cidade e partir para terras distantes. Sim, meu caro amigo, parece estar tudo revelado ali nos terminais de embarque e desembarque. A frieza dos homens de negócio vestindo seus ternos e gravatas impessoais e alegria dos turistas que visitam os trópicos com suas camisas floridas. O choro decorrente da dor da separação iminente dos casais de apaixonados, o beijo entre dois amantes que acabaram de perpetrar um homicídio contra a saudade e a distância. As lágrimas escorrendo pelas faces dos familiares que se separam e os pequeninos que pulam no pescoço do pai que chega de uma longa viagem de trabalho. Os aventureiros, que parecem descender dos caracóis, e carregam a própria casa nas suas mochilas.

Parece que na iminência da separação e nos segundos que precedem os abraços e os beijos dos reencontros, os sentimentos afloram naquele ambiente frio e inorgânico tão comum nos aeroportos tal qual uma flor que insiste em nascer no meio do concreto.

Flores No Concreto

- ... e mesmo nos lugares mais improváveis as flores insistem em nascer...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sinergia, Eleições e Telemarketing

Sinergia é, em minha opinião, uma palavra bem interessante. Ela de uma forma resumida diz que um sistema composto por vários elementos pode dar origem a propriedades ou comportamentos que não poderiam ser previsto pela análise isolada de seus elementos formadores.

Bem, como isso daqui não é Wikipédia, o caro leitor deve estar questionando o propósito dessa definição por aqui. Não se preocupe pode continuar lendo que você logo vai entender. Pois bem, existem duas coisas que eu definitivamente detesto e acho sem propósito uma delas é o horário eleitoral gratuito. Sinceramente, eu gostaria de saber por que certos candidatos achem que aparecer ali simplesmente dizendo seu nome e que apóia tal candidato a presidência vai me fazer votar no dito cujo. Sem contar as trocas de acusações clássicas entre oposição e situação. Um lado só acha defeitos na gestão anterior e outro só vê as maravilhas.

A segunda coisa que eu acho totalmente sem propósito é o tal do telemarketing, que eu costumo considerar a pior estratégia de marketing do mundo. O pessoal é mal treinado, insiste em tentar te empurrar a ladainha e o produto mesmo quando você demonstra claramente que não tem interesse no produto deles. Além de perturbar o potencial cliente no sossego do seu lar, porque parece que esses infelizes farejam as nossas cochiladas após o almoço nos dias de descanso. Esta perturbação dos cochilos domingueiros é algo que me faz morrer de inveja dos lugares civilizados, onde é possível optar por não receber esse tipo de mensagem.

E é justamente agora que entra a tal da sinergia! Alguns candidatos tiveram a genial idéia de utilizar o telemarketing para fazer campanha política e já dá para imaginar que as duas coisas possuem um efeito sinergético terrível que amplifica em alguns bilhões algumas milhares de vezes a chatice dos dois eventos separados. Sim, meus caros amigos, agora os candidatos “vão estar divulgando” os seus discursos vazios e falsas promessas nos nossos telefones. Eu só sei que eu não voto em candidato que faz propaganda via telemarketing? E você?


Telemarketing Político

- Boa noite, senhor meu nome é José e eu "vou estar repassando" uma mensagem do candidato Cicrano do PXYZ para o senhor.

sábado, 28 de agosto de 2010

Manifesto Anti-Gourmet

Sim, meus caros leitores, criaram o brigadeiro gourmet, ou como diria o José Simão: “Buemba, buemba! Tucanaram o brigadeiro!”. Isso mesmo, colocaram uma etiqueta de grife, uma caixinha bonita e adicionaram uma porção generosa de cara pau e tcharam: oito brigadeiros por R$30,00 ( dá pra tomar um porre épico de brigadeiro na padaria do Seu Manuel ) numa caixinha de alívio-TPM. Esse último detalhe, ainda viola a primeira regra do clube da luta para lidar com mulheres com TPM que é nunca falar, mencionar ou sequer pensar em TPM perto de uma mulher com TPM – e se por acaso ela confessar que está com TPM, diga que ela está tão bem humorada que praticamente não deu pra perceber.

Brigadeiro Gourmet
- O Joãozinho comprou um desses para namorada com TPM... sabe que depois disso eu não ouvi mais falar do Joãozinho... ( imagem e inspiração roubados da Cafeína)

Sim, elitizaram o docinho mais popular e mais comum nas festinhas brasileiras e parece que não é só o brigadeiro. Parece ter virado moda transformar os brebotes, que nossas mães viviam nos proibindo de comer antes das refeições, em alta gastronomia adicionando um “gourmet” ao nome dos aperitivos. A técnica consiste em diminuir o tamanho das porções, outrora fartas e genrosas nos botequins da vida, adicionar uns fricotes, deixar o ex-brebote mais light e, pronto, agora temos o mais novo representante da alta cozinha.

Fora o gourmet e um viva às porções generosas. Fora com os canapés e viva aos bolinhos de bacalhau, fora com os carpaccios e um viva à buchadinha de bode, fora com aquelas folhinhas sem graça e um viva à dobradinha. Fora o gourmet e viva ao gourmand! Por uma vida mais simples e farta!

Homer Simpson
-Droga! Alta Cozinha não!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ameaçados de Extinção

Livros Antigos
- Sim meus amigos, eles estão ameaçados de extinção!


Eu nunca fui uma daquelas pessoas nostálgicas, que sente saudades da infância ou da adolescência, tampouco quis nascer nos anos 60 para ser um Mod ou 70 para ser um hippie. Eu confesso também que nunca entendi os colecionadores de vinil, não aqueles que mantêm um acervo com músicas que não saíram em outros formatos, mas os que continuam a comprar a versão em vinil de obras encontradas em formatos mais modernos como CD’s ou DVD’s.

Na verdade, eu acho que eu não entendia até a modernidade começar a por em risco uma das coisas que me acompanharam por toda vida: os livros. Sim, meus caros amigos, quem sabe o livro impresso, esse velho companheiro de aventuras e velho mestre que nos educou, esteja com os dias contados. Primeiro a ameaça pelo Kindle da Amazon, depois pelo iPhone de Itu que não faz ligações e finalmente a ameaça chega ao mercado tupiniquim com o Positivo Alfa. Será que os nossos companheiros de celulose estão com os dias contados?

e-reader positivo alfa
- O predador!

Talvez minha fascinação por aqueles calhamaços de papel surgiu ainda durante a minha fase analfabetismo, eu lembro que os mais pais costumavam ler para mim e para minha na hora que nos colocavam para dormir. Para os leitores nascidos muito depois de 1984, cabe a explicação de que os pais costumavam ler ou contar estórias infantis antes das fitas magnéticas ou discos óticos serem utilizados para tal fim. Data desta fase de infante analfabeto o período que os livros mais exerceram fascínio sobre o meu ser, eu não via a hora de conseguir aprender a decifrar aqueles códigos e poder ler todas as histórias do mundo, pois por mais dedicados que os meus pais fossem eles nunca contavam tantas histórias quanto eu gostaria. Sinceramente eu não os culpo, afinal de contas a curiosidade infantil de compreender o mundo através dessas estórias é muito maior que a paciência e disposição de qualquer pai ou mãe que também se ocupam de ganhar a vida e o sustento da casa.

Enfim apesar de saber que existem muitos convenientes que fazem o uso dos e-readers muito mais convenientes do que o livro de papel, como a facilidade de armazenagem, transporte, agilidade na entrega do conteúdo e sinceramente apesar de algumas vezes me sentir tentado a comprar um Kindle, eu não consigo me imaginar num mundo onde os livros de papel foram extintos. A idéia de não mais procurar mais os livros pelo título enquanto deslizo os dedos sobre suas lombadas, a sensação de tatear as folhas ao virar as páginas e principalmente não sentir mais aquele cheiro de tinta e papel misturados, tudo isso já me faz sentir aquela nostalgia das coisas que ainda não se foram, mas que se encontram com os dia contados. Será que os livros são a próxima espécie ameaçada de extinção?

Eu só sei que já eu consigo me imaginar idoso e colecionando os livros nos seus formatos arcaicos e ultrapassados feitos de celulose.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Eleições: Como convencer as pessoas a votarem em você ? (parte II)

Eleições Urna Eletrônica


No post anterior, eu já havia feito um breve tutorial buscando contribuir para o estado da arte das propagandas eleitorais e apesar dos santinhos gigantes ajudarem a poluir visualmente a cidade fixar a sua imagem na mente do eleitor, essa técnica pode não ser o suficiente para que eleitor lembre de você e digite o seu número na urna. Afinal de contas, o santo é só o executor do milagre, mas este faz parte de um plano superior de Deus.

E como saber dos desígnios divinos? Ora simples é só perguntar ao povo! A voz do povo é voz de Deus! E o que o povo mais quer e mais gosta? Logicamente que músicas de mau gosto e mulheres seminuas. Juntando esse conhecimento com a necessidade crescente comunicação com conteúdo com o eleitorado através nada melhor que usar mídias sociais e bolar um viral que agrega tudo isso? Idéia brilhante do Jefferson Camilo, vejam só que espetáculo:


- Esse com certeza já está eleito! Quanto Conteúdo!

No próximo capítulo você aprenderá a importunar o seu eleitor utilizando telemarketing na sua campanha.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Cansaço, blog e o náufrago

Wilson Náufrago Wilson

- Wilson!


Os últimos dias têm sido bastante cansativos mentalmente e a inspiração para manter os textos fluindo no blog parece ter escoado pelo ralo. Diante disso, eu fico pensando e cresce ainda mais o meu respeito por aqueles que fazem da palavra escrita seu ofício, principalmente daqueles sujeitos que possuem a capacidade de escrever colunas diárias.

Algumas vezes manter minhas duas atualizações por semana, que foi um compromisso que fiz comigo de parar e dedicar um pouco de tempo por semana para mim mesmo nessa confusão que é vida urbana.

O blog têm sido isso, uma rotina de disciplina e exercício mental, um tempo que eu espremo na rotina para escrever os pequenos textos ou mensagens que lanço nesse mar digital, tal qual um náufrago lança suas mensagens em garrafas ao oceano. E como esse personagem eu publico meus textos, sem ter a certeza de que alguém realmente vá ler um dia, mas com a esperança de que o façam.

domingo, 8 de agosto de 2010

Eleições: Como convencer as pessoas a votarem em você?

Convencer as pessoas a votarem em um determinado candidato é muito fácil, tudo que você vai precisar é de um tipo específico de artefato, em número suficiente para poluir visualmente os canteiros centrais das principais avenidas da sua cidade. Como assim artefato? Que tipo de artefato? Este:

Eleições

- Eu admito o desenho ficou tosco!

Sim, meu amigo! Entupa as ruas com esses “santinhos” tamanho família e pronto: eleição garantida! Não é necessário colocar promessas, plataformas eleitorais, proposta e nada disso. Só uma foto bem grande, não se esqueça de caprichar no sorriso e na beca, com o seu nome e número. Se for possível arrume umas figuras de renome que apoeiem a sua campanha e faça uma montagem com sua foto no meio, se não der para conseguir esses figurões não se estresse. Afinal, o importante mesmo é espalhar essas porcarias pela cidade toda!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ônibus

Onibus bus

Talvez já tenha até virado um hábito vir aqui no blog descrever as típicas figuras que parecem surgir para incomodar as minhas viagens de ônibus. No entanto, por mais problemas que eu tenha com essas figuras, as minhas idas e vindas para faculdade no transporte coletivo acabaram se tornando uma parte interessante da minha rotina.

Eu acredito que, por ter passado a utilizar o transporte público num horário de menor demanda, andar de ônibus se tornou menos penoso para mim e se transformou até num certo modo de para e refletir a respeito da vida ou mesmo ler um livro. Eu acho interessante sentar numa cadeira à janela e ir observando a rotina das pessoas nas ruas andando para lá e para cá, de observar como as pessoas dentro dos seus carros a escutar música ou a conversar. Interessante para e observar como pessoas totalmente desconhecidas que não passariam de meros figurantes na história da nossa vida, estão lá desenvolvendo seus papéis como protagonistas da própria vida.

Por mais que haja tipos chatos, também há os tipos engraçados como o vendedor ambulantes com o seu modo peculiar de vender as mais diversas traquitanas que vão desde balinhas de hortelã até agulhas de costura e há sempre bordões inovadores para vender as bugigangas. Sem contar a grande quantidade de vezes que aparecem os clássicos artistas de rua a desenvolver suas performances e em especial, os já ameaçados de extinção, repentistas. Também é comum aquela figura dos velhinhos conversadores, capazes de contar toda uma história de vida em uma única viagem, haja poder de síntese para conseguir tal feito.

Eu acho que em verdade eu acabei dando o meu jeito de reciclar aquelas horas presos dentro da carcaça de metal em algo produtivo um momento de reflexão, leitura e ,em alguns casos, até de escrita. Quantos já não foram os posts que vieram parar aqui, depois de terem sido rascunhados nos caminhos, sentado lá no assento do ônibus. E eu fico pensando se o transporte público tivesse mais qualidade, todas as pessoas poderiam usar essas viagens para suas próprias reflexões.

sábado, 31 de julho de 2010

Ilusões

Eis um dos fatos que realmente considero curioso dentro da cultura urbana: o quanto aparentemente as pessoas parecem ter perdido a noção de cadeia produtiva e o tanto que as facilidades modernas contribuem para esse fato.

Basta ir para o supermercado para perceber que a maioria das pessoas não observam muitas vezes nem o que estão ingerindo. Em geral, a carne já vem cortada e embrulhada em pedaços que dificilmente vêm nos lembrar que aquele pedaço de carne já foi um ser vivo e aí da maldita criatura que nos lembrar que aqueles pacotes lá já foram um ser vivo. Isso é extremamente perceptível pelo fato de que basta ver um documentário mostrando um abatedouro de animais que a maioria das pessoas fica horrorizada e quanto mais “evoluído” ou “fofinho” maior a indignação. A partir dessa alienação surgem aquelas pessoas que viram vegetarianos aos 40 anos, por que finalmente perceberam que comer carne implica em criar animais para o abate.

meat

-Carne é assassinato, hum assassinato delicioso!


Impressionante como se passa a acreditar que certas comodidades possuem uma origem mística apertou o interruptor a energia surge magicamente, ao girar a torneira a água é instantaneamente gerada e quando a gente bota o lixo para ser recolhido ele magicamente some como se houvesse um buraco negro, aliás eu acho que as pessoas em alguns casos acreditam que os rios também são capazes de realizar essa mágica de desaparecer com o lixo.

Talvez seja essa ilusão que criamos que torna tão mais fácil que abdiquemos de fazer a nossa parte ou que nos faz acreditar que muitas vezes como simples indivíduos não podemos fazer nada que cause impacto quando na verdade já estamos causando esses impactos através de nossas ações no cotidiano, acreditar no contrário é ilusão. A realidade lá fora é soma das ações de diversos indivíduos, não há uma grande massa coordenada pensando em criar caos urbano, poluição ambiental e querendo extinguir os ursos panda. Há apenas um grupo de indivíduos pensando e agindo de forma individual no momento de lucrar e usando a coletividade para se esconder na hora que é preciso ser responsável pelos próprios atos. Acreditar no contrário, também é ilusão.

ps: Ando meio cansado mentalmente, talvez tenha se tornado perceptível pela diminuição dos posts na última semana, que também é decorrente do fato de ter escrito um texto a respeito do Richard Buckminster Fuller lá para a revista Papo de Homem, por sinal primeira vez que eu escrevo especificamente para outro blog. Quem quiser conferir aqui está o link: http://papodehomem.com.br/homens-que-voce-deveria-conhecer-7-richard-buckminster-fuller/

terça-feira, 27 de julho de 2010

Imposição Religiosa


Eu não sou uma pessoa religiosa e também não tenho crença numa vida post mortem. No entanto, não tenho nada contra as pessoas viverem de acordo com os seus valores religiosos desde que não violem os direitos alheios de não viverem de acordo com esses princípios. No entanto, existem certas atitudes que algumas pessoas religiosas assumem que me são extremamente desagradáveis. Talvez a maior delas seja o modo como esses indivíduos tentam impor a sua fé e estilo de vida às outras pessoas.

Eu compreendo se uma determinada pessoa quer acreditar em um Deus, espíritos, entidades, Papai Noel ou gnomos por que isso lhe traz conforto espiritual e talvez por essas crenças possuírem valores com os quais elas concordem. Entretanto, eu não entendo de onde essas pessoas acham que tem o direito de, por exemplo, importunar as pessoas cansadas que voltam do trabalho no fim do expediente com os seus discursos baseados na fé impondo às pessoas aquela ladainha bíblica no transporte público, só restando duas opções serem adotadas: colocar os fones de ouvido, se você tiver com um mp3, no último limite ou descer do ônibus.

Outro fato que eu não consigo, e talvez até não queira entender, é como algumas instituições religiosas tentam fazer os seus lobbies para impor certos valores religiosos no sistema legal. Em especial o modo como a CNBB insiste em fazer lobby contra certos temas como pesquisas com células tronco, descriminalização do aborto ou união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Eu sinceramente sou favorável à pesquisa utilizando células troncos, independentemente se elas vierem de embriões que seriam descartados ou de novas metodologias para obtenção dessa células. Eu acho que se você é contra você pode muito bem se recusar a usar esse tipo de pesquisa ou caso num futuro próximo realmente se possa usar o conhecimento produzido por essas pesquisas para fins medicinais, você pode recusar o tratamento do mesmo modo que testemunhas de Jeová se recusam a receber transfusões de sangue e ninguém até hoje tentou fazer lobby para que as leis proíbam transfusões de sangue.

No entanto, mesmo não sendo favorável ao aborto, eu acho que é um direito que cabe as mulheres terem controle sobre o próprio corpo. Eu acho que nem Estado, nem tampouco a igreja tem o direito de forçar uma mulher a carregar um filho indesejado no seu organismo, ainda mais em caso de abusos sexuais. Se você, pessoa cristã católica é contra isso, simplesmente não faça. E eu creio que o mesmo deve valer para o casamento homossexual. Talvez as igrejas devessem em primeiro lugar cuidar das pessoas que cometem atos imorais dentro da sua jurisprudência como, por exemplo, controlar os seus padres que agem de maneira incorreta e praticam atos de pedofilia que tantas vezes são acobertados. E o pior de tudo é que poucas vezes se vêem religiosos indignados pedindo para que se afaste um padre cujo comportamento é indecente dentro dos valores da própria igreja.

Eu acho que os grupos religiosos deveriam aproveitar sua liberdade religiosa plenamente, no entanto eu acho que é inadmissível que se venha a impor valores seja lá de que religião goela abaixo da população que resolveu não optar por esse estilo de vida.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Idéias ou Pó?

Idéias ou Pó


Algumas vezes a vida me dá um cansaço, mas não aquele cansaço físico que em alguns casos pode ser até prazeroso. Sinto a exaustão me pesar na alma, sinto o espírito fraco e talvez um tanto quanto depressivo. Nessas circunstâncias parece-me irritante a idéia de que ganhar a vida algumas vezes me toma mais tempo do que vivê-la propriamente dita.

Assombra-me a sensação de ser somente mais um no meio de uma multidão vivendo uma vida sem sentido e de ser só mais daqueles indivíduos cujo reflexo de suas ações não durará muito mais do que sua existência. Não creio que talvez exista uma vida eterna a me esperar ao fim da minha existência na terra, no entanto acredito que de certo modo a humanidade possúi uma pequena trapaça capaz de vencer a morte, talvez não da suas células e tecidos orgânicos, mas ao menos do seu espírito.

Sim, o espírito de um homem pode durar bem mais que a sua vida e isso se dá através da sua obra. E quantos autores cujos restos mortais talvez nem existam, já me pareceram bem mais vivos e atuais do que muita gente que ainda anda pelas ruas, mas já não vive verdadeiramente?

Vai-se a carcaça e ficam as obras e as idéias. Pergunto-me: e eu? O que deixarei? Idéias ou pó?

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eleições: o que o povo deseja?

Eleições 2010
-Pena que não tem essa opção na maquininha!

O Brasil é um país bizarro e o brasileiro é um povo estranho, e talvez eu já tenha feito tantas afirmações deste tipo aqui no blog que muitas pessoas devem me considerar um traidor da pátria e, se estivéssemos na ditadura militar, muito provavelmente eu seria gentilmente convidado a me retirar daqui das terras onde “em se plantando tudo dá”.

Enfim, deixemos de lado a embromação e partamos para o cerne da minha última estranheza. A forma como se faz política no Brasil me é bastante estranha, a impressão é que no Brasil sempre se faz política de baixo para cima. Como assim? Basicamente uma das coisas que me parece mais estranha quando lemos a respeito de política dentro dos partidos sempre me passa a imagem de que os figurões do partido batem o martelo e todos os demais membros do partido seguem. Depois de ter decidido tudo dentro do partido a militância é então convocada para fazer campanha. A partir desse instante é que os candidatos a um cargo público no nosso país saem à procura das pessoas e aí haja a comer pastel de bodega no Seu Biu, tomar lapadas de cachaça com o Seu Zé no botequim e trocar abraços calorosos com o povo na feira, mesmo que o desodorante esteja vencido.

Impressiona-me que não se tente agregar a militância primeiro, em seguida discutir propostas e levá-las para a convenção do partido. Posteriormente, o partido escolheria através de discussões internas quais dentre os seus membros possuiria melhores condições de executar esse projeto que proposto pela sociedade. No entanto, eu nunca vi debates para saber em que área as pessoas querem ver o recursos do pré-sal, por exemplo, sejam aplicados. Eu nunca presenciei um discussão a respeito de que projeto de futuro os eleitores buscam para o país, teremos nossa economia focada no turismo? Focaremos no desenvolvimento tecnológico? Seremos um país focado em agronegócios? Se os políticos supostamente estão lá para representar a vontade do povo, não seria interessante perguntar o que ele deseja primeiro?

No entanto, a política nacional ainda continua sendo construída em cima da visão de um indivíduo de como deve ser o país, as pessoas só fazem escolher quem será “o grande guia da vez” e será responsável por sonhar o futuro para a Nação. Aí fazemos aquela pergunta: o que o povo deseja? O silêncio é a única resposta.

domingo, 11 de julho de 2010

Propagandas e A Arte de Enganar a Si Mesmo

Propaganda The Who Sell Out

-Eu ainda acho que o Who é melhor do que os Beatles!

Semana passada eu li um texto do Hugo Brisolla no Ingenuidade, onde se falava justamente da questão das propagandas. Onde ele fala não gostar das propagandas por achar que muitas vezes falta sinceridade nas propagandas. Eu até concordo que tem certas propagandas que realmente são de um cinismo sem limites como, por exemplo, o comercial de uma lã de aço que se diz ecologicamente correta porque ela enferruja e vira pó, como se não houvesse impactos decorrentes da extração do minério de ferro e da própria produção de aço utilizado no produto.

Enfim, eu já tenho uma opinião um pouco contrário ao texto apresentado e acho alguns anúncios tão divertidos e bem bolados que algumas vezes surge até a vontade de assisti-los novamente. Ao contrário do que o Hugo defendeu, eu acho que os comerciais são extremamente sinceros e algumas vezes eles apelam diretamente a certas características do comportamento humano. Eu acho que os comerciais de desodorante masculino são, em minha humilde opinião, um ótimo exemplo disso.

Em teoria o desodorante deveria ser um anti-séptico, que evitasse que microrganismos degradassem o suor causando odor desagradável, no popular: a suvaqueira. Entretanto, venhamos e convenhamos que ninguém quer comprar um desodorantes que simplesmente evite suvaqueira, as pessoas desejam um produto que as deixe com um cheiro agradável e qual o jeito de demonstrar que perfume escolhido para o produto é bom? Mostrar que o perfume dele é tão bom que é capaz de atrair as moças! E isso está lá quando assistimos comerciais desse tipo de produto a coisa mais comum é ver o protagonista passando desodorante e chovendo mulher em cima dele. Todos nós sabemos que isso nunca acontece, eu mesmo já testei várias fragrâncias de diversas marcas e continuo sem ter a quem chamar de meu bem.

Você pode se perguntar: o que isso tem a ver com o comportamento humano? Eu acho que isso está ligado diretamente a algo bem comum no comportamento humano, que eu denomino de a arte de enganar a si mesmo. E o publicitário que bolou aquele comercial lá do desodorante só está se aproveitando da nossa vontade de utilizar esta arte. Eu acho que no fundo é um comportamento um pouco parecido com aquele da garota que está ficando com um cafajeste e insiste em se iludir de que o camarada vai mudar ou como aquela pessoa que fica se iludindo achando que a outra vai voltar após o fim de um relacionamento.

E creio que é justamente nesse ponto que a certas campanhas de marketing são tão geniais, elas dizem aquilo que nós queremos escutar e quantas vezes não desejamos um pouco de ilusão, ainda que efêmera.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Nós somos o "como" nós consumimos!

Homem Venusiano Consumista

Se existe algo que é fato nos dias atuais é que nós vivemos em uma sociedade consumo e, portanto, a maioria das mega-corporações que nós vemos por aí, cresceu justamente devido ao consumo dos seus produtos que provavelmente foram preferidos em relação aos produtos da concorrente. Nenhuma dessas mega-corporações cresceu assaltando bancos ou seqüestrando pessoas, talvez o pessoal da Máfia Russa e Chinesa. As empresas buscam o lucro, essa é a função delas: gerar dinheiro para seus acionistas enquanto produzem os bens que os consumidores desejam consumir. Uma coisa totalmente certa é as empresas não produzem nada que os consumidores não estejam dispostos a comprar.

Indústria automobilística é um exemplo, inúmeras vezes as pessoas criticam dizendo que os fabricantes produzem carros grandes que consomem mais gasolina e poluem o meio ambiente e os acusam utilizarem a mídia propaganda para convencer as pessoas a comprarem esse tipo de carro. No entanto, eu penso que as pessoas por si mesmas já possuem a propensão a comprar esse tipo de carro, até pelo fato de existirem veículos menores e que consomem menos combustível e o pior de tudo até a preços mais acessíveis. A culpa dos veículos utilitários e beberrões serem bem vendidos vem dos consumidores que acham bacana utilizar um veículo maior com um motor mais potente para supostamente poder carregar um monte de tralha que eles nunca transportam ou para poder desenvolver mais velocidade, fato que não se concretiza devido ao tráfego urbano e aquele monte de semáforos que vemos nas avenidas.

Sinceramente, eu não creio que seja só uma questão de marketing e propaganda. Nunca vi nenhum comercial tentando convencer os consumidores a comprar carros com pintura cor de rosa exclusiva da série “Restart” por um preço bem mais caro e as pessoas pagarem uma fortuna a mais por que ter carros cor de rosa da série exclusiva “Restart” é última onda.

Sabe aquela indústria que ganha horrores de dinheiro produzindo de maneira antiética. A culpa do sucesso de tais empresas infelizmente é nossa que somos consumidores igualmente antiéticos que não nos preocupamos em saber da origem de produto, contanto que possamos comprar mais por menos, não nos importa se crianças estão sendo exploradas, se eles estão poluindo o meio ambiente. O que desejamos é nos dar bem poder comprar muito mais não importa as conseqüências. Em outras palavras uma indústria antiética é mantida por consumidores igualmente antiéticos, pois não se utilizam dos seus valores éticos na hora de consumir.

Sim, eu sei que aquilo que é produzido de maneira ética e sustentável, é geralmente mais caro. Isso se dever ao fato de serem contabilizados mais elementos ao longo da cadeia produtiva, ao tentar minimizar o impacto da produção desses bens ao invés de fingir que eles não existem. A minha pergunta é: Estará a sociedade de disposta a pagar esse preço? Eu posso até não ser aquilo que consumo, um carro off-road não me transformará em aventureiro e uma roupa de grife não me tornará uma pessoa da alta sociedade. No entanto, enquanto sociedade, nós somos o modo como nós consumimos.