quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Quem disse que o diploma não serve para nada ?


O Supremo Tribunal Federal baniu a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão de jornalista. Depois desse fato, eu tenho visto muitas reclamações das pessoas que tem a formação acadêmica na área de jornalismo e a principal delas é que o diploma de Jornalismo não serve mais para nada. Depois de ler esses textos eu fico me perguntando: Será que a exclusividade dos jornalistas aos meios de informação é justa? Será que o diploma de jornalista realmente não vale mais nada?

Uma das coisas que realmente me vem à cabeça nisso tudo é se a exclusividade concebida aos portadores do diploma realmente é justa. Eu acredito que não, pois ao permitir que pessoas com outra formação atuando como jornalistas terão mais representatividade dos diversos setores da sociedade atuando na imprensa, o que geraria debates mais ricos e plurais. Adicionalmente, eu acredito que existem certas áreas que são mais técnicas e, portanto, um profissional com uma formação naquela área se sairia melhor explanando os temas da sua respectiva área. Eu acredito que maioria das pessoas há de concordar que o caderno de economia é em geral muito mais interessante quando os dados são explicados por um economista, ou mesmo que prefere a resenha sobre um novo hardware ou software feita por alguém que trabalhe na área de informática.

Outro fato que eu também acredito é que a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, não necessariamente proíbe as pessoas que tiveram formação no curso de Jornalismo de exercerem a profissão, ela só acaba com a exclusividade. E eu acho que a função do diploma não é garantir uma fatia de mercado exclusiva para as pessoas que possuem o diploma. Ele funciona como um documento para provar que você obteve uma formação em uma determinada área. Eu sei que em algumas profissões o diploma é obrigatório para o exercício e eu até acho razoável como no caso de medicina, profissões na área de saúde ou cuja atividade possa comprometer a vida das pessoas, como engenharias por exemplo.

Eu acredito que ainda há e sempre haverá espaço para as pessoas que tem formação em jornalismo, pois elas têm uma formação mais focada na área de comunicação o que eu acredito que seja um diferencial para as pessoas que querem trabalhar como jornalismo e a não obrigatoriedade não é um ato que impede que as pessoas com formação na área de atuar como jornalista. Eu acho que esse fato, talvez até faça com que as pessoas com formação nessa área realmente ocupem os cargos onde seus conhecimentos e know how sejam mais necessários. Em outras palavras, pode até ser que os jornalistas percam algumas vagas de emprego para pessoas com outra formação, mas provavelmente ficarão com vagas melhores onde a sua formação realmente faz a diferença.

E depois disso tudo eu fiquei pensando o que realmente representa o diploma e qual seu verdadeiro valor. Eu cheguei à conclusão que um diploma representa as horas de estudo e dedicação de uma pessoa a uma determinada área do conhecimento. E depois disso eu fiquei pensando que será que achar que o diploma é uma carta de alforria da universidade com seus professores “chatos” não é uma visão absurda. Assim com também o seria considerar que ele é simplesmente uma ferramenta legal que dá exclusividade numa fatia de mercado ou simplesmente te autoriza a fazer parte desse clube não é outra idéia igualmente absurda. Eu acredito que o diploma deveria ser um símbolo de que uma pessoa alcançou o determinado mérito numa área do conhecimento. E isto sim deveria ser algo que te fizesse ter destaque no mercado de trabalho.

5 comentários:

Daniela Ramalho disse...

curiosamente em Portugal cada vez mais se vê o jornalismo a ser feito por pessoas que nem sequer têm um curso superior, que são escolhidas pela aparência. mas sim, faz todo o sentido que em certas áreas o jornalismo seja praticado por pessoas especialistas nessas matérias.

ao contrário, noutras profissões, como por exemplo a advocacia, cada vez mais se colocam barreiras de modo a seleccionar os candidatos.

Rachel Chagas disse...

Eu concordo com tudo o que você escreveu, até por que, ninguém nasce sabendo das coisas. Eu cheguei a fazer um ano de jornalismo/publicidade e tem coisas que não é qualquer pé rapado que vai chegar em conseguir fazer. As pessoas mesmo que não tenham diploma, tem de ter uma base.
Até pra escrever, que parece ser a coisa mais fácil do mundo, tem de haver uma base.

PS: Obrigada pela visita!

valeria disse...

É. O jornalismo ainda tem um papel e empresas vão continuar querendo profissionais que se prestaram a ser explorados em estágios e que se formam sabendo todos os macetes, técnicas, espertezas e jogo de cintura. qto à especialização dos jornalistas, isto é, da qualidade de formação ética e reflexiva, pode ser que as universidades encontrem mais e mais dificuldades, já que o fim do diploma significa um investimento a menos, não sei, mas pode acontecer essa desobrigação por parte do governo. Concordo, claro, que o diploma significa justamente essa formação. só observo melancolicamente que a extinção não só traz abertura, mas talvez descompromisso do governo, sucateamento dos cursos, empregadores mais exploradores, etc etc, já que o diploma vira moeda justamente mais por essa face da utilidade do que do valor que tem em si.

Silvia Caroline disse...

Diploma, penso que significa algum conhecimento alcançado, por mais que você tenha ficado algumas vezes no bar, você aprendeu algo na faculdade.
Não adianta querer ser jornalista se se formou em matemática se não souber escrever, é necessário ter uma base, não acho que qualquer um está habilitado para isso.
Reporter, acho fundamental o curso de graduação.
Concordo que entendo melhor quando um economista escreve sobre o assunto que um jornalista mal informado.
Quem for bom, vai conseguir a vaga, não tenho dúvidas!

Leonardo Xavier disse...

Eu realmente não acredito, que qualquer um possa ser jornalista. Mas eu acho que dessa vez quem vai selecionar vai ser a concorrência natural. Mas eu acho interessante idéia de se abrir a porta da imprensa para que profissionais de outras áreas possam dar suas opiniões.

Eu acho que isso já acontece nos próprios blogs, onde pessoas de diversas áreas atuam. Você vê nitidamente que os textos das pessoas com formação de jornalista, escritores e publicitários apresentam uma maior qualidade do que os blogueiros amadores (tipo o autor desse blog). Mas lógico que existem exceções.

Eu também acredito que escrever como qualquer outra atividade profissional é uma coisas que se adquire com a vivência, tipo eu tenho visto até pelo meu próprio blog, e olhe que eu só estou por aqui a poucos meses e sinto que os textos já melhoraram bastante.