sábado, 21 de novembro de 2009

E se...

Se eu entendesse algo de psicologia, eu montaria um consultório focado na questão sentimental. É impressionante os avanços que foram dados em relação à questão da sexualidade, no mundo pós-revolução hippie. No entanto quando pensamos em na questão da emocional, me parece que a evolução parece passar longe.

Infelizmente, quando se trata do ponto de vista emocional parece que tudo anda bem maus, pessoas extremamente carentes, com medo e assustadas. É impressionante ver o quanto as pessoas tentam fugir de um enlace mais profundo. Basta o relacionamento se aprofundar um pouco mais e ei que surge toda aquela histeria: medo de se machucar depois, medo do compromisso, de abrir mão da sua vida de solteiro. E assim as pessoas acabam sabotando os seus próprio relacionamentos, algumas vezes de maneira consciente em outras nem tanto.

Tudo isso me parece estranho e absurdo, é interessante o modo como as pessoas tem preferido viver sedadas e anestesiadas com medo de sofrer e na maioria das vezes acabam por não viver. Abrem mão da dor e juntamente com isso acabam optando por não sentir e não se envolver. Para mim tudo isso parece tão absurdo quanto a idéia de cegar-me simplesmente pela possibilidade de num futuro presenciar alguma cena desagradável.

Antes de tudo, esse comportamento me lembra a história de um amigo que me contou ser hipocondríaco na infância, nessa fase além de sempre querer levar remédio para onde fosse com o intuito de se precaver de eventuais males, ele me falou de um episódio que eu achei bastante engraçado. Resumidamente, ofereceram camarão para ele e ele simplesmente recusou. Não por desgostar do camarão ou por estar satisfeito, mas simplesmente por medo que ele porventura se cortasse após comer o camarão e então o corte inflamasse.

Algumas vezes eu fico me perguntando se o comportamento que as pessoas têm adotado nos seus relacionamentos não é um pouco parecido com o comportamento desse amigo. Será que as pessoas não estão deixando de degustar as coisas boas do relacionamento a dois simplesmente por um problema que por ventura possa aparecer posteriormente. A minha pergunta é até quando vamos continuar nos escondendo das nossas emoções?

7 comentários:

Cintia Yamane disse...

obrigada pelo seu comentário no meu blog.

sobre esse post.. o que posso dizer? É exatamente isso que estou passando ultimamente, uma falta de confiança nas pessoas e em si mesmo, para arriscar a ser feliz. Talvez isso dê certo quando ambas as partes preferem manter essa distância, ao se verem completamente envolvidos de corpo e alma, mas quando uma das partes se entrega, de coração e a outra não, ai é foda... =(

é que nem aquela música "Standing outside the fire", sabe? A vida não é vivida, é apenas sobrevivida, quando ficamos fora do fogo.

Silvia Caroline disse...

pois há muitas pessoas que apenas existem.
Viver é pra poucos.

é estou numa fase revoltada com o amor pelo o que deve ter percebido no meu blog.

estou revoltada pois me jogo de cabeça nos relacionamentos, não me importo se amanhã vai dar tudo errado.
Queria ser mais capitalista, mais filha da mãe. rs

Adorei o post, irei pensar melhor.

Existe horas que eu quero me proteger.

Seguindo já.

Raquel Farias disse...

Eu já vi e vivi quase tudo nessa vida. E as vezes me pego cansada de tentar entender e ter relacionamentos, não apenas ou principalmente por medo de sofrer ou qualquer coisa parecida e sim por ver tanto descaso por aí.
É por isso que estou sempre com um pé atrás e não boto muita fé na existência ou possibilidade de relacionamentos sadios e duradouros. Mas... ainda tenho esperança. Talvez seja possível que algo dê certo, desde que "o tal amor" alcance o coração das pessoas.

Boa reflexão a sua.

Camila Oliveira disse...

VERDADE, VERDADE e VERDADE!

valeria disse...

Tem aquela noção budista da impermanência. é como se a gte acreditasse que é possível viver em segurança total, aliás, viver um tipo de segurança irreal e embotador. como helps disse, tem muita proximidade no fato de investir caro em tratamentos de beleza pra não envelhecer, em cercar a casa de muros e câmeras, e não se entregar numa relação. parecem coisas nda a ver, mas acho que são males do nosso tempo msm, quer dizer, dizem que isso é forte na contemporaneidade, mas n vivi outros tempos pra saber, né. enfim, vivo, como muitos, alguns exageros de segurança (insegurança), autocrítica :S

Patrícia Félix disse...

Oi Leonardo, vi que deixou um comentário no meu blog e fiquei curiosa para ver o seu. To adorando as suas discordâncias. rsrs

A propósito, gostei muito do tema desse post. Acho que as pessoas não se relacionam com a profundidade de antes. Embora exista muita intimidade física, mas emocionalmente parece que não se conectam realmente. Existe um medo (também)de conhecer a pessoa real, ou seja, deparar-se com alguém cheio de falhas e defeitos ficando mais cômodo amar a idealização que fazem do outro. As pessoas são muito viciadas em "fortes emoções". Se não dá mais frio na barriga, parece não valer à pena...

Até mais!
:D

Rafiinha Gomes. disse...

bem, a principio obrigado pela sua voltinha no meu blog.
sobre a questão do seu comentário, tenho uma resposta simples para isso: quem ama muda. não muda por que o outro quer, ou por que acha que o outro vai lhe querer, só e somente só, se mudar. tudo bem que quando se ama uma pessoa, se ama do jeito que ela é e se conhece com o que ela tem. mas para manter um relacionamento duradouro é preciso de ambas as partes estejam em harmonia.

é essa a minha visão!

beijos.