quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mágicas

Tenho pensado bastante nesses dias em um evento bastante comum. Desde que entrei na faculdade, eu costumo encontrar-me com uma das minhas tias para conversar e almoçar juntos no Centro de Artes e Comunicação. E apesar de ser algo relativamente comum sempre tem algo de mágico para mim.

Em geral, me encontro com ela no atelier de litogravuras. Eu entro pelo atelier cumprimento com Seu Hélio, que é o técnico do laboratório, e depois sigo em direção a minha tia, que em geral se encontra sempre entretida contemplando seus desenhos através dos grandes óculos. Eu chego bem perto, ela levanta a cabeça sorri pra mim e me dá um abraço.

Então, puxo um banquinho, sento e fico assistindo ela trabalhar nos desenhos. As mãozinhas, já idosas com os seus anéis grandes nos dedos, riscando os desenhos na pedra, raspando um defeito aqui e acolá com um estilete. Enquanto isso seu Hélio prepara uma pedra nova para ser trabalhada ou aplica a tinta na superfície da pedra antes dela ir pra a prensa. E aquela senhorinha de idade não para, levanta, vai olhar se a cor está ok, se a impressão no papel ficou boa, volta a mexer num desenho, depois em outro e tudo com uma desenvoltura que parece que ela está fazendo tudo ao mesmo tempo.

Lá estou eu no meio disso tudo embriagado com a mágica sendo feita, observando os desenhos serem formados pouco a pouco, a cada nova impressão o desenho ganha uma nova camada, uma nova cor ou mesmo um novo detalhe. E tudo isso enquanto converso com ela. Algumas vezes pergunto alguma coisa, dou palpite num desenho ou outro, e vez por outra peço pra ver como que estão os desenhos que eu vi quando ainda eram esboços.

Cá fico eu pensando nessas conversas que eu tenho enquanto a assisto trabalhando nas litogravuras ou mesmo enquanto almoçamos juntos no CAC. Ela me fala da vida, conta dos lugares que ela já viajou, dos tempos de estudante e me dá conselhos. Conversamos também, do futuro, ela me conta da exposição que esta organizando, de um curso novo que está freqüentando, dos planos para a próxima viagem. Enfim, eu não sei o que há em certos ambientes, mas parece que ele mudam as pessoas e fazem certas conversas serem especiais. Às vezes eu tenho a impressão que o amor dela pela arte faz com essas conversas tenham uma alegria, uma leveza e uma espontaneidade que fazem únicos e mágicos esses momentos.

2 comentários:

Lais Castro disse...

Que bonito depoimento, Leonardo. Eu fiz Artes Plásticas lá na UFPE... e também Artes Cênicas. Conheço Hélio... passo pelo ateliê para falar com ele uma vez ou outra...vai ver que conheço a sua tia (só faltava ser Gilda). Atualmente tenho ido menos lá pelo CAC que, para mim, é um lugar especial, mágico e cheio de vida! Abraço.

Leonardo Xavier disse...

Não, eu conheço a Gilda também ela é amiga da minha tia, que se chama Inalda. E Obrigado por estar sempre visitando aqui.

abraço