sábado, 5 de setembro de 2009

Enfermo

Hoje acordei e me doíam os miolos, ah! Que maçada é acordar doente! Ainda bem que não preciso sair de casa por ser sábado e não ter expediente. Ainda mais maçante que acordar com os miolos a explodir é acordar com os miolos a explodir num dia de expediente. Não tendo expediente a cumprir pelo menos posso me quedar na cama enfermo.

Deitado na cama, a fazer nada. Contemplo o teto e fico pensando: só os enfermos contemplam o teto dos cômodos. E assim continuo por um bom templo a contemplá-lo. Contemplo também os objetos do cotidiano e vejo uma riqueza de detalhes neles que não percebo na rotina. Pequenos arranhões e falhas no verniz na cadeira que uso ao sentar para escrever na escrivaninha, agora com os livros assimetricamente espalhados, luminária pendendo sobre a mesa. E tudo adquire uma riqueza de detalhes que eu não prestaria atenção se não estivesse enfermo na cama.

Nesses momentos falta-me paciência para a ação e quedo a pensar e viajar pelos pensamentos, vejo os títulos dispersos pela escrivaninha e fico a recordar dos seu conteúdos. E continuo deitado na cama esperando que o sono chegue ou que a dor se vá.

Nenhum comentário: