quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cinzento...

Naquele dia o céu estava bastante cinzento quando saí de casa, passei pelo jardim e as folhas e o chão ainda se encontravam úmidos. Segui em direção ao portão e, ao pegar as chaves, me atrapalho ao equilibrar a bolsa e a camisa cinza, que jogo por cima da camiseta nos dias de chuva. Ao passar pelo portão sinto o cheiro de asfalto molhado, escuto o barulho típico dos pneus de carro ao trafegar pelo asfalto molhado e sinto o vento frio e úmido.

Olho então para o alto e observo o céu cinzento por alguns longos segundos. Fico admirado com a beleza do céu cinzento, não saberia dizer o porquê, mas os dias repletos de nuvens escuras e cinzentas me são muito mais belos que os dias onde o sol brilha alto com fundo azul no qual, quando muito, se vêem pequenas manchas brancas formadas por nuvens que parecem ser de algodão. Eu gosto do modo que o verde das copas das árvores ganha contraste contra o fundo cinzento, de como a grama parece estar mais verde quando molhada, ou mesmo pelas lembranças que os dias cinzentos trazem.

E quantas não são as lembranças dos dias cinzentos! Um café num dia mais frio, um passeio por uma cidade distante onde existem realmente quatro estações, ficar se espreguiçando na cama, observar a cidade passando através das janelas dos ônibus por onde escorrem as gotas de chuva e os não sei quantos livros lidos em dias cinzentos. Todas elas me vêm à mente nesse pequeno minuto de contemplação.

Nesse momento, eu volto das minhas divagações para o mundo real. Pequenas gotículas de água caem lentamente e eu me distraio por mais uns segundos observando-as cair, está serenando, tenho que ir e lá vou eu cruzando as ruas sob a garoa fina, pisando nas pequenas poças d’água em direção à parada de ônibus. Chego ao meu objetivo, o ônibus passa, eu aceno, ele para e eu subo.

Nenhum comentário: