quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Alakazan!

Formatura de ABC, primeira eucaristia, crisma, formatura do colegial, colação de grau. É interessante perceber que mesmo sendo homens modernos, estamos sempre ligados a rituais de passagem. E a minha pergunta é se isso realmente faz algum sentido?

Eu, honestamente, nunca me senti muito à vontade com estes ritos, mesmo quando era muito jovem. Talvez por sempre ter sido um garoto tímido e também por não me identificar com a pompa cerimonial tão presente nesses rituais de passagem. Atualmente, continuo sem apreciar esses rituais, mas por outro motivo. Provavelmente por achar que na verdade que esses rituais não passam de meras formalidades para nos dizer algo que já sabemos: que nos tornamos algo que nós já somos.

Por exemplo: não importa em que área você atue profissionalmente, mas eu posso te dizer sem sombra de dúvidas que você não se tornou profissional naquela área no dia da cerimônia de colação de grau. Você se tornou profissional naquela área ao longo dos dias que você estudou madrugada adentro, nas provas que você se ferrou, dos estágios que você fez e dos diálogos que você teve com os profissionais daquela área.

Eu poderia ir além e dizer que não nos casamos na frente do padre ou do juiz, mas que nos casamos aos poucos. Conforme vamos desenvolvendo o relacionamento, com a presença cada vez maior do outro na nossa vida, a intimidade crescente e compartilhamento de projetos de vida.

Enfim o que me faz não gostar desses rituais de passagem é ilusão que eles passam de que transformamo-nos magicamente através daquela cerimônia e não com o nosso esforço, realizado no cotidiano.

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