quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Duc in Altum"

Um sentimento estranho tem me acompanhado nos últimos dias. As Memórias das pessoas que passaram pela minha vida tem vindo me visitar ultimamente. Lembranças de pessoas distantes, de pessoas nem tão distantes que a rotina acabou tornando distantes e até de pessoas cuja passagem pela superfície inorgânica da terra já se encerrou.


Estranhamente, estes pensamentos não têm me proporcionado aquele saudosismo melancólico de querer que o tempo voltasse e que todos tivessem por perto novamente. Essas lembranças, em verdade, têm me feito refletir o quanto cada uma delas me marcou, o quanto eu aprendi com essas pessoas e no quanto o que eu sou hoje depende da influência delas terem passado na minha vida.


Tenho pensado também, a respeito de que marco eu tenho deixado pelas estradas por onde andei. Se por acaso a minha passagem pela vida dessas pessoas deixou suas marcas, e por sua vez se essas marcas foram de algum modo positivas para elas. Será que entenderam o que eu queria ter dito?


E essas idéias estranhas passam diante de mim como um filme. Uma reles sucessão de imagens que não comove, mas me entretêm. Subitamente, tudo isso me dá uma vontade de crescer, melhorar, me tornar relevante, girar o mundo e conhecer novas pessoas. E como num estalo me vem na cabeça uma velha frase do emblema do colégio: “Duc in altum”, ela dizia.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Não é dinheiro ?

Reais cem 100

Os bancos e postos de serviço bancário de todo o Estado de Pernambuco fecharam as portas desde a quinta-feira e ao que parece pretende continuar pelos próximos dias. E eu como bom brasileiro acostumado a lidar com essas crises, tratei logo de sacar o meu $ nos caixas eletrônicos. Eis que me acontece o seguinte a maldita maquininha cuspidora de reais me inventa de cuspir uma cédula de peixinho.

Aí começa uma novela, trocar R$ 100,00 é uma tarefa hercúlea. Eu dou o seguinte conselho aos leitores do blog querem economizar dinheiro: Ponha notas de R$ 100 na carteira! É impressionante o efeito que esse tipo de cédula provoca nos comerciantes, eles torcem a cara, dizem que não há troco e se você chorar muito eles acabam aceitando depois de conferir a maldita cédula umas duzentas. Ainda mais irritante é sensação de ter dinheiro e não ter ao mesmo tempo.

Depois disso tudo eu chego a seguinte conclusão:

-R$ 100 não é dinheiro

Fora a minha pessoa alguém ainda tem trauma dessas notas azulzinhas ?

Alakazan!

Formatura de ABC, primeira eucaristia, crisma, formatura do colegial, colação de grau. É interessante perceber que mesmo sendo homens modernos, estamos sempre ligados a rituais de passagem. E a minha pergunta é se isso realmente faz algum sentido?

Eu, honestamente, nunca me senti muito à vontade com estes ritos, mesmo quando era muito jovem. Talvez por sempre ter sido um garoto tímido e também por não me identificar com a pompa cerimonial tão presente nesses rituais de passagem. Atualmente, continuo sem apreciar esses rituais, mas por outro motivo. Provavelmente por achar que na verdade que esses rituais não passam de meras formalidades para nos dizer algo que já sabemos: que nos tornamos algo que nós já somos.

Por exemplo: não importa em que área você atue profissionalmente, mas eu posso te dizer sem sombra de dúvidas que você não se tornou profissional naquela área no dia da cerimônia de colação de grau. Você se tornou profissional naquela área ao longo dos dias que você estudou madrugada adentro, nas provas que você se ferrou, dos estágios que você fez e dos diálogos que você teve com os profissionais daquela área.

Eu poderia ir além e dizer que não nos casamos na frente do padre ou do juiz, mas que nos casamos aos poucos. Conforme vamos desenvolvendo o relacionamento, com a presença cada vez maior do outro na nossa vida, a intimidade crescente e compartilhamento de projetos de vida.

Enfim o que me faz não gostar desses rituais de passagem é ilusão que eles passam de que transformamo-nos magicamente através daquela cerimônia e não com o nosso esforço, realizado no cotidiano.

sábado, 19 de setembro de 2009

Hay Eco-Chatos soy contra! (II)

Bem como eu já havia falado antes a maior ameaça ao mundo de hoje são os eco-chatos. E por incrível que pareça eles voltaram a atacar. Eu já tinha escutado falar da campanha pra fazer xixi no chuveiro. Mas fiquei surpreso ao ver essas campanhas que se esparalharam viralmente serem exibidas na tv. Fiquei assustado com a quantidade de recursos que o eco-chatos estão conseguindo arrecadar e nível de acesso a mídia.


O meu medo é qual será próxima campanha, obrigar a gente a ficar segurando pra só ir uma vez por dia ao banheiro ?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Eu não gosto do Chico Buarque!

Esta é uma das cenas clássicas, lá estou eu no bar com os amigos conversa vai, conversa vem. Alguém fala no famigerado e tudo começa:

- O Chico Buarque, isso , aquilo, e blabla bla bla.

- Eu não gosto do Chico Buarque, eu acho ele chato.

- O quê!??! O Chico, isso, aquilo e escreveu “Construção” e é muito difícil rimar todas aquelas proparoxítonas.

Nessas horas, eu me reservo ao direito de permanecer em silêncio. No entanto a idéia que me passa pela cabeça é: Só por que ele usou proparoxítonas no poema/música, eu tenho que gostar dele? Eu acho que ele utilizar as proparoxítonas foi até bom, facilitou a acentuação naquela época, período distante onde a reforma ortográfica (que o ser que vos escreve se recusa terminantemente a aderir!) estava distante e todos nós lembrávamos que as proparoxítonas eram sempre acentuadas.

Enfim, por que diabos eu deveria ser obrigado a reconhecer o Chico Buarque como poeta maior da cultura popular brasileira? Como se fosse fazer falta pra um cara que conquistou toda a nação brasileira, com exceção da minha pessoa, um misero fã que lhe escapa. Ah como são irritantes essas unanimidades. Como se fosse fazer diferença ao Chico ter um fã a menos. Parece que se ao surgir o primeiro ser capaz de não gostar dele, fosse surgir um levante que desestabilizasse todas as estruturas da sociedade brasileira, então ninguém mais fosse gostar do Chico Buarque e todos os cults do mundo tivessem que ler outro poema diferente de “Construção”.

A cultura de unanimidade me é extremamente irritante, por que todos têm que cultuar os mesmo ídolos, ler os mesmos livros, gostar das mesmas músicas, etc. Eu não posso simplesmente achar que The Who é melhor do que os Beatles, que o Nelson Piquet é melhor piloto que o Airton Senna e que o Chico Science é musicalmente mais interessante que o Chico Buarque?

Eu acho que os gostos que cada um cultua, deveriam ser diferentes para cada individuo. Cada qual tem sua cultura e o que é importante ou não para cada qual depende dos valores que se carrega. E eu acredito que isso deveria ser bastante diferente para cada uma das pessoas, haja visto que as experiências vividas por cada pessoa são diferentes e únicas.

Enfim, eu já disse que não gosto do Chico Buarque.

domingo, 13 de setembro de 2009

Independência do Brasil

Bandeira Brasil


Esta é uma idéia que já me é muito velha, mas não custa nada ressuscitá-la aqui no blog. Se há algo que eu não entendo é o patriotismo do brasileiro, eu fico impressionado como surgem bandeiras do Brasil em todos os lugares quando temos jogos da seleção nacional. As pessoas pintam a cara de verde e amarelo, põem bandeiras na varanda, largam tudo que estão fazendo e vão assistir ao jogo e haja nacionalismo. A seleção ganha e haja buzina na rua e haja grito de Brasilslisilllllllllllll.

Eu tenho o hábito de torcer contra a seleção brasileira, principalmente quando temos jogos contra a seleção argentina. Não me pergunte o porquê, mas eu acho o futebol dos hermanos muito bonito. Talvez seja pelo fato de ser um time que sempre joga com garra e determinação raramente vistos na seleção tupiniquim, talvez somente quando o time tá bem desfalcado e o pessoal famoso e consagrado fica no banco. Enfim voltando ao assunto, se tem algo que me irrita nessas horas é o pessoal que me pergunta se eu não sou pra brasileiro por este fato.

Nessas horas me vem à cabeça a seguinte questão desde quando torcer pra um time de futebol é exigência para determinar a nacionalidade de alguém. Eu não entendo o patriotismo do brasileiro enquanto se idolatram certos jogadores de futebol que simplesmente querem estar na seleção brasileira por dinheiro e mais dinheiro glória, não que eu tenha nada contra dinheiro e glória (aliás se você tiver problemas pode passar o dinheiro pra mim), negligenciam-se inúmeros profissionais que realmente constroem o país.

Eu fico impressionado como as pessoas dizem que eu não sou patriota por que eu não eu fico torcendo por um monte de estrelas consagradas que moram nas suas mansões na Europa , jogam em clubes europeus e mantém toda a sua vida por lá. Acredito até que depois de se aposentar, os que não torrarem o dinheiro todo em carros esportivos e loiras turbinadas, continuarão morando por lá. No entanto tenho que admitir que existem exceções alguns jogadores quando estiverem velhos e decrépitos voltaram para jogar em algum grande clube carioca ou paulista.

Você pode até me dizer: “ah, mas a seleção brasileira e a mística da camisa canarinho tá acima disso tudo”. Se você quiser acreditar nisso tudo bem, mas se eu bem me lembro quem patrocina a camisa canarinho é nada menos que uma multinacional que fabrica artigos esportivos, se eles fossem realmente nacionalistas não seria mais interessante eles serem patrocinados por uma empresa nacional e ajudar a desenvolver a indústria de artigos esportivos nacionais a partir da sua popularidade? Quantos empregos poderiam ser gerados?

Eu fico aqui pensando com os meus botões, o quanto deixamos de ser nacionalista quando realmente precisamos, não damos mérito aos profissionais da educação, tecnologia, ciências e saúde que realmente servem ao país e supervalorizamos alguns astros da indústria do entretenimento, por que o futebol é hoje nada mais do que um dos ramos dessa indústria.

Cadê o nacionalismo brasileiro na hora procurar consumir os produtos nacionais. Ao contrário de outros países, no Brasil há cultura de nacionalismo na hora de consumirmos produtos nacionais, que em teoria ajudaram a manter mais dinheiro na economia local, que seria usada para gerar mais empregos para brasileiros. Onde está o nacionalismo na hora de se buscar desenvolver a educação nacional, não se vê as pessoas indo a rua solicitar escolas decentes aos governantes com a mesma empolgação e as mesmas bandeiras?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cinzento...

Naquele dia o céu estava bastante cinzento quando saí de casa, passei pelo jardim e as folhas e o chão ainda se encontravam úmidos. Segui em direção ao portão e, ao pegar as chaves, me atrapalho ao equilibrar a bolsa e a camisa cinza, que jogo por cima da camiseta nos dias de chuva. Ao passar pelo portão sinto o cheiro de asfalto molhado, escuto o barulho típico dos pneus de carro ao trafegar pelo asfalto molhado e sinto o vento frio e úmido.

Olho então para o alto e observo o céu cinzento por alguns longos segundos. Fico admirado com a beleza do céu cinzento, não saberia dizer o porquê, mas os dias repletos de nuvens escuras e cinzentas me são muito mais belos que os dias onde o sol brilha alto com fundo azul no qual, quando muito, se vêem pequenas manchas brancas formadas por nuvens que parecem ser de algodão. Eu gosto do modo que o verde das copas das árvores ganha contraste contra o fundo cinzento, de como a grama parece estar mais verde quando molhada, ou mesmo pelas lembranças que os dias cinzentos trazem.

E quantas não são as lembranças dos dias cinzentos! Um café num dia mais frio, um passeio por uma cidade distante onde existem realmente quatro estações, ficar se espreguiçando na cama, observar a cidade passando através das janelas dos ônibus por onde escorrem as gotas de chuva e os não sei quantos livros lidos em dias cinzentos. Todas elas me vêm à mente nesse pequeno minuto de contemplação.

Nesse momento, eu volto das minhas divagações para o mundo real. Pequenas gotículas de água caem lentamente e eu me distraio por mais uns segundos observando-as cair, está serenando, tenho que ir e lá vou eu cruzando as ruas sob a garoa fina, pisando nas pequenas poças d’água em direção à parada de ônibus. Chego ao meu objetivo, o ônibus passa, eu aceno, ele para e eu subo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sexta-feira política

Não, isso aqui não é um convite pra uma reunião social para discutir as mazelas sociais do país num botequim do meu agrado às sextas-feiras, até por que sempre se acaba fazendo isso de um modo ou de outro nos bares da vida. Então não serei eu a gastar energia para tal objetivo. E, portanto, o tema a ser tratado nesse post nada tem a ver com isso.

Tudo começa com uma semana tumultuada, cheia de obrigações enfadonhas. Nessas horas, começa-se a fazer planos para dar aquela relaxada assim que se livrar dessas atribuições. Você começa a fazer planos para a sexta-feira, imagina aquela saída perfeita, todas aquelas pessoas que você gostaria de estar junto durante a semana e não conseguiu, se reunindo num bar e tomando todas bebendo socialmente. E o mais incrível, você consegue imaginar tudo com os mais perfeitos detalhes: conversa divertida com os amigos, a cerveja estupidamente gelada naquele boteco que você gosta e até o clima de paquera. Isso tudo alguns dias antes da sexta-feira, e assim ficamos aguardando ansiosamente a chegada desse dia para darmos início à cerimônia de abertura do fim de semana. Nesses momentos parece que juntar as atribuições tumultuadas mais as expectativas para o fim de semana, faz com que a esperada sexta-feira, demore cada vez mais a chegar e o tempo quase para!

Então, eis que surge a sexta-feira e você já sai de casa iluminado, esperando que os sonhos se cumpram, passa-se o dia radiante de alegria no trabalho e cheio de expectativa pra logo mais. É nessas horas que Murphy surge para o happy hour e as coisas começam a desandar. Os amigos estão desanimados ou começam a desmarcar, chove e se você persevera e consegue ir para a balada, o lugar está desanimado e sem a presença dos indivíduos do sexo oposto. Resumidamente, seus planos foram para o espaço ou se desmancharam no ar feito um castelo de cartas. Depois disso tudo, você acaba indo pra casa cedo passar o resto da noite no MSN.

Pois é, meus amigos, vocês acabaram de vivenciar a famigerada "sexta-feira política”:

- Ela promete, mas não cumpre!

sábado, 5 de setembro de 2009

Enfermo

Hoje acordei e me doíam os miolos, ah! Que maçada é acordar doente! Ainda bem que não preciso sair de casa por ser sábado e não ter expediente. Ainda mais maçante que acordar com os miolos a explodir é acordar com os miolos a explodir num dia de expediente. Não tendo expediente a cumprir pelo menos posso me quedar na cama enfermo.

Deitado na cama, a fazer nada. Contemplo o teto e fico pensando: só os enfermos contemplam o teto dos cômodos. E assim continuo por um bom templo a contemplá-lo. Contemplo também os objetos do cotidiano e vejo uma riqueza de detalhes neles que não percebo na rotina. Pequenos arranhões e falhas no verniz na cadeira que uso ao sentar para escrever na escrivaninha, agora com os livros assimetricamente espalhados, luminária pendendo sobre a mesa. E tudo adquire uma riqueza de detalhes que eu não prestaria atenção se não estivesse enfermo na cama.

Nesses momentos falta-me paciência para a ação e quedo a pensar e viajar pelos pensamentos, vejo os títulos dispersos pela escrivaninha e fico a recordar dos seu conteúdos. E continuo deitado na cama esperando que o sono chegue ou que a dor se vá.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Há dias em que...

Há dias em que existir me cansa. Todos os males, bondades e futilidades da humanidade me parecem igualmente enfadonhos. Nesses dias, meu espírito passa a sentir desconfortável no meu corpo e até coisas que costumeiramente me trazem alguma alegria e paz, tornam-se estranhamente desagradáveis à minha pessoa.


Nesses momentos, meu espírito agoniza, como um enfermo febril a se contorcer nos seu leito de um lado para outro. Nesses dias, existir se torna extremamente pesaroso e absolutamente todas as sensações me pesam, a luz do dia incomoda os meus olhos, os cheiros que se todos passam a ter uma essência ocre e até sentir me incomoda.


Se pudesse, nessas horas, desligaria meu espírito do mundo e passaria a existir somente no mundo das idéias. Viveria somente para as reflexões e pensamentos mais puros, plenos de abstrações. Totalmente desligado da necessidade de interagir e sentir, totalmente desligado de obrigações sociais falsas e enfadonhas, que bem sabemos se tratar de maçadas que temos que aturar para nossa subsistência.


Ah! Existir nesses momentos me aborrece, cansa e entedia. Sinto-me como uma criança que não pôde ir brincar com os seus pares devido o mau tempo ou como punição ao mau comportamento e por isso queda-se entediada e aborrecida a observar a rua pela janela. Sinto, nessas horas, a frustração e a tristeza do garoto que não pode ir ter com seus pares e isso contraria ainda mais a minha vontade de não sentir nada. E irrita-me não poder existir como uma pedra ou trapo largado num canto qualquer.


Nesses dias, o que me conforma é a esperança de que todas essas sensações passarão e de que tudo se renovará. Amanhã quem sabe o meu espírito acordará mais sossegado e menos enfermo. E que no fim tudo isso passa e eu passarei também!