sábado, 22 de agosto de 2009

Viagem

Na Janela
Subo no ônibus, pago a passagem e sento-me à janela. Hoje, não sei que motivo ou força obscura põe-me a refletir: quantas vezes já me sentei à janela do coletivo para não olhar através desta. Talvez até olhe através das janelas, mas a verdade é que não vejo as ruas, carros, pessoas, casas e comércios. Nessas horas só sinto o sol e o vento batendo na minha face e parece que nesses momentos os meus olhos se voltam pra dentro.

Tudo que passa diante dos meus olhos são sonhos, frustrações, memórias e idéias. Então passo a viajar nas sensações que penso em sentir, até que algo interrompa minhas divagações. Seja um acidente de trânsito, a moça faceira que passa distraída, um vendedor de doces a anunciar seus produtos ou, mesmo, um pedinte tentando sensibilizar as pessoas. Nessas horas parece que todos os sonhos espalhados, formando uma neblina na minha consciência, se condensam todos numa única gota e voltam todos para o inconsciente. Eis que volta ao mundo real se dá, como uma paisagem revelada pelo sol que dissipou a neblina que a escondia antes.

Eu levanto, aciono o sinal para pedir parada. O ônibus para e eu desço.


Cheguei, eu, ao meu destino?

Um comentário:

Iury Sousa e Silva disse...

provavelmente!

hum...
ta escrevendo super bem sassá!