domingo, 23 de agosto de 2009

Rituais

Acordo cedo, em geral isso sempre me acontece aos domingos, e sigo o ritual costumeiro: eu acordo, espreguiço-me e faço café da manhã, tudo silenciosamente. Não saberia dizer a razão, mas sinto um prazer imenso nesses momentos de silêncio e solidão. Sento no sofá com uma caneca de café na mão, pra apreciar o silêncio enquanto a casa ainda dorme. Parece que no silêncio tudo se destaca: o vapor saindo da caneca de café, a copa verde das arvores que vejo pela porta da sala, os pássaros a cantar e até o livro que estou lendo enquanto tomo o café parece adquirir uma profundidade diferente.

Nesses momentos eu leio os poemas como quem aprecia o fumo ou o aroma do café, sorvendo o poema verso a verso até completar a estrofe e guardo-a na mente, apreciando como quem aprecia o gosto do fumo ou do café. Então viajo no mundo das ilusões, nos poemas do Pessoa ou do Cesário Verde. E o ritual se repete estrofe a estrofe, poema a poema quando muito interrompendo este ritual para beber um gole de café, desta vez café de verdade.

E eis que dura este ritual por algum tempo, até que alguém acorde e se rompa esse pequeno voto de silêncio.

Um comentário:

Patrícia disse...

Acorda cedo???
Hummm... isso é licença poética!