domingo, 16 de agosto de 2009

Do medo de amar

Nas conversas de MSN, papo de botequim, conversa com os amigos e lá sempre está ele, talvez o tema mais recorrente de todos os tempos: relacionamentos amorosos. E eis que a cada história contada, está lá mais ou menos o mesmo enredo, com personagens e cenário diferentes, mas basicamente a mesma cena. E eis que surge um novo mal de uma geração: “o medo de amar”. Talvez seja uma das piores coisas dos dias atuais, as pessoas se pegam, mas não se apegam: o mesmo casal que troca beijo lascivos e incendiários é o mesmo casal que se vira e vai embora assim que o beijo finda. E o pior de tudo, cada qual para o seu lado! Não fica nem uma gota de carinho pelo outro: nem um abraçozinho afetuoso, uma caminhada de mãos dadas, ou mesmo uma troca de olhares mais terna. As pessoas então passam a viver com o eterno medo de se envolver num relacionamento e se magoar.


Talvez seja um reflexo dos tempos modernos, geração “fast-food” e sua cultura “miojo”, ou seja, em pouquíssimos minutos lá está o romance pronto sendo, em seguida consumido mais rápido ainda. E, similarmente às iguarias modernas, temos relacionamentos igualmente modernos que saciam, mas não nutrem. Esses relacionamentos satisfazem aquela sensação de vazio, mas não é algo que realmente te edifica como ser humano, as pessoas não se saciam das coisas realmente importantes em um relacionamento como, por exemplo, carinho, respeito, companheirismo, cumplicidade, etc.


Este medo de afetividade se torna, ainda mais estranho quando analisamos o contexto atual, onde a sexualidade é muito menos reprimida, talvez estejamos colhendo os frutos da revolução sexual. No entanto, é interessante como as pessoas estão muito mais bem resolvidas em relação à sexualidade, mas surpreendentemente os sentimentos das pessoas ficam cada vez mais trancafiados e sempre se encontram aos montes pessoas mal resolvidas quanto aos seus sentimentos. Estranho mundo, esse do tantos meios de para pessoas se conhecerem se socializarem, mas onde as pessoas não se comunicam.


Eu acredito que o verdadeiro motivo para as pessoas se relacionarem seja aprender a ver a vida por óticas diferentes, interagir com inúmeros outros universos, aprender com as experiências dos outro. Mas esses relacionamentos mais profundos envolvem o amadurecimento da relação, a confiança mútua, a entrega e tudo isso é cada vez mais raro no mundo de hoje.


Talvez sejam tempos pra uma nova revolução, mas dessa vez uma revolução sentimental.

4 comentários:

Andrade disse...

Calma lá leonardo.
Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Você diz que as pessoas tem medo de se relacionar hoje em dia, tudo bem. Mas daí a exemplificar com 2 pessoas que ficam por ficar. Uma coisa é amor, carinho, cumplicidade outra é sexo, coisa de pele. Uma pessoa pode muito bem ser bem resolvida, bem amada e querer só curtição numa etapa da vida dele, ou só ta afim de transar mesmo que mal tem!? Não é por causa disso que o amor acabou.
Se tem gente que só faz isso porque é incapaz de ter um relacionamento mais sério, paciencia.
Quem disse que se relacionar só é aprender a ver a vida por óticas diferentes ??
Se relacionar é o que a gente quizer, mesmo que seja pura safadeza!

Leonardo disse...

Bem, vejamos. Eu parto da premissa que se relacionar exige comunicação e comunicação implica necessariamente em conteúdo a ser transmitido. Eu não acho que toda "ficada" precisa ser necessariamente livre de conteúdo. Mas no caso que elas são, eu chamaria isso de interação físico-química. Nesse caso, outro passa a ser o objeto que eu uso pra estimular a produção de neurotransmissores. Igualzinho eu uso o meu copo de vodka
Eu até concordo que o exemplo que eu usei possa até ter sido um pouco extremo, mas eu acho que ninguém que eu conheça, por mais resolvido que seja considera "ficar" um relacionamento. Vc concorda?
E honestamente, eu não tenho nada contra as interações físico-químicas, mas eu não acho que isso seja relacionamento.

^^

Dante disse...

Relacionar-se é o que a gente quiser. Mas relacionar-se de modo sério implica necessariamente conteúdo a ser transmitido. Agora consigo entender porque só presto atenção às aulas de professores quando são mulheres e boas.

Iury Sousa e Silva disse...

caraio!!! tá escrevendo bem, hein?