Pé na estrada e o Complexo de Viajante batendo novamente!
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Experimentos
Eu me
lembro de ter conversado um dia desses sobre um amigo e como algumas vezes
pequenos experimentos numa aula podem ser muito mais marcantes do que apenas
esquemas demonstrando o funcionamento daquele experimento.
Eu um exemplo de como uma demonstração pode ser muito mais
convincente do que qualquer explicação mostrando gráficos, figuras ilustrativas,
etc. É o vídeo abaixo do Michael Pritchard:
Por
mais que o palestrante explique, todo o funcionamento. Não há nada mais
convincente de que o filtro é eficiente do que o fato do sujeito tomar uns
belos goles da água filtrada.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Panflete primeiro, proteste depois!
Sexta-feira,
ocorreram protestos no centro do Recife contra o aumento da passagem de ônibus.
Cena clássica: estudantes tomando conta do principal corredor de ônibus, a
Avenida Conde da Boa Vista, os engarrafamentos crescendo, até o batalhão de
choque chegar para liberar a via e descer o porrete na moleira dos estudantes.
Seguem-se, como, sempre as denúncias de abusos policiais e da cobertura
tendenciosa da grande mídia.
No entanto o que me causou certo espanto é o
fato de ver uma amiga que reclamando porque a população muitas vezes, apesar de
repudiar as ações policiais, não apoiar os protestos de estudantis e algumas
vezes taxar o movimento estudantil com adjetivos bastante pejorativos. Eu
poderia dizer que o culpado é alienação política da maioria da população,
poderia dizer que a culpa é de certos movimentos e partidos anacrônicos que
enfiaram militantes profissionais (eu conheço gente que recebe salário do
partido para militar dentro da universidade) no movimento estudantil, ou
poderia citar diversos outros motivos, mas a verdade é bem mais simples que isso. E para explicar eu prefiro contar
uma história pessoal.
Na
época, eu ainda era estudante de graduação e estava estudando para uma prova juntamente
com amigos numa das bibliotecas da universidade. Quando de repente entra um
grupo com camisetas do sindicato dos funcionários da universidade e dos
diretórios acadêmicos da situação na época fazendo a maior confusão: gritando
que iam fechar a biblioteca, batendo tambor e apitando. Tudo com o intuito de
expulsar os alunos da biblioteca e protestar. Lembro do ambiente se tornar
insuportável com o barulho e os estudantes que não estavam envolvidos no
protesto acabaram se retirando da biblioteca. Enquanto saíamos, alguns membros
do movimento nos entregavam panfletos.
O
motivo de tal protesto? Até hoje eu não sei! Recusei o panfleto que me foi
entregue, alguns amigos jogaram os panfletos recebidos no lixo sem nem parar
para ler. Afinal, poucas pessoas têm paciência de escutar alguém que inicia um
diálogo agredindo.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Fim de tarde
Cá estou
em um fim de tarde, músculos queimando e ar me faltando nos pulmões. Cansado,
exasperado com o suor escoando pelas costas e encharcando a camisa. Os
pedreiros foram embora da obra mais cedo e alguém tinha que descarregar uma
bela dúzia de caixas de cerâmicas. Não ia ser uma senhora de mais de 60 anos, então sobrou para mim. Família tem dessas coisas: você cuida dos seus familiares e eles cuidam de você.
Sento-me
na varanda da casa e ficou observando o jardim. Vejo um bem-te-vi
enorme beliscando pitangas em um galho, alguns pássaros começam a se ajeitar
sob a copa das arvores para dormir, enquanto outros ainda brincam e namoram na
areia recém aterrada do jardim. Tudo isso enquanto a cor do céu muda lentamente
de azul para púrpura.
Fico
ali largado, como um animal cansado no chão frio da varanda, me decidindo se
praguejo pelo cansaço ou se agradeço pela beleza do fim da tarde. Por hoje, eu
escolho me sentir grato. Deixo para praguejar amanhã pela manhã quando a dor
nas costas, que certamente virá, dificultar a minha saída da cama.
E uma chuva fininha cai, deixando a brisa fria da noite que começa ainda mais refrescante.
Por
Leonardo Xavier
às
23:39
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2
Dissidentes
domingo, 8 de janeiro de 2012
Estilo
Se
me pedissem para explicar a razão, provavelmente não saberia explicar, mas o
fato é que existem certos versos, estrofes ou mesmo parágrafos de um texto que
parecem reverberar infinitamente consciência. Um palpite inicial é a
identificação com aquela situação ou com a idéia descrita, mas minha hipótese
favorita é que, talvez, esses trechos contenham fragmentos de pequenas verdades
universais captadas pelos seus autores.
Eu
sempre sinto esse fragmento de verdade universal quando eu leio ou escuto o
verso de abertura do poema "Style" do Charles Bukowski.
Quando ele diz “Estilo é a resposta para
tudo”, é possível sentir verdade. E
talvez seja nessa verdade que se baseio o meu argumento para a importância de ler os
clássicos. Os clássicos sempre possuem estilo e ter estilo, não importa o que
você esteja fazendo, sempre faz a diferença.
Um
exemplo de como estilo faz diferença, é aquela cantada famigerada e medíocre: “Me
joga na parede e me chama de lagartixa!” que quando comparada “A lagartixa” do Álvares
de Azevedo. O mesmo animal, a mesma intenção de se aproximar da pessoa
desejada, mas quanta diferença no estilo. Observem!
A lagartixa
A lagartixa ao sol
ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.
Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.
Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.
Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.
Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores
Vale todo um harém a
minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.
E depois disso, quem não há de concordar que estilo é a resposta para tudo?
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